Da Redação, com informações da GGN


Você está disputando algum cargo no governo, no Supremo ou algum outro tribunal, em Ministério ou autarquias? Ou então apoiando algum candidato?
Então procure a Malu Gaspar e fale mal do adversário. Em qualquer circunstância, ela colocará suas impressões no coletivo. Se for algum candidato a tribunais superiores, ela publicará uma nota dizendo que “os ministros” têm ressalvas a ele. Se for para as autarquias, dirá que ele é mal visto no governo. Ou, se for para queimar, dirá que ele está apoiado por quadros petistas.
Mas, nesse festival de balões de ensaio, nenhuma tentativa foi mais indigna que os ataques cometidos, hoje, contra o economista Márcio Pochmann (https://encurtador.com.br/hyzQV)
A matéria seguramente foi feita em cima de uma conversa banal com UM membro da equipe de Simone Tebet. Mas as declarações são sucessivamente atribuídas a:
• um integrante do Planejamento;
• alguns auxiliares de Tebet;
Segundo a matéria, Pochmann estaria sendo indicado para a presidência do IBGE pelo PT. A partir dessa suspeita, ela direciona uma saraivada de acusações difamatórias e inverossímeis contra ele.
Pochmann é um intelectual respeitável, especialista em história econômica e indicadores sociais. Duvido que, algum dia, Malu tenha lido qualquer trabalho dele. Fia-se exclusivamente em uma fonte covarde e transmite todas suas baixarias sem checar sequer a verossimilhança.
As acusações são típicas da retórica bolsonarista:
• “Nem o Centrão conseguiria apresentar um nome tão ruim. Nem o próprio PT”, diz um integrante do Planejamento.
• Desenvolvimentista e heterodoxo da escola da Universidade de Campinas, Pochmann é considerado por alguns auxiliares de Tebet como um “terraplanista econômico”.
Detalhe: Pochmann nunca foi um macroeconomista, sua preocupação sempre foram os aspectos sociais e históricos da economia. No fundo, o tal “alguns auxiliares” pretende demonizar uma escola de pensamento, da Unicamp. E encontra uma jornalista disposta a servir de sela, e sem nenhum conhecimento econômico sequer para questionar as acusações. O ápice desses absurdos, demonstrando que Malu tem total fé na ignorância de seus leitores, é a suposição de que um presidente do IBGE poderia fraudar as estatísticas:
“Há quem cite inclusive o temor de que, uma vez no IBGE, Pochmann possa querer seguir o exemplo do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) argentino, que maquiava dados durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner para manter a taxa de inflação anual em 10% ao ano”.
É de uma ignorância ciclópica. Nenhuma pessoa minimamente informada consideraria a possibilidade de um dirigente maquiar os dados do IBGE. É desconhecimento total sobre a forma como são feitas as pesquisas do Instituto e os diversos filtros a que são submetidos.
Paulo Guedes conseguiu maquiar os dados do Banco Central, interferiu na Petrobras, fez negócios no BNDES, e não conseguiu influir no IBGE, mesmo contrariado com as pesquisas.
É impressionante a facilidade com que jornalistas se valem da arma de que dispõem para fuzilar reputações, sem nenhum apreço pela biografia da pessoa, sem nenhuma preocupação em checar as acusações.
Servem apenas de selas para serem cavalgados pela fonte.
Em defesa de Márcio Pochmann
Nota da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia
Três matérias, ditas jornalísticas, foram publicadas em menos de 24 horas com tentativas de desqualificar o economista, professor e pesquisador Márcio Pochmann. Os textos, de cunho político indiscutível, pretendem disseminar a ideia de que seu percurso profissional e acadêmica não o habilita a ocupar a presidência do IBGE.
Advogam que haveria perfis puramente técnicos para o cargo e que este deveria ser ocupado por um desses perfis. Desde logo, não há perfil puramente técnico entre economistas e, tampouco, entre os jornalistas ou entre profissionais de qualquer outro ramo. O professor Márcio Pochmann tem uma longa carreira acadêmica e profissional e, como é prática dessa carreira, foi ampla e recorrentemente avaliado por seus pares.
O debate, entre atores políticos, como demonstram ser o jornalista e as duas jornalistas que assinaram tais matérias, sobre o futuro do IBGE e a escolha de seu novo presidente é salutar. Nocivo é cobrirem-se do véu de jornalistas neutras para atuarem politicamente. Infame e vil é tentarem disseminar a ideia, atribuída a terceiros não identificados, de que Pochmann poderia manipular índices de inflação.
A Associação Brasileira de Economistas pela Democracia repudia o ataque orquestrado contra Márcio Pochmann, contra a Unicamp e contra as linhas de pensamento econômico críticas ao neoliberalismo. Repudia, ademais, a ética jornalistica, ou a ausência dela, praticada nestes três exemplos.
Associação Brasileira de Economistas pela Democracia










