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Além dos Muros

Festa Junina De 2023. Foto Marina Tavares2 768x576

Arraiá do MST celebra a cultura popular brasileira

Por Redação/MST  Ainda em clima de despedida do mês junino, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza neste sábado (13), a partir das 13h, no Espaço Cultural Elza Soares, um grande arraiá para celebrar a cultura popular brasileira com música, brincadeiras, comidas típicas e dança. O espaço fica na Alameda Eduardo Prado, 474, Campos Elíseos, na capital paulista. Forró das Minas e a discotecagem do músico e pesquisador musical pernambucano Caçapa são algumas das atrações confirmadas para a tarde de sábado, que conta também com diversas atividades para compor esse momento de festa. Na culinária, os visitantes vão poder experimentar de tudo um pouco. O cardápio vai conter pratos salgados, como cuscuz, caldo verde mineiro, lanche de pernil, pipoca, milho cozido e muito mais; também vai ter doces, como curau, canjica, bolo de milho e arroz doce. Estão previstos ainda um conjunto de pratos veganos, como lanche de berinjela, caldo de abóbora com gengibre e bolo de milho. A entrada é gratuita e aberta ao público, com o objetivo de envolver a comunidade que reside nas proximidades do espaço e de aproximar, cada vez mais, o povo paulistano desse festejo que integra a cultura popular brasileira. O evento tende a se consolidar no calendário de atividades artísticas e culturais do Espaço Elza Soares. Ana Chã, que compõe a coordenação do Espaço, explica que as festas juninas, os arraiás, historicamente são grandes celebrações da colheita nesta época do ano. “Essas tradições são incorporadas com essa tradição europeia de celebração do Santo Antônio, São João e São Pedro, se transformando em uma grande festa da cultura popular, onde a comida tem uma centralidade grande, mas também essa celebração com a música, com os bailes, as danças e as brincadeiras. Ela conta que para o MST, se somar a essas celebrações na cidade de São Paulo tem o papel de fortalecer os vínculos entre “campo e cidade” e contínua: “de projetar esse campo que é um lugar vivo, que é um lugar bom de se viver, fazendo aí um contraponto ao modelo do agronegócio, que mecanizou, tirou as pessoas do campo e também propõe uma celebração desse campo que é afastado dessa produção de vida”. Serviço: Arraiá do MST Sábado (13), a partir das 13h No Espaço Cultural Elza Soares, localizado na Alameda Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos

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“Liberdade ou Morte: histórias que a história não conta” será exibido no Sindicato dos Bancários

