Por Simão Zygband
As eleições presidenciais de 2026 começam a se desenhar como mais um capítulo decisivo da disputa pelo futuro da democracia brasileira.
No campo da direita, dois nomes despontam como possíveis adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
As pesquisas indicam que Lula venceria a ambos em um eventual segundo turno. Mas a política real recomenda cautela e leitura estratégica.
Não se pode menosprezar o peso do sobrenome Bolsonaro. Em política, símbolos importam.
“Bolsonaro” é um nome com enorme reconhecimento nacional, capaz de mobilizar afetos, ódios e fidelidades.
Flávio herda esse capital, independentemente de suas limitações políticas ou de sua baixa densidade programática. Não se deve ignorar essa força.
Uma candidatura Bolsonaro tende a reativar a polarização direta com Lula.
É um confronto conhecido, já enfrentado e vencido, mas nem por isso inofensivo.
O bolsonarismo explícito carrega rejeição elevada — o que explica os resultados das pesquisas —, mas mantém uma base social organizada e antipetista por natureza.
Tarcísio de Freitas surge como a outra aposta da direita. É uma candidatura simpática à Faria Lima, ao poder econômico.
Menos conhecido nacionalmente, tenta se apresentar como gestor técnico, distante dos arroubos autoritários do bolsonarismo padrão, apesar de ser um bolsonarista raiz. As pesquisas também o colocam em desvantagem frente a Lula, revelando seus limites de popularidade e de identificação simbólica com o trabalhador.
Ainda assim, Tarcísio encarna uma armadilha conhecida: a tentativa de normalizar o mesmo projeto neoliberal e conservador sob a linguagem da eficiência e da gestão.
Seu governo em São Paulo já demonstra que, por trás do discurso técnico, permanecem privatizações, repressão e alinhamento com interesses que se opõem ao projeto popular.
As pesquisas apontam vantagem de Lula, mas não autorizam acomodação.
A disputa de 2026 exigirá enfrentar tanto o sobrenome que mobiliza quanto a máscara que disfarça.
A democracia não se defende apenas com números, mas com consciência política, mobilização social e clareza sobre o que está em jogo.

Simão Zygband é jornalista, editor e articulista político, com atuação voltada à análise crítica da conjuntura brasileira, da democracia e das disputas de poder no país. É editor do site Construir Resistência

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