René Ruschel
O Brasil vive a antessala de uma nova crise política. Alimentada a golpes de fake news, terrorismo verbal e da velha máquina de difamação digital, que tem no WhatsApp e nos resquícios do infame gabinete do ódio os seus instrumentos mais eficazes, a oposição prepara o terreno para o caos. Não há projeto de país, há apenas o desejo insaciável de derrubar, deslegitimar, destruir.
No epicentro da crise, um Congresso Nacional que talvez nunca tenha sido tão fraco, tão medíocre, tão submisso a interesses mesquinhos. É um parlamento desfigurado, que abriga não representantes do povo, mas uma fauna exótica composta por ex-policiais, militares saudosos da farda, pastores travestidos de legisladores e os velhos capitães do mato do capital, todos, sem exceção, mais interessados em fatias do orçamento do que no bem-estar da população.
Não se governa com base fisiológica. Lula, eleito por uma frente ampla para impedir o retrocesso autoritário, viu-se obrigado a montar um ministério de convivência forçada, quase um zoológico político. Ninguém de bom senso acreditava que essa base sustentaria o governo com coerência ou compromisso republicano.
A fidelidade ali tem preço, endereço e CPF. O que move grande parte desses parlamentares é o apetite insaciável pelas verbas públicas travestidas de emendas.
Ontem foi o orçamento secreto de Lira a sustentar Bolsonaro; hoje são as emendas de bancada, distribuídas com o mesmo descontrole, sem critério, sem transparência, sem pudor.
O parlamento virou a casa da mãe Joana, sem comando e sem vergonha. Enquanto cobra austeridade do governo, aumenta o próprio número de deputados.
Enquanto diz defender o contribuinte, sabota medidas sociais. Enquanto posa de guardião da democracia, conspira por dentro com setores que jamais aceitaram o resultado das urnas.
Mesmo cercado por uma base volúvel e um Congresso sabotador, o governo conseguiu avançar. A economia deu sinais claros de recuperação, o desemprego recuou, a renda real cresceu e o Brasil retomou seu protagonismo internacional. Evidente que ainda há enormes desafios pela frente e ninguém sensato nega isso.
Mas o caminho é de reconstrução. O entrave, no entanto, está no parlamento. Uma engrenagem emperrada que, em vez de colaborar, se especializou em travar, distorcer e empurrar o país para trás.
A crise não é só política. É ética, institucional e moral. E talvez o pior dos nossos problemas hoje seja ter um Congresso tão pequeno, diante de um Brasil que precisa pensar grande.

René Ruschel é jornalista

APOIE O CONSTRUIR RESISTÊNCIA
Uma única vez, mais de uma. Qualquer contribuição ajuda a pagar as contas do site progressista.
Pix 11 911902628
em nome de Simão Zygband.
Ou no link logo abaixo também











