Por Simão Zygband
A extrema-direita brasileira vive dias de profundo recolhimento tático e desespero mascarado de comemoração.
Acuados pelas investigações do escândalo do Banco Master, que promete implodir o que resta de credibilidade de seu núcleo financeiro e político, os bolsonaristas se agarram a qualquer cortina de fumaça disponível.
A falta de um projeto de país faz com que os fascistas se contentem com factóides sem nenhuma relevância que dificilmente mudará os rumos das eleições presidenciais.
A recente decisão da Justiça na Itália, que resultou na soltura e não extradição de Carla Zambelli, foi comemorada pelos bolsonaristas como uma conquista histórica.
Mas é uma vitória de Pirro. Trata-se apenas de um alento temporário para uma parlamentar que continua politicamente isolada e moralmente derrotada no cenário nacional.
Para completar o cardápio do velho “pão e circo”, a convocação de Neymar para a Copa do Mundo virou o novo farol de esperança dos extremistas.
O outrora “menino” Ney, hoje um ex-atleta em atividade e símbolo máximo do individualismo bolsonarista, é evocado não pelo futebol que ainda possa jogar, mas pela sua identificação com o golpista que vive em prisão domiciliar.
Para os órfãos do golpismo, o gramado virou o último reduto de uma suposta resistência política.
Enquanto a oposição se fia na não extradição de Zambelli e na convocação de Neymar, a realidade concreta do Brasil avança a passos largos.
O presidente Lula dispara nas pesquisas de intenção de voto, impulsionado pela estabilidade econômica, o controle da inflação e a volta dos programas sociais.
O povo brasileiro escolheu o crescimento real em vez do espetáculo vazio das redes sociais.
O contraste é definitivo: enquanto o governo trabalha e colhe o reconhecimento popular, o bolsonarismo se apequena, celebrando a liberdade vigiada de uma deputada e os dribles de um craque em fim de carreira.
O castelo de areia da extrema-direita está desmoronando, e não haverá drible de Neymar capaz de salvá-los do julgamento das urnas.

Simão Zygband é jornalista, analista político e editor do portal Construir Resistência
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