A virada socialista e o desafio da direita radical em Portugal

Por Camila Miranda Evangelista – Le Monde Diplomatique Brasil 

As eleições presidenciais de 2026 marcam uma mudança significativa na configuração política de Portugal. O segundo turno ocorrerá no dia 08 de fevereiro

Em Portugal, as eleições presidenciais de 2026 serão decididas no segundo turno entre Antônio José Seguro, do Partido Socialista (PS), e André Ventura, do Chega. A disputa já representa um cenário de mudança significativa na configuração política portuguesa, uma vez que o Partido Social Democrata (PSD) saiu derrotado, ficando em quinto lugar no primeiro turno, após duas décadas governando o país. O cenário abre caminho para o PS retornar à presidência depois de vinte anos ou, menos provável, para a ascensão da direita radical ao Palácio de Belém.

Antônio José Seguro (PS) obteve 35,5% dos votos no primeiro turno, realizado em dezoito de janeiro, largando com 16% na frente do segundo colocado. Contudo, ele começou a campanha eleitoral desacreditado pelas pesquisas. Em sondagem do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS) divulgada no dia 27 de novembro de 2025, o candidato tinha apenas 10% das intenções de voto e aparecia em quarto lugar. O apoio declarado de líderes do PS na reta final e o apelo para que portugueses e portuguesas fossem às urnas – em um contexto em que o voto não é obrigatório – fizeram a diferença e garantiram o primeiro lugar à Seguro. Porém, resta saber se, daqui pra frente, a posição adotada pelos candidatos derrotados e seus partidos vão somar, ou podem diminuir a vantagem do socialista. O Primeiro Ministro, Luís Montenegro (PSD), por exemplo, de imediato, declarou que não apoiará ninguém na segunda volta.

André Ventura (Chega), que garantiu o segundo lugar no primeiro turno, com 19,5% dos votos, teve um percurso diferente. O candidato figurou durante praticamente toda a campanha entre os três primeiros colocados nas sondagens. Na pesquisa do ICS mencionada acima e noticiada no dia 27 de novembro de 2025, Ventura aparecia empatado em primeiro lugar, com 18% das intenções de voto – pouco menos do que o resultado final. Com uma direita dividida e uma parcela dos eleitores tendendo ao discurso extremista, a candidatura de Ventura barrou da disputa final concorrentes dados como certos no segundo turno, como Henrique Gouvêa e Melo (sem partido) e Luís Marques Mendes (PSD). O desafio do líder da direita radical portuguesa agora é angariar apoio para vencer na segunda volta.

Em síntese, as eleições presidenciais de 2026 marcam uma mudança significativa na configuração política de Portugal, encerrando duas décadas de domínio do PSD e polarizando a disputa entre o Partido Socialista e a direita radical. Com o segundo turno agendado para oito de fevereiro, o cenário permanece incerto: a vitória dependerá da capacidade de Antônio José Seguro em manter sua vantagem ou de André Ventura em alcançar novos apoios para superar o isolamento político.

Camila Miranda Evangelista é doutoranda em Ciências Sociais pela PUC-Rio/ CES-UC.

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