Da Assessoria de Comunicação  Evento, com realização do Instituto Tebas, trará novo episódio da série e tem exibição programada para a próxima sexta-feira, (dia 12)   Com narrativas antirracistas sobre a história social da cidade de São Paulo, a web série “Liberdade ou Morte: histórias que a história não conta”, projeto realizado pelo Instituto Tebas de Educação e Cultura, lançará no próximo dia 12 de julho, o segundo episódio com o título Marcha Noturna pela Democracia Racial. A programação terá início às 18h, com concentração na Praça Antônio Prado (Centro) com caminhada até a sede do Sindicato dos Bancários (Rua São Bento, 413 – Edifício Martinelli), onde às 19 horas haverá leitura de crônicas, fruição do ensaio fotográfico, seguidos de exibição do documentário e debate sobre o tema. Entrada 1 kg de alimento não perecível. O episódio narra a 26ª. Edição da marcha, um dos marcos do protesto negro no Brasil contemporâneo, realizada anualmente na cidade de São Paulo, desde 1997. Em meio ao percurso da Marcha Noturna pela Democracia Racial, permeado por falas do escritor e coordenador do Instituto Tebas, Abílio Ferreira e por canções puxadas pelo Jongo dos Guainás, Abou N’Gazy Sidibé, Júlio Cézar e Cinthia Gomes, brotam significados deste evento histórico por meio de depoimentos de protagonistas da marcha como Padre Enes de Jesus, Gilson Negão e do saudoso Flávio Jorge. As narrativas – visuais, fotográficas e textuais – desta edição retratam o movimento que nasceu em 13 de maio de 1997, quando pessoas saiam às ruas em silêncio, vestidas de preto com tarjas brancas, segurando velas acesas, protestando contra a celebração do 13 de maio e reivindicando o 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, como o feriado da Consciência Negra. A web série Liberdade ou Morte: histórias que a história não conta é composta por sete episódios e foi lançado no mês passado, dia 21 de junho, data de nascimento do abolicionista negro, Luiz Gama, com o episódio Caminhada Luiz Gama Imortal. Os próximos títulos serão: Cerco Indígena a Piratininga; Cortejo em Memória de Chaguinhas; Marcha das Mulheres Negras; Marcha do Dia da Consciência Negra e Movimento Mobiliza Saracura Vai-Vai. Todos os vídeos estarão disponíveis no site: www.institutotebas.org.br Ficha Técnica Episódio 2 – Marcha Noturna Pela Democracia Racial (2021, 27’, cor, 1080p) Direção, roteiro, edição e finalização: Alexandre Kishimoto Câmera: Caio Castor, João Leoci e Alexandre Kishimoto Som: Vera Longo Identidade visual: mercurio.studio Motion graphics: Marcela Banduk Composição e concepção da trilha sonora original: Aloysio Letra Direção musical: Aloysio Letra e Ravi Landim Arranjos: Ravi Landim Edição: Ravi Landim e DJ Negrito Música: Tiririca no Saracura (compositor: Aloysio Letra) Intérpretes: Voz principal – Luana Bayô Percussão – Edvan Mota Violão de 6 cordas – Ravi Landim Violão de 7 cordas – Helô Ferreira Clarinete – Laura Santos Backing vocals – Aloysio Letra, Ravi Landim e Helô Ferreira Mixagem e Masterização: DJ Negrito Técnicos de som: Edvan Mota e DJ Negrito Coordenação Geral: Abilio Ferreira Produção Executiva: Vera Longo, Abilio Ferreira e Alexandre Kishimoto Narrativas Textuais: Abilio Ferreira Narrativas Fotográficas: João Leoci Designer Gráfico: Danilo de Paulo Webdesigner: Beatriz Oliveira Assessoria de Imprensa: Central de Comunicação – Claudia Alexandre e Camila Gonçalves Assessoria Jurídica: Shigueo Kuwahara Uma produção: Esquisito Filmes Realização: Instituto Tebas de Educação e Cultura Apoio: Mandato da vereadora Luana Alves “São Paulo, Farol de Combate ao Racismo Estrutural” (Secretaria Municipal de Relações Internacionais). Liberdade ou Morte Cada um dos episódios é constituído de duas obras artísticas, isto é, duas abordagens diferentes do mesmo tema: um ensaio de imagens do fotógrafo João Leoci, combinado com uma crônica de autoria do escritor Abilio Ferreira; e um audiovisual de Alexandre Kishimoto. A direção musical é do cantor e compositor Aloysio Letra e a identidade visual foi criada pelo designer Danilo de Paulo. “Lançamos mãos dessas três linguagens – vídeo, foto e texto, para narrar de que maneira a agenda do movimento negro-indígena paulistano dialoga com o processo histórico de interpretação do Brasil, tendo como marco referencial o slogan do grito do Ipiranga, no dia 7 de setembro de 1822. As peculiaridades das três linguagens se articularão mediadas por um conteúdo comum que é a agenda mencionada. Entretanto, caberá à narrativa textual explicar as relações existentes entre essa agenda e os acontecimentos ocorridos ao longo de dois séculos de fundação do projeto brasileiro de nação”, disse Abílio Ferreira. A expressão “Liberdade ou Morte” remete ao lema da Revolução do Haiti (1791-1804), numa interpretação crítica do projeto de nação veiculado pelo grito do Ipiranga (Independência ou Morte), cujo bicentenário foi comemorado em 2022, em plena retomada das mobilizações coletivas pós-pandemia. Já o subtítulo “histórias que a História não conta” lembra um dos versos do emblemático samba-enredo da Mangueira História para ninar gente grande, campeã do carnaval carioca de 2019. O projeto foi financiado por uma emenda parlamentar da vereadora Luana Alves (PSOL/SP), executada pelo Farol Antirracista, política pública da Secretaria Municipal de Relações Internacionais (SMRI) de São Paulo.  

