Por Júlio Benchimol Pinto
O Brasil acaba de assistir ao acordão de fim de ano: um pacto silencioso que, por milagre, agradou todo mundo – menos a democracia.
Hugo Motta apareceu ao vivo e detonou a bomba: cassação de Zambelli e Glauber amanhã, Ramagem na semana que vem e perda do mandato de Eduardo Bolsonaro declarada pela Mesa. Sem aviso ao governo. Sem coreografia. Sem anestesia.
Ao mesmo tempo, o relatório da dosimetria reduz o tempo de regime fechado de Bolsonaro de 6 anos e poucos para 2 anos e uns trocados.
O golpe virou infração administrativa de baixo impacto. O crime ficou barato. E a política ficou confortável.
No fim do dia, cada setor ganhou seu presente de Natal:
• O Centrão ganha protagonismo e a chance de reescrever a direita sem os radicais inconvenientes.
• O bolsonarismo ganha a liberdade do pai – miniaturado, mas útil.
• O governo ganha o quê? Surpresa no noticiário e a função ingrata de explicar que não foi avisado.
• O sistema inteiro ganha paz: a promessa de 2026 sem incêndio golpista.
É um acordo tão perfeito que quase parece ficção: o mito vira réu leve, os radicais caem, o Congresso mostra quem manda, o STF respira e o país finge que o 8 de janeiro foi só um excesso de entusiasmo cívico.
Chamam isso de “pacificação”. Eu chamo de anistia disfarçada com cheiro de institucionalidade e gosto de conveniência política.
O Brasil não está fechando o ano – está fechando um ciclo. E, pelo visto, o preço do golpe entrou na liquidação de dezembro.











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Os interesses acima de tudo, e o Brasil que se dane. O povo que se lasque , esse é o Pais do futuro