
Uma hora atrás, nesta noite de quinta-feira, tomei um cruzado de esquerda no queixo, de modo privado. Por quê? Porque estaria escrevendo sobre as “futilidades da moda” e outros assuntos irrelevantes, em vez de colaborar com a campanha de Lula à presidência.
É o tipo de comentário que deixa mágoa na gente. Mágoa biliar, aliás. E eu explico o porquê.
Creio que a política transpira em tudo, no futebol, na moda, na pintura, na música, na educação, nos comportamentos, nos amores, na causa dos bichos, na questão ambiental.
Não sou capaz de compartimentar o conhecimento, tampouco de isolar a causa progressista em um escaninho etiquetado para o combate político-partidário.
Sou da turma do Edgar Morin, do pensamento complexo. E vale explicar que complexo quer dizer variado, integrado e transdisciplinar. Agradeço a Descartes pelo avanço na categorização Aristotélica, mas o pensamento cartesiano nos atrasa e nos imobiliza.
Eu curto Gramsci, porque ele é assim, de todos os assuntos. Pode falar de comunicação, de arte, de esporte, sem perder a linha mestra da pugna progressista.
Tratei de moda porque era preciso falar do corpo, tão esfolado por amplos setores pseudo-identitários dedicados à lacração compulsiva. Corpo é matéria. E como dispensá-lo se recebemos lições do materialismo dialético do camarada Karl?
A interdição do corpo e da libido sempre foi uma arma do fascismo, que canaliza essa energia no ódio pelos divergentes. Não vou repetir aqui trechos da obra de Wilhelm Reich. Que cada um busque sua fonte. Até o Google resolve.
E não vou, de modo algum, abrir mão da fruição. Vou chamar aqui a compa Emma Goldman para dar seu testemunho.
– E aí, Emmita, o que tens a dizer a respeito?
– Você tem razão, Waltinho, se não podemos dançar, esta não é a nossa revolução!
Pronto! Convenceu-se? A luta por um Brasil progressista, livre do milicianismo, passa pela preparação e degustação dessa sopa cultural da diversidade. É ela que nos define e nos ensina.
Como ensinava o compa Paulo Freire, nos educamos uns aos outros, MEDIADOS PELO MUNDO.
O texto em questão cita as moças da arte que mobilizam milhões contra o vivendeiro e suas ideias retrógradas. E elas fazem, diferença, sim, nesta luta do amor contra o ódio.
Lula é um lindo. É admirado, querido e amado. Mas não preciso dizer dele o tempo todo para somar em sua campanha. O voto se ganha também no embate livre de ideias, na observação das paisagens do tempo e na iluminação do caminho. Ou não?