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Ultrage Abre

Mimadinhos ultrajantes do Rock em cartum

Da Revista da Pirralha Roger Moreira (ao centro – foto Thiago Nogueira/focka) quer calar as críticas de Titio Marco (foto Instagram do radialista) e do chargista Gilmar (autocaricatura) por meio de ação judicial.   A banda Ultraje a Rigor, em particular seu vocalista Roger Moreira, tem se destacado nos últimos anos não pela qualidade de sua música mas sim pelo apoio que hipotecaram ao ex-presidente Bolsonaro, à direita brasileira fascista e pelas manifestações reacionárias. No início do mês de junho, o grupo arranjou mais uma confusão, agora com o radialista conhecido como Titio Marco Antonio, da Kiss FM, uma rádio especializada em rock n’ roll. Tudo começou quando o apresentador da rádio comemorou o fato da emissora em que trabalha ter cancelado um show do grupo marcado para o dia 13 de julho em comemoração ao Dia Mundial do Rock. Em sua rede social, o radialista afirmou que “graças da Deus” a rádio havia cancelado o show da “m*** ultrajante do Ultraje a Rigor” e encerrou a postagem: “Uma rádio tão importante como a nossa merece uma festa de respeito e não um grupo de fascistas falidos”. A postagem foi apagada posteriormente mas a confusão já estava estabelecida. Os integrantes da banda protestaram, a emissora declarou que se tratava de opinião pessoal, Titio Marco acabou pedindo desculpas ao público e à emissora (mas reafirmou que sua opinião sobre o grupo não mudou). Em resposta, o guitarrista da banda, Marcos Kleine perguntou “vão demitir o cara?”, para depois escrever: “Enfia a sua notinha no c* e espera o processo. Verme” e o vocalista Roger completou “o processinho está a caminho”. No final a pressão empresarial deve ter falado mais alto, a rádio voltou atrás e os “fascistas falidos” estão confirmados ao lado de outros grupos para o show do dia 13. Uma vez que a corda estourou do lado do trabalhador, não sabemos como ficou o clima no interior da emissora para o Titio Marco (que também é dublador e faz a voz do personagem Patrick, amigo de Bob Esponja). Mas a história não terminou ainda, pois além de processar o Titio Marco Antonio, comprovando a postura antidemocrática da banda, eles também resolveram perseguir o cartunista Gilmar por duas charges publicada na internet sobre o episódio. Duas charges resumem o caso “Os integrantes da banda, Roger Moreira e Marcos Kleine, pediram a demissão do Titio Marco e aos seus seguidores que agissem contra o locutor. Sai em defesa da opinião do Titio fazendo uma charge sobre o que ele postou e acrescentei MIMADINHOS. Os caras ficaram muito furiosos e resolveram me processar. Ingressaram com um processo de 50 páginas pedindo indenização por danos morais, retirada do post, retratação, etc. Fiz outra charge denunciando isso, prontamente anexaram esta nova no processo, dobrando o pedido de indenização, grifando o MIMADINHOS. Estão vasculhando tudo que já fiz para encontrar algo que possa me incriminar, para isto anexaram outras charges sem qualquer relação com o caso e argumentarem que propago ódio, etc… etc…” Depoimento do Chargista Gilmar para a Revista Pirralha Para muitos cartunistas este assédio jurídico tem o claro objetivo de intimidar e impedir que a liberdade de imprensa e de opinião se manifeste através do humor gráfico, como bem sabe o cartunista Nando, que já passou por situação semelhante (VER AQUI). O contraditório desta história é que Roger Moreira nunca fez questão de ser visto publicamente como um exemplo de candura a ponto de palavras contundentes ferirem sua sensibilidade. Aliás, ele é conhecido por suas declarações pouco civilizadas – para dizer o mínimo. Em 2021. o vocalista foi condenado a pagar R$ 100 mil e a se retratar publicamente por ofender a artista plástica Adriana Varejão. Em uma atitude intolerante e misógina, o músico adulterou uma foto da artista, desenhou um pênis sobre seu rosto, escreveu a palavra “puta” e a publicou na internet. Outra “confusão” em que o “cidadão de bem” Roger Moreira se meteu aconteceu em 2023 quando foi alvo de inquérito por parte da Promotoria da Infância e Juventude da cidade de São Paulo que resultou em uma multa de R$ 60 mil, a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público de São Paulo e a publicação de  postagens contra o abuso sexual infantil em suas redes sociais. A ação foi decorrência de um comentário feito por ele em uma postagem sobre uma menina de 11 anos, vítima de estupros e grávida pela segunda vez, onde escreveu: “Agora vê se para de meter. Ou pelo menos usa camisinha, porra!”. Em vista do comportamento desabonador do líder da banda, talvez cheguemos a conclusão que o uso dos termos fascistas e mimados não estejam de todo equivocados em se tratando dos senhores do Ultraje a Rigor. ………………….. A movimentação dos integrantes da banda para tentar silenciar o cartunista (e o radialista) acabou servindo de combustível para outras charges que foram enviadas pelos artistas para serem publicadas na Revista Pirralha em um movimento de reafirmação da liberdade de opinião e de imprensa. Guto Camargo   Milton de Faria     Publicado originalmente no link abaixo da Revista da Pirralha  https://revistapirralha.com.br/ultrajantes-mimadinhos-do-rock-em-cartuns

