Por Moisés Mendes
Alexandre de Moraes tomou posse em 22 de março de 2017. No dia 21 de outubro de 2018, um domingo, a uma semana do segundo turno que disputaria contra Fernando Haddad, Bolsonaro disse em mensagem por vídeo a eleitores que se aglomeravam na Avenida Paulista:
“Pretalhada, vai tudo vocês para a ponta da praia. Vocês não terão mais vez em nossa pátria”.
A ponta da praia era uma referência à área militar da Restinga de Marambaia, na Barra de Guaratiba, no Rio, onde torturadores interrogavam e matavam perseguidos políticos na ditadura.
Nessa segunda-feira, 4 de agosto, Alexandre de Moraes determinou que Bolsonaro fique em prisão domiciliar como golpista que desafia as instituições, por ter dito o seguinte em mensagem de áudio que o filho Flavio reproduziu pelo sistema de alto-falantes a uma aglomeração no Rio:
“Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos, é pela nossa liberdade. Estamos juntos”.
Flávio Bolsonaro publicou uma mensagem em nome do pai, mas apagou logo em seguida. Foto: Divulgação
Lá em 2018, Bolsonaro era o fascista poderoso a caminho da vitória no segundo turno. Avisava que poderia matar os inimigos e nada foi feito contra ele. Não havia o que fazer.
Hoje, Bolsonaro é, na definição de Moraes, o chefe de uma organização criminosa miliciana a caminho da cadeia. Por isso passou a ficar preso em casa, porque é um traste até para a direita.
Vamos relembrar a íntegra do que ele disse na mensagem de 2018, quando desejou que Lula apodrecesse na prisão:
“Não tem preço as imagens que vejo agora da Paulista e de todo o meu querido Brasil. Perderam ontem, perderam em 2016 e vão perder a semana que vem de novo.
Só que a faxina agora será muito mais ampla. Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão pra fora ou vão para a cadeia.
Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria. Aqui não terá mais lugar para a corrupção. E seu Lula da Silva, se você estava esperando o Haddad ser presidente para soltar o decreto de indulto, eu vou te dizer uma coisa: você vai apodrecer na cadeia.
E brevemente você terá Lindbergh Farias (então senador do PT e hoje deputado) para jogar dominó no xadrez. Aguarde, o Haddad vai chegar aí também.
Mas não será para visitá-lo, não, será para ficar alguns anos ao teu lado. Já que vocês se amam tanto, vocês vão apodrecer na cadeia. Porque lugar de bandido que rouba o povo é atrás das grades.
Pretalhada, vai tudo vocês para a ponta da praia. Vocês não terão mais vez em nossa pátria. Vocês não terão mais ONGs para saciar a fome de mortadela de vocês.
Será uma limpeza nunca vista na história do Brasil. E seu Lula da Silva, se você estava esperando o Haddad ser presidente para soltar o decreto de indulto, eu vou te dizer uma coisa: você vai apodrecer na cadeia”.
Hoje, Bolsonaro é um sujeito em adiantado estágio de putrefação política, antes mesmo de ser preso, e que pede anistia para poder apodrecer por completo em casa em prisão domiciliar.

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/










