Bolsohilários, comédia e desespero

Por Luiz Hespanha

O fim de festa do governo Bolsonaro mistura comédia e desespero. Para quem passou quatro anos sem fazer nada, mas apenas destruindo, é hilário constatar o vazio que tomou conta das hostes bolsonaristas Planalto adentro, Brasil afora.

Dos medíocres célebres aos anônimos medíocres, o que se vê é um festival de sandices dignas de um pastelão com um roteiro que seria recusado de pronto pela Carreata Furacão ou pelo dono do Gran Circo Mr. Yozzo que ora se apresenta em Itabirimboca da Serra.
Fico a imaginar a companhia estimuladora da governanta das inquietudes noturnas, a D. Insônia, apavorando as noites do Jair que sabe que está chegando a hora de já ir embora.

E como estarão a pulsação e a fé da serva do Senhor (seu marido), a inoxidável Michele Ajudadora? Ligar para quem agora e se comunicar via glossolalia com quem? Damares, Regina Duarte, Cássia Kis?
Imagino-me uma muriçoca dentro do Planalto ou dentro do Alvorada? Que cenas veria? Limpar de armários e gavetas ou destilação de ódio? Ódio silencioso ou muitos decibéis acima? Teria Deus os abandonado? A maioria da Pátria fez isso através do voto. E a família? Se mantém unida ou fodida?
Além da ligação fraternal e eterna que mantém com as fake news, como estarão os cérebros do Zero Zero e dos demais zeros da família? Continuam aqui ou já sonham com algum lugar seguro nos Emirados Árabes? Será que os garçons ainda servem com garbo e gentileza comedidas? E os motoristas (inclusive o Piquet), seguranças, o pessoal da limpeza? E o povo do Cercadinho, aquela claque disposta a tudo, continua a postos e disposta? Cantarão alguma canção do Gustavo Lima, aprenderão a dizer adeus com o Leonardo?
O que se nota nas caras dos canastrões principais é desespero contido, mas visivelmente explosivo. Pense em Carluxo com uma pistola numa mão e um pirulito na boca, perdido entre teclas de um notebook que ganhou de alguém do serviço secreto israelense. Imagine Dudu Bananinha entre hamburguers e clamando: “Bannon, o que aconteceu, onde estás que não respondes”? E o Flávio? Estaria perdido numa floresta de plantas de imóveis? E o Jair Renan? Foi convidado para alguma festa desde o dia 30?
Do lado de fora o que se assiste, ainda que com algum perigo, é também puro pastelão. Onde estão as tropas de pijama do estrategista de Cité Soleil, o Heleno do Haiti? E o Braga Neto? E o topete amedrontador do General Paulo Sérgio? O que é que o reconhecimento nacional e internacional do Lula fez com a coragem golpista dessa gente?
Quem (esquece o Bob Jeff e a Zambelli) poderá nos salvar? A oração e o hino nacional para N.S. do Pneu Pentecostal? O patriota da cabine e sua coerência quilômetros a fora, digo do lado de fora? Ou será que a energia de ficar pendurado na frente de caminhão virou terapia entre órfãos, noivas e viúvas de Bolsonaro.

Até o bolsominion empreendedor que alugava genuflexórios modelos luxo, executivo, agro e básico em frente a quartéis do Exército tirou seu time de campo? E o Super Rodoviário Federal, o Silvaney, que pode virar estrela da minissérie “Processo e Cela”, perdeu seus poderes? E ainda tem a morte do Guilherme de Pádua, que pode ser o prenúncio de uma maldição que pode se abater sobre os terraplanista do mundo paralelo daqui até 31 de dezembro.
Restam uma dúvida e uma certeza. Comecemos pela dúvida: é possível ser imbecil enganando a si mesmo por algum tempo achando que é possível continuar sendo imbecil e ainda conseguir aumentar a legião de imbecis durante todo tempo? Terminemos com a certeza: finalmente esse país voltará a ser conduzido por um líder de verdade, que tem compromisso e prática com a inclusão social. Que alívio!

Luiz Hespanha é jornalista e compositor de música popular (#CançõesDeAmorDelírioTesãoInquietudeLutaDeClasseEÓcio), autor do “Livro das Verdades Inúteis” e de “Breve Memórias da Terra-do-já-teve” (amazon.com.br). Corintiano de corpo, alma e asas sonha, não com o hexa, mas com o tri mundial e com a invasão de Miami pelos sertanojos de Goiás e alhures.

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