Construir Resistência

9 de novembro de 2022

Morre Rolando Boldrin, ator que canta, declama poesias e conta histórias

Da Redação O cantor, compositor e ator Rolando Boldrin morreu na tarde desta quarta-feira (9), em São Paulo. O artista estava internado no Hospital Albert Einstein havia 2 meses. O artista morreu devido a uma insuficiência respiratória e renal. Ator de filmes premiados e de novelas acompanhadas no Brasil inteiro e até no exterior, tornou-se compositor e grande contador de causos. “Sou fundamentalmente um ator, esse tem sido meu trabalho a vida inteira; radioator, ator de novela, de teatro, de cinema, um ator que canta, declama poesias e conta histórias”, dizia Boldrin. No cinema estreou com o filme “Doramundo” (1978), de João Batista de Andrade, seguido de “O Tronco” (1999), do mesmo diretor, e fez o “O Filme da Minha Vida” (2017), de Selton Mello. Atuou em dezenas de novelas, entre elas “O Direito de Nascer”, “Roda de Fogo”, “Cara a Cara” e “Os Imigrantes”. Atualmente apresentava o programa Sr.Brasil, na TV Cultura, mas já esteve à frente do “Estação Brasil”, “Empório Brasil”, “Empório Brasileiro” e “Som Brasil”. Jornada extraordinária  “Mestre tão amado que partiu fora do combinado. Rolando Boldrin, um brasileiro da importância de Mário de Andrade, Câmara Cascudo, Villa Lobos, Inezita Barroso. A impressão que fica é que estamos saindo de uma trilha no meio da floresta, depois de uma poderosa caminhada, e agora deparamos com um descampado, o vazio. Os segredos e desafios de nossa terra estão ainda mais escondidos em sua profundidade. Que tenhamos coragem e força para seguirmos buscando luz no Brasil que amamos e acreditamos. Agradecido, mestre e amigo, pela beleza e exemplo, por todos os caminhos oferecidos em sua jornada extraordinária”. Paulo Freire – violonista e contador de causos         

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Um jovem, um tiro de fuzil e uma reflexão

Por José Paulo Barbosa   “A guerra é a continuação da política por outros meios” Clausewitz   Meu sobrinho Luiz de 21 anos foi assassinado no morro do José Menino em Santos. Ele era o filho mais velho da Cláudia, minha irmã. Ele faleceu em consequência de um tiro de fuzil dado pela polícia e se não tivesse morrido, teria ficado paraplégico, pois a bala destruiu a medula. Essa tragédia familiar e o luto pela perda de alguém tão jovem, traz-me lembranças dolorosas e reflexões que compartilho com vocês. Eu nasci no mesmo lugar e tinha o mesmo ambiente social de pobreza e desagregação familiar. Eu, como ele, fui discriminado pela minha condição social. A diferença é que tive oportunidades e as aproveitei. As oportunidades surgiram por ser branco (ele era pardo), por ter estudado (ele só fez o ensino fundamental), fui o primeiro da família a chegar à faculdade, meu pai era analfabeto e minha mãe estudou até o quarto ano do antigo “primário”. Acho que cometi menos erros nas minhas decisões pessoais do que meu sobrinho, mas sem dúvidas, tive muito mais oportunidades! A minha origem e a minha consciência de classe fez-me entender que é preciso mudar a sociedade. Compreendi muito cedo que a atuação política é o único jeito de reduzir as desigualdades e aumentar as oportunidades. Ter uma militância política é uma opção de vida e não um meio de vida. Na quebrada (nas periferias), a vida não tem valor e mais uma vez, jovens morreram em uma “troca de tiros”, onde só um lado levou tiros e não foi preservado o local dos acontecimentos. Por ironia do universo, nessa semana, o assassino que matou com facadas no coração a jovem atriz Daniela Perez, morreu de ataque cardíaco! Espero que as mudanças políticas que virão, ataquem o coração das injustiças da nossa sociedade, a desigualdade e a falta de oportunidades. Há um ditado popular que diz: “a diferença entre a guerra e a paz, é que na paz os filhos enterram seus pais e na guerra os pais enterram seus filhos”. Ao ver minha irmã enterrando seu filho a conclusão é óbvia: Estamos em guerra! E nessa sociedade em guerra, se pudesse dar algum conselho aos jovens da classe trabalhadora e pobres, a partir da minha experiência, eu diria: Lutemos por uma sociedade mais igualitária e com mais oportunidades! Tenham consciência de classe e valorizem suas origens. A ação coletiva e cooperada é poderosa! Aproveitem as oportunidades e estudem, o conhecimento é uma das poucas armas que podemos usar, pacificamente, para romper o ciclo de injustiça, exclusão e pobreza. Tomem decisões de auto-preservação e aprendam a dizer não, a tudo que for injusto, antiético ou fazer mal ao seu semelhante. Sejam mestres do próprio destino!  Mudar o destino é a tarefa de todos nós! José Paulo Barbosa é professor, escritor e militante de causas sociais e ambientais