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Ciência no Front

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Policial pode invadir casa sem mandado para prender maconheiro

Por Jenniffer Mendonça – A Ponte Texto elaborado após seis meses de trabalho prevê que policial pode fazer abordagens seguindo critérios subjetivos e até invadir casas sem mandado se sentir cheiro de maconha Após seis meses de trabalho a Polícia Civil de São Paulo, na figura do delegado geral Arthur Dian, emitiu uma recomendação, em parceria com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que repete os “critérios subjetivos” e preconceitos arraigados em “abordagens e buscas pessoais ou domiciliares realizadas sem prévia ordem judicial”, ou seja, em relação ao popular “enquadro”, “baculejo” ou “geral”. O texto foi publicado na última quinta-feira (11/7) no Diário Oficial do Estado e é resultado de um grupo de trabalho que foi instituído em janeiro deste ano pela Procuradoria Geral de Justiça, na época em que ainda era chefiada pelo procurador Mario Sarrubbo, que atualmente é secretário nacional de Segurança Pública. Dentre os membros, havia apenas representantes das polícias Civil e Militar, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e do Poder Judiciário de São Paulo – mas nenhum integrante da sociedade civil. Leia também: O que pode e o que não pode em uma abordagem policial A Ponte apurou que dentro do próprio grupo não houve consenso e que a elaboração da normativa acabou sendo apropriada pela polícia de maneira geral, o que trouxe elementos de contradição no texto. Por exemplo: a recomendação diz que as abordagens têm de ter fundamentação por escrito e que o “nervosismo” e a pessoa morar num bairro que tem tráfico de drogas não são razões suficientes para motivar um enquadro. Por outro lado, o texto entende que “a busca motivada por denúncia anônima aliada a um forte odor de maconha nas proximidades da residência justifica o ingresso dos policiais no domicílio, sem prévia autorização judicial e sem o consentimento válido do morador”, o que contraria a jurisprudência de tribunais superiores que têm invalidado provas obtidas dessa forma. Há também a menção de “patrulhamento em local conhecido como ponto de tráfico de drogas, conjugada com campana de policiais que constataram intensa movimentação, típica de comércio ilícito de entorpecentes”, assim como enquadros em caso de desobediência a ordem de parada e de fuga “quando visualizado volume descartado ou sob as vestes do indivíduo”. Geralmente, quem faz as abordagens e revistas sem necessidade de autorização judicial é a Polícia Militar. Se a PM entende que houve um crime em flagrante, ela leva a pessoa abordada até a delegacia, onde a Polícia Civil, na figura do(a) delegado(a), vai avaliar a situação e ratificar ou não aquele enquadro como correto e necessário durante a investigação, se é o caso de prisão em flagrante e pedir ao tribunal de justiça para manter, revogar ou prorrogar aquela prisão. A recomendação do delegado geral, como o próprio nome diz, não tem caráter obrigatório e, apesar de reconhecer que as pessoas não podem ser abordadas por conta da “cor, origem e classe social”, o texto ainda reforça um problema antigo de se utilizar critérios subjetivos para validar um baculejo, segundo Jessica da Mata, que é advogada e autora de A Política do Enquadro. Assine a Newsletter da Ponte! É de graça “Como que se comprova objetivamente que havia uma pessoa fugindo dos policiais e ingressando no domicílio em fuga?”, questiona. “É uma análise subjetiva porque precisa analisar conjuntamente com a questão das câmeras, mas a gente sabe que hoje o governo de São Paulo planeja a implantação de [novas] câmeras com acionamento manual, com interrupções a partir da própria narrativa policial”, exemplifica Isso porque, argumenta a pesquisadora, a recomendação também não destaca a conjugação de outras provas que não sejam exclusivamente a palavra do policial. “É uma normativa de autoproteção, muito mais do que de regulação e controle do poder de polícia, que seria o que a gente mais precisa nesse momento porque a gente vê muitos abusos policiais, com muita frequência, principalmente nas periferias, contra a população pobre e negra”, avalia. O que dizem as autoridades A Ponte procurou a Secretaria da Segurança Pública sobre a recomendação, mas a Fator F, assessoria terceirizada da pasta, não respondeu. Também procuramos o Ministério Público e solicitamos entrevista com um representante do grupo de trabalho. Porém, não houve retorno da assessoria. O espaço segue aberto

