Por Simão Zygband
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ganhou um apelido que dificilmente conseguirá se livrar: o Rei dos Pedágios.
Certamente será o governador do Estado que vai se notabilizar por enfiar a mão no bolso do cidadão que utiliza as rodovias estaduais.
Não bastasse realizar um governo medíocre, truculento, arrecadador, que vendeu a Sabesp, privatizou escolas públicas e possui uma polícia assassina, agora esta cria de Jair Bolsonaro, que caiu de paraquedas no comando de São Paulo, quer implantar um ponto de pedágio a cada 14 quilometros nas estradas estaduais.
Justo ele que esfrega as mãos ao ver seu líder, de tornozeleira, cumprindo pena de prisão domiciliar e a quem está louco para substituir na corrida presidencial.
Mas Tarcísio parece mesmo que prefere ganhar dinheiro às custas dos paulistas que o elegeram. E afunda em uma gestão catastrófica, que só pensa em arrecadar
Porisso, já existe representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE), impetrada pelo então deputado estadual Simão Pedro (PT), em coautoria com 59 vereadores e vereadoras de vários municípios e da Capital, para tentar barrar a sanha arrecadadora do governador.
Tarcísio e seus amigos concessionários das rodovias querem implantar (pasmem) mais de 100 pedágios em todo o estado de São Paulo. Será em estradas do litoral, Interior e até as próximas da Capital.
“O Governo do Estado de São Paulo tem promovido, de forma acelerada e com baixa transparência, a ampliação da malha rodoviária concedida à iniciativa privada. Estima-se a instalação de mais de 150 novas praças de pedágio em diversas regiões, muitas delas com uso do modelo de cobrança por sistema automatizado (“free flow”) e o modelo tradicional de praça de pedágio com cobrança manual/presencial, o que significa mais de 300 novos pontos de cobrança, já que em sua totalidade, será cobrado na ida e na volta” ressaltou Simão Pedro.
Free Flow
Para piorar, o modelo de pedágio que Tarcisio está implantando é o Free Flow, um sistema apresentado como moderno e eficiente, sem cabine e cancelas ou qualquer contato humano, que dificulta e confunde a cobrança.
O Free Flow funciona por sensores e câmeras que registram automaticamente a placa do veículo ao passar sob o pórtico.
Se o motorista não tiver um dispositivo de cobrança automática (TAG) ou não pagar manualmente em até 15 dias, recebe uma multa de R$ 195,23 e 5 pontos na CNH.
Para quem usa o carro todos os dias para trabalhar, como motoristas de aplicativo, entregadores, representantes comerciais ou trabalhadores que se deslocam entre cidades, a conta pode sair caríssima, ainda mais quando falta clareza sobre onde e quando a cobrança está acontecendo.
É um pedágio que o motorista não vê, mas que vê o motorista. Quem se distrai ou não conhece o sistema, acaba penalizado com juros, multa e pontos na carteira.
Instalação em massa, sem diálogo
O governo Tarcísio já iniciou a instalação do Free Flow em várias rodovias estaduais, com planos de expandir para todo o estado.
O sistema free flow favorece as concessionárias e pune quem mais precisa da estrada para sobreviver.
É injusto, excludente e antissocial.
Resistência nas estradas: #MaisPedágioNão
Diante desse cenário, movimentos sociais têm se articulado para barrar o avanço desse modelo abusivo. Um dos principais exemplos é o #MaisPedágioNão, movimento que vem denunciando a expansão dos pedágios automáticos e o impacto direto na vida dos trabalhadores.
No último final de semana, manifestantes fecharam a rodovia Fernão Dias. no sentido da Capital, para protestar contra a implantação de dezenas de pórticos de free flow na estrada e foram reprimidos pela tropa de choque com disparo de gás lacrimogêneo.
É o estilo Tarcísio de governar. Esfolando o povo com muita violência e sem nenhuma transparência.

Simão Zygband é jornalista veterano e editor do site Construir Resistência

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Respostas de 2
Mais uma vez uma proposta que só atende ao interesse das concessionárias. Não é preciso investir em praças de pedágio e nem contratar mais funcionários, mas, o lucro está garantido. O sistema free flow pode parecer interessante por evitar filas, porém, colocar em prática sem uma estrutura de comunicação com usuários, sem esclarecer como funciona a cobrança, fica evidente o único objetivo de arrecadação.
Concordo plenamente, Eduardo Pacheco. Forte abraço