É possível separar esporte de política?

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Por José Marcos Thalenberg

 

No meu caso, depende do momento. Torci (e sofri) demais pela maravilhosa seleção de Telê Santana em 1982, ainda sob a ditadura. Não votei em FHC, mas torci demais também pela seleção campeã de 2002. Minha paixão pelo futebol e pela seleção foi maior do que possíveis capitalizações pelo general de plantão ou pelo dândi de Higienópolis.

Ontem, não deu. Nem assisti ao jogo. Sequer foi um protesto: foi desinteresse, cansaço, tristeza. Eu e família vamos bem de saúde e sustento, mas não consigo ficar só nisso. Desgostoso com este momento do país, entregue à sanha de um bando de celerados. Em 1982, tínhamos Sócrates e a esperança da redemocratização a caminho. Em 2002, vivíamos sob a égide da Constituição Cidadã de 1988, o SUS já despontava como filho pródigo desta Carta, um Brasil mais justo se insinuava nesta democracia imperfeita.

Hoje, temos Neymar e Bolsonaro. Não torci contra o Brasil ou a favor da Argentina, que fique claro. Após 530.000 mortos (e contando) e milhares de km quadrados devastados na Amazônia, cerrado e Pantanal (e contando), só espero que a justiça terrena tarde, mas não falhe. Guardo minhas energias para este embate entre civilização e barbárie, a mãe de todas as batalhas. E tenho certeza que voltarei a torcer pela amarelinha, como sempre torci.

José Marcos Thalenberg é médico e doutor em Saúde Pública

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