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Margareth Dalcolmo

Margareth Dalcolmo: “Vivemos as consequências da desinformação”

Por Clara Marques – Science Arena Para pesquisadora da Fiocruz, disseminação de notícias fraudulentas precisa ser combatida inclusive dentro da classe médica “A comunidade médica deve estar presente em todos os meios de comunicação, informando e dialogando com a população de forma clara e precisa”, diz Margareth Dalcolmo, da Fiocruz | Imagem: Peter Ilicciev/Divulgação A edição de 2023 da pesquisa “Percepção pública da C&T no Brasil”, realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), revela que a saúde é um dos temas de maior interesse do público, apesar de ser um campo de disputa entre os produtores de desinformação, uma comunicação mediada por algoritmos enviesados por meio das redes sociais e negacionismos vacinais. Dentre os jovens, oito em cada dez entrevistados na pesquisa dizem que se informam sobre ciência principalmente por Instagram e YouTube. Segundo uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um terço dos canais em português mais assistidos do YouTube sobre vacinas tinham informações erradas ou desinformação. A jornalista Sabine Righetti, pesquisadora do Laboratório de Estudo Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, destaca que, no YouTube, parte significativa dos vídeos mais acessados sobre vacinas diz que os imunizantes contêm ingredientes perigosos e defendiam a liberdade de escolha, a promoção de serviços de saúde alternativa e a conspiração de que vacinas causam doenças. “As pesquisas de percepção da ciência são fundamentais para a definição de políticas públicas na área”, diz Righetti, que é autora, junto com o cientista de dados Estevão Gamba, do livro Negacionismo científico e suas consequências (Edições 70), lançado em abril. “É preciso entender como as pessoas compreendem, se interessam e valorizam a ciência. O que os estudos mostram é que há um ‘descolamento’ gigante entre ciência e sociedade.” Além de Righetti, o Science Arena também conversou sobre os resultados da pesquisa do CGEE com a médica pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e membro titular da Academia Nacional de Medicina. Desde o início da pandemia de covid-19, em 2020, Dalcolmo destacou-se pela capacidade de se comunicar com o público por meio da imprensa e explicar, de forma simples e sem rodeios, o impacto do vírus Sars-CoV-2 na saúde das pessoas. A pesquisadora se tornou uma das principais porta-vozes da ciência ao longo da pandemia e no combate contra movimentos antivacina no país. Nesta entrevista, Dalcolmo comenta sobre os riscos das fake news e como enfrentar a desinformação entre médicos e outros profissionais da saúde.   Science Arena – O estudo do CGEE indica que a desconfiança da população brasileira em relação a temas como a vacinas figura com índice elevado (20,9%) em 2023. Esta informação acende algum alerta?   