Banco Master era o caixa 2 do bolsonarismo

Por Simão Zygband 

“É fundamental desbaratar esta quadrilha que financia as redes de desinformação e sustenta o avanço do fascismo no país”.

As relações espúrias e o tratamento de “broderagem” entre o pré-candidato à presidência da República,  Flávio Bolsonaro e o gestor do Banco Master, Daniel Vorcaro são a ponta do iceberg do maior crime financeiro realizado pela extrema-direita no Brasil.

O crescimento vertiginoso do banco, inflado artificialmente sob a batuta de Daniel Vorcaro, expõe as entranhas de um sistema financeiro moldado para servir a propósitos políticos escusos durante os anos mais sombrios da República, sob a névoa bolsonarista.

A ascensão da instituição certamente não ocorreu por competência de mercado, mas através de uma engrenagem de omissão coordenada e blindagem regulatória operada por Roberto Campos Neto no Banco Central.

A gestão de Campos Neto atuou como correia de transmissão dos interesses do bolsonarismo, ao validar a transferência de controle do antigo Banco Máxima para Vorcaro, ignorando todo tipo de alertas técnicos.

Essa conivência permitiu que o banco captasse recursos agressivamente por meio de manobras contábeis e emissões arriscadas de CDBs, enquanto ex-diretores da própria autarquia operavam nos bastidores como consultores informais do esquema.

Ao adiar intervenções necessárias e empurrar uma crise bilionária para a gestão seguinte, a cúpula do Banco Central garantiu tempo e oxigênio financeiro para que a instituição se consolidasse. Era nele que o bolsonarismo mamava para praticar seus ilícitos.

Paralelamente à leniência regulatória, Daniel Vorcaro teceu uma teia de influência que se estendeu do Palácio do Planalto ao coração do Congresso Nacional, transformando o Banco Master em um verdadeiro balcão de negócios para a extrema-direita e o Centrão.

Áudios e mensagens interceptados pela Polícia Federal desnudaram a intimidade do banqueiro com figuras centrais do ecossistema bolsonarista, incluindo negociações diretas de repasses milionários com o senador Flávio Bolsonaro e o financiamento de campanhas por meio de laranjas e familiares.

Essa infiltração política permitiu ao banco moldar e alterar projetos de lei em tramitação, capturando mercados estratégicos como os setores de energia e créditos de carbono.

O pragmatismo de Vorcaro, que também envolveu caciques políticos como Ciro Nogueira, serviu para garantir uma blindagem multipartidária que atrasou investigações criminais.

É fundamental desbaratar esta quadrilha que financia as redes de desinformação e sustenta o avanço do fascismo no país.

Legenda da foto: Campos Neto, Bolsonaro e Daniel Vorcaro, Foto: Marcos Oliveira – Agência Senado e reprodução de redes sociais

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