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A impensável morte de Gal Costa

Da Quem Hoje o mundo da música toca um acorde de tristeza. Gal Costa morreu aos 77 anos, vítima de um infarto. Ela também tratava da saúde após a retirada de um nódulo na fossa nasal, que a fez adiar sua atual turnê. Ícone da MPB, Gal Costa surgiu na cena nacional na década de 60 e revolucionou a cultura brasileira ao lado de outros grandes nomes. Baiana, se aproximou ainda adolescente de Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, com quem integraria o grupo conhecido como Doces Bárbaros, responsável mais tarde por um disco definidor da década de 1970. Com discos grandiosos, uma voz atemporal e presença até hoje nos principais festivais, como referência aos jovens e aos mais velhos, Gal marcou a história do Brasil. E hoje nos deixa com o legado da voz, da arte e da alma. Desejamos à família, aos amigos e fãs muita força e luz nesse momento difícil em que o Brasil perde uma figura gloriosa. Para sempre, Viva Gal ✨️❤️

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A Ucrânia é aqui

Por Simão Zygband    Mal dormi esta noite depois de ver algumas cenas ( que estão acima) que o meu amigo jornalista Sérgio Leopoldo me passou por whatszapp. Nelas constam um grupo de homens mal encarados marchando supostamente na cidade de Joinville, no estado de Santa Catarina, como se pertencessem ao Exército de Adolf Hitler ou ao batalhão Azov, da Ucrânia, um regimento composto basicamente por nazifascistas. Confesso que tomei um susto e tive uma noite de pesadelos. Lembrei do meu pai, Israel Zygband, um polonês sobrevivente do nazismo, e este karma mal curado dentro de mim me causou um tremendo horror. Teriam sido estas imagens gravadas mesmo dentro do território brasileiro, naquela terra de um povo pacífico e ordeiro, povoada por palmeiras, onde canta o sabiá, como disse na Canção do Exílio o poeta Gonçalves Dias? Há exatos 10 dias da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o extremista Jair Bolsonaro, me causa grande preocupação todos os desafios que o futuro ex-presidente terá que enfrentar. Sempre se procurou alertar os judeus, negros, LGBTQIA+ e outras minorias e maiorias, que o apoio ao (des)governo repudiado nas urnas em 30 de outubro era dar carta branca aos nazistas. Muitos achavam que havia exagero nesta abordagem. Mas este problema, a proliferação de nazistas, com certeza, terá que ser encarado de frente, sem recuos ou titubeios. Por sorte, a maioria dos que poderiam se tornar vítimas  entendeu a gravidade do momento que era dar mais quatro anos de mandato para o psicótico capitão, o responsável por todos estes atos de intolerância e o repudiaram nas urnas. Os extremistas bolsonaristas não reconhecem a derrota que a maioria do povo brasileiro lhes impôs e aparentemente querem se vingar. E os sintomas do nazismo não se limitam a um estado conservador como Santa Catarina onde, é verdade, ocorreram os principais episódios de ódio e intolerância. Eles estão pipocando por todos os cantos do país, com desafios a policiais e Judiciário. Isso quando não há a própria conivência deles. Na cidade de Casca, no Rio Grande do Sul, os bolsonaristas espalharam mensagens nas redes sociais e em grupos de WhatsApp pedindo que comerciantes locais que tivessem votado no Lula colocassem adesivos com a estrela vermelha do PT na frente de seus estabelecimentos, para serem identificados pelos consumidores, que deveriam então evitar comprar daqueles que não haviam votado no capitão extremista. A prática é parecida com o nazismo ocorrido na Alemanha, que obrigou comerciantes judeus a colocar a estrela de Davi em suas instalações. É um boicote econômico sujo. Também em São Paulo, os atos extremistas não ficam atrás do que ocorre no sul do país. A Repórter Vanessa Martins Silva, do Diálogos do Sul, faz uma grave denúncia contra a prefeitura e a Polícia Militar da cidade de Jundiaí (a pouco mais de 50 quilômetros da capital paulista), as acusando de conivência, onde manifestantes derrotados permanecem acampados e fazendo arruaça diante do quartel do Exército, desde o término das eleições, mesmo elas já tendo sido dissolvidas em muitos locais. Também causou indignação o vídeo em que manifestantes bolsonaristas cantam o Hino Nacional com os braços erguidos em posição semelhante à saudação nazista em São Miguel do Oeste, Santa Catarina, durante manifestações antidemocráticas ocorridas no dia 2. A cena foi repudiada pelo embaixador da Alemanha no Brasil, embaixada de Israel, Museu do Holocausto e Confederação Israelita no Brasil (Conib) que condenaram o ato e reforçaram a necessidade de que se tomem providências contra as atitudes nazistas. O mais grave é que tanto o Ministério Público catarinenese, como o governador daquele estado, Carlos Moisés da Silva, e o eleito, Jorginho Mello, não viram nada demais nos nazifascistas fazerem saudações nazistas. Há denúncias que empresários financiam os atos anti-democráticos contra o presidente eleito, Luiz Inácio Lulada Silva, dando-lhes recursos e logística. Há também cenas intrigantes de caminhão do Exército (pode ser fake) descarregando pneus para que os manifestantes fizessem barricadas ou policiais apoiando os atos fascistas, tratando os intolerantes na maior camaradagem. Lula deverá ter um trabalho imenso para combater o nazismo que proliferou como uma metástase cancerosa pelo tecido social brasileiro. Precisará do apoio de toda a sociedade. É urgente extirpá-lo      