Margareth Dalcolmo – É inegável que a saúde tem sido um tema de grande interesse nos últimos anos, tanto para o bem quanto para o mal. No Brasil, vivenciamos fenômenos paradoxais. Historicamente, a população brasileira sempre confiou muito nas vacinas e o próprio Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado há 50 anos, é um exemplo de sucesso por conta da grande aceitação da sociedade civil. Infelizmente, à custa de uma retórica muito nociva, capitaneada pela última administração do governo federal, somado ao medo de uma doença nova como a covid-19 e à rapidez com que as vacinas foram desenvolvidas, houve um temor e uma resistência vacinal inéditos. Na verdade, estamos enfrentando as consequências da desinformação e da fabricação de informações falsas sobre as vacinas. Isso é um problema real e inegável.   Qual o resultado disso?   Esse fenômeno resultou na queda das taxas gerais de vacinação, inclusive contra a gripe. Em 2020, paradoxalmente, tivemos a maior taxa de brasileiros vacinados contra a Influenza, já que o público acreditava que isso poderia protegê-lo da covid-19, o que não é verdade. Neste ano, vivemos uma situação insólita, da menor taxa de adesão à vacinação contra a gripe. Estão sobrando vacinas e isso se agrava ao fato de que a imunização contra a covid-19 também foi muito baixa. Apenas 55% da população brasileira têm todas as doses completas. Esse é um número muito pequeno e chama a atenção sobretudo para as vacinas pediátricas, revelando que as famílias foram muito contaminadas por esse discurso, por essa retórica extremamente nociva.   Cinco em cada dez brasileiros relataram se deparar frequentemente com notícias que parecem falsas. Na sua opinião, o campo da saúde tem apresentado um crescente aumento na disseminação de fake news?   Com certeza. A saúde, muito mais do que a economia, é algo que “pega” as pessoas individualmente. Não há dúvida de que ela tem uma força de persuasão muito grande, porque todos estão interessados na saúde e no bem-estar de sua família, seus filhos, seus pais. A saúde é algo que toca pessoalmente em cada indivíduo. Não há dúvida de que as fake news se tornaram uma fonte de produção, especialmente na pandemia. Foi nesse momento que começaram a prosperar sites com conteúdo falso, inclusive, lamentavelmente, com a participação de médicos.   Na pesquisa do CGEE, também foi avaliado um conhecimento mais técnico. Por exemplo, saber se antibióticos servem para matar vírus – informação equivocada com a qual mais da metade dos respondentes concordava. Na prática médica, o quanto esse tipo de desconhecimento pode afetar na adesão terapêutica e na confiança nos profissionais da saúde?   A disseminação de desinformação, inclusive entre médicos, levou ao uso excessivo de antibióticos durante a pandemia, levando a taxas de resistência antimicrobiana gigantescas. Esse uso muitas vezes não era apenas desnecessário, mas também inadequado, já que a doença em questão era viral, com um componente inflamatório predominante. Na verdade, o paciente desenvolve uma infecção bacteriana secundária e oportunista, somando-se a um processo viral com grande liberação de substâncias citotóxicas e citocinas inflamatórias.   A maioria dos brasileiros disse que nunca ou raramente buscou informações sobre ciência. No entanto, as redes sociais figuram como campeãs no acesso às informações. Você acredita que essa comunicação mediada por algoritmos é um desafio superável? Como a saúde pode ser um segmento protagonista no combate

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Farmácia Popular: mais dez remédios serão distribuídos gratuitamente

