Por Simão Zygband
No artigo reproduzido pelo Construir Resistência em 7 de maio, de autoria do jornalista gaúcho Moisés Mendes. o autor alertava:
“Se reeleito, Lula governa até o fim de 2030, enquanto Donald Trump, salvo um golpe, deixa a Casa Branca em janeiro de 2029”.
Trump jamais aceitaria, segundo Moisés Mendes, a fama de ter sido apenas um “amiguinho” de Lula e o lobo, enfim, despiu sua pele de cordeiro e arreganhou os dentes para as eleições presidenciais brasileira.
Donald Trump é um político ardiloso e traiçoeiro por natureza. É o típico jogador e dono de cassino, que o tornou um homem poderoso e rico.
Suas alianças são moldadas pelo pragmatismo agressivo do “América Primeiro”.
Confiar em suas supostas boas intenções é um erro estratégico.
O plano da extrema-direita global liderada por Washington não é esperar o fim do mandato, mas sim sufocar a esquerda e intervir na nossa soberania nacional.
Há uma pressão crescente para que o presidente Lula morda a isca e embarque no jogo sujo de classificar facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Embora o combate ao crime organizado seja urgente, essa mudança de nomenclatura esconde uma armadilha perigosa desenhada para explodir nas urnas em outubro.
Ao aceitar que os EUA classifiquem o crime organizado como “terrorismo”, o Brasil abre um espaço político.
Sob o pretexto de combater o terror global no que considera seu “quintal”, Washington ganharia uma justificativa técnica para propor intervenções na soberania nacional.
Essa narrativa de um “Estado conivente com o terror” será amplificada pela máquina de propaganda internacional para desestabilizar o governo e inflar candidaturas de oposição alinhadas ao trumpismo.
A pauta da segurança pública vira, assim, um cavalo de Troia eleitoral.
Usar esse pretexto para abrir as portas para a interferência norte-americana no debate político seria uma ingenuidade fatal.
O discurso do medo construído fora do país visa manipular o eleitorado brasileiro e ditar os rumos do pleito.
Lula deve agir com máxima cautela e pragmatismo defensivo.
O Brasil precisa resolver seus problemas de segurança com inteligência e soberania, sem fornecer pretextos para o expansionismo de um líder pouco confiável como Trump.
Na dança geopolítica com Washington, o sorriso do lobo do norte busca, na verdade, mudar os rumos das nossas eleições.

Simão Zygband é jornalista, analista político e editor do portal Construir Resistência
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