Por Júlio Benchimol Pinto 

Um país que corta sinal da TV Câmara na hora de retirar um deputado da cadeira da Presidência sabe exatamente o que está fazendo: não quer testemunhas.

O Brasil acordou hoje com um recado duro: até um golpe de Estado agora tem “tabela de desconto”.

A Câmara aprovou, em meio a empurrões, agressões à imprensa e corte de sinal da TV Câmara, o PL da Dosimetria – 291 votos a 148 – um projeto que não fala em anistia, mas opera como anistia.

O texto recalibra as penas dos condenados pelo 8 de janeiro e, na prática, derruba o regime fechado de Bolsonaro para algo em torno de 2 anos e 4 meses, dentro de uma pena total rebaixada para cerca de 13 anos.

É a mágica legislativa: o crime continua grave, mas a punição evapora.

E tudo isso embalado num acordão relâmpago de fim de ano, conduzido por Hugo Motta, que inclui:

• voto secreto para reduzir pena de golpista;

• cassações aceleradas de Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Glauber Braga;

• governo pego de surpresa;

• imprensa sendo retirada à força do plenário para ninguém ver o que estava acontecendo.

Um país que corta sinal da TV Câmara na hora de retirar um deputado da cadeira da Presidência sabe exatamente o que está fazendo: não quer testemunhas.

A pergunta que fica é simples: se o sistema precisa agir na madrugada, expulsar jornalistas e reescrever a punição de um golpe, que democracia ele acha que está defendendo?

O Brasil não amanheceu pacificado.

Acordou avisado.

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