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Bolsohilários, comédia e desespero

Por Luiz Hespanha O fim de festa do governo Bolsonaro mistura comédia e desespero. Para quem passou quatro anos sem fazer nada, mas apenas destruindo, é hilário constatar o vazio que tomou conta das hostes bolsonaristas Planalto adentro, Brasil afora. Dos medíocres célebres aos anônimos medíocres, o que se vê é um festival de sandices dignas de um pastelão com um roteiro que seria recusado de pronto pela Carreata Furacão ou pelo dono do Gran Circo Mr. Yozzo que ora se apresenta em Itabirimboca da Serra. Fico a imaginar a companhia estimuladora da governanta das inquietudes noturnas, a D. Insônia, apavorando as noites do Jair que sabe que está chegando a hora de já ir embora. E como estarão a pulsação e a fé da serva do Senhor (seu marido), a inoxidável Michele Ajudadora? Ligar para quem agora e se comunicar via glossolalia com quem? Damares, Regina Duarte, Cássia Kis? Imagino-me uma muriçoca dentro do Planalto ou dentro do Alvorada? Que cenas veria? Limpar de armários e gavetas ou destilação de ódio? Ódio silencioso ou muitos decibéis acima? Teria Deus os abandonado? A maioria da Pátria fez isso através do voto. E a família? Se mantém unida ou fodida? Além da ligação fraternal e eterna que mantém com as fake news, como estarão os cérebros do Zero Zero e dos demais zeros da família? Continuam aqui ou já sonham com algum lugar seguro nos Emirados Árabes? Será que os garçons ainda servem com garbo e gentileza comedidas? E os motoristas (inclusive o Piquet), seguranças, o pessoal da limpeza? E o povo do Cercadinho, aquela claque disposta a tudo, continua a postos e disposta? Cantarão alguma canção do Gustavo Lima, aprenderão a dizer adeus com o Leonardo? O que se nota nas caras dos canastrões principais é desespero contido, mas visivelmente explosivo. Pense em Carluxo com uma pistola numa mão e um pirulito na boca, perdido entre teclas de um notebook que ganhou de alguém do serviço secreto israelense. Imagine Dudu Bananinha entre hamburguers e clamando: “Bannon, o que aconteceu, onde estás que não respondes”? E o Flávio? Estaria perdido numa floresta de plantas de imóveis? E o Jair Renan? Foi convidado para alguma festa desde o dia 30? Do lado de fora o que se assiste, ainda que com algum perigo, é também puro pastelão. Onde estão as tropas de pijama do estrategista de Cité Soleil, o Heleno do Haiti? E o Braga Neto? E o topete amedrontador do General Paulo Sérgio? O que é que o reconhecimento nacional e internacional do Lula fez com a coragem golpista dessa gente? Quem (esquece o Bob Jeff e a Zambelli) poderá nos salvar? A oração e o hino nacional para N.S. do Pneu Pentecostal? O patriota da cabine e sua coerência quilômetros a fora, digo do lado de fora? Ou será que a energia de ficar pendurado na frente de caminhão virou terapia entre órfãos, noivas e viúvas de Bolsonaro. Até o bolsominion empreendedor que alugava genuflexórios modelos luxo, executivo, agro e básico em frente a quartéis do Exército tirou seu time de campo? E o Super Rodoviário Federal, o Silvaney, que pode virar estrela da minissérie “Processo e Cela”, perdeu seus poderes? E ainda tem a morte do Guilherme de Pádua, que pode ser o prenúncio de uma maldição que pode se abater sobre os terraplanista do mundo paralelo daqui até 31 de dezembro. Restam uma dúvida e uma certeza. Comecemos pela dúvida: é possível ser imbecil enganando a si mesmo por algum tempo achando que é possível continuar sendo imbecil e ainda conseguir aumentar a legião de imbecis durante todo tempo? Terminemos com a certeza: finalmente esse país voltará a ser conduzido por um líder de verdade, que tem compromisso e prática com a inclusão social. Que alívio! Luiz Hespanha é jornalista e compositor de música popular (#CançõesDeAmorDelírioTesãoInquietudeLutaDeClasseEÓcio), autor do “Livro das Verdades Inúteis” e de “Breve Memórias da Terra-do-já-teve” (amazon.com.br). Corintiano de corpo, alma e asas sonha, não com o hexa, mas com o tri mundial e com a invasão de Miami pelos sertanojos de Goiás e alhures.

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