Por Lígia Vieira, TV Globo São medicamentos utilizados no tratamento de doença de Parkinson, colesterol alto, glaucoma e rinite que podem ser retirados nas farmácias credenciadas a partir desta quarta-feira (10). O Ministério da Saúde tornou gratuita a retirada de mais dez medicamentos no Programa Farmácia Popular a partir desta quarta-feira (10). São remédios para tratamento de doença de Parkinson, colesterol alto, glaucoma e rinite (veja lista completa mais abaixo). De acordo com a pasta, com essa medida, pelo menos 3 milhões de participantes do programa poderão economizar até R$ 400 por ano. Esses medicamentos que se tornaram gratuitos já estavam no programa, mas os usuários tinham de pagar uma porcentagem do valor deles. Agora 39 dos 41 itens distribuídos pelo Farmácia Popular são totalmente de graça para a população. Quais são os novos medicamentos gratuitos?   Confira abaixo a lista dos novos remédios gratuitos disponíveis no Farmácia Popular: Colesterol alto sinvastatina 10mg sinvastatina 20mg sinvastatina 40mg Doença de Parkinson carbidopa 25mg + levodopa 250mg cloridrato de benserazida 25mg + levodopa 100mg Glaucoma maleato de timolol 2,5mg maleato de timolol 5mg Rinite budesonida 32mcg budesonida 50mcg dipropionato de beclometasona 50mcg/dose   Veja a lista completa com todos os medicamentos Como conseguir a medicação?   O programa disponibiliza medicamentos gratuitos para diabetes, asma, hipertensão, anticoncepção, colesterol alto, rinite, doença de Parkinson e glaucoma. Além de subsidiar – o governo paga uma parte do preço do medicamento – os remédios para o tratamento de diabetes mellitus associada a doença cardiovascular e distribuir fraldas geriátricas. O paciente que precisa de medicamentos tem de ir a um estabelecimento credenciado. São farmácias e drogarias que exibem o selo “Aqui tem Farmácia Popular”. O cidadão precisa apresentar dois documentos: documento oficial de identidade com foto e número do CPF; receita médica dentro do prazo de validade, emitida por médico do SUS ou particular. Para a retirada das fraldas geriátricas, é preciso que o paciente tenha mais de 60 anos ou seja pessoa com deficiência e apresente prescrição, laudo ou atestado comprovando a necessidade do uso das fraldas.

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Se você é sexista, racista, homofóbico, não compre meus discos

Por Victor Miller – Cruff Gay Blog Segundo a publicação Aventuras Na História, Kurt Cobain, o vocalista da banda Nirvana, lutava contra a homofobia e era a favor dos direitos humanos. Na época em que ele morava em Aberdeen, Seattle, nos Estados Unidos, Cobain saía pelas ruas com uma tinta spray e pichava paredes e carros com os dizeres “Deus é gay”, chegando a ser preso por isso em uma ocasião. Já um artigo do Reverb aponta que Kurt Cobain também lutava contra o sexismo, racismo e o machismo. Na coletânea “Incesticide”, o Nirvana colocou no libreto do disco os seguintes dizeres: – BKDR – “Se qualquer um de vocês em qualquer sentido odeia homossexuais, pessoas de outras cores ou mulheres, faça-nos um favor: nos deixe em paz! Não venha aos nossos shows e não compre nossos discos”. A contundente afirmação iluminava um sentido profundo por trás do Nirvana que por vezes acaba eclipsado justamente pelo imenso sucesso que a banda alcançou: há quase 30 anos, solitária em um cenário musical dominado por homens, pelo machismo, o sexismo e a corrida comercial.  O Nirvana era não só uma banda que sublinhava a importância do feminismo, como denunciava a masculinidade tóxica, a desigualdade de gênero, a homofobia e a violência masculina – acima até mesmo de seu próprio sucesso. O último disco inédito da banda, “In Utero”, também havia no libreto dizeres bem radicais contra qualquer tipo de discriminação:  “SE VOCÊ É SEXISTA, RACISTA, HOMOFÓBICO OU BASICAMENTE UM IDIOTA, NÃO COMPRE ESSE DISCO. EU NÃO ME IMPORTO SE VOCÊ GOSTA DE MIM, EU ODEIO VOCÊ.” Em várias entrevistas, Cobain se posicionava a favor dos direitos LGBTQ+ e era bastante firme e incisivo em seus posicionamentos. O mesmo valia para outros segmentos, como mulheres e negros. Além disso, várias músicas da banda também tinham uma mensagem social. “Rape Me” é um manifesto anti-estupro; “Very Ape” e “Floyd The Barber” atacam o machismo, só para citar alguns exemplos. Victor Miller é jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de “fobia”   Texto publicado originalmente no link abaixo do Gay Blog  https://gay.blog.br/noticias/se-voce-e-homofobico-nao-compre-esse-cd-disse-kurt-cobain-em-1993/?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTEAAR1HZJh74jBC59LWiWjsCj2qZmiRlqrL4JO6qVL3ZawCShAR9wHvlThLwqg_aem_AftoPlTLNhH1PTwrZW1yDIgreKHgKVkAM6AuZ4WtA05pulOY3-jJfQ7N0dkvo2pmM6xXJom3Hbr8thnfiflV_Rct

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