Por Simão Zygband
Fui levar meu carro ao mecânico que é bem em frente ao prédio do jornal Folha de São Paulo, na rua Barão de Limeira, no bairro dos Campos ElÃseos, perto da praça Princesa Isabel, que de um tempo para cá se transformou na Cracolândia, o paraÃso dos “nóias” usuários do destrutivo crack.
Criei-me muito próximo dali, no bairro do Bom Retiro, pra baixo do Jardim da Luz, quando a região era conhecida apenas por boca do lixo, boca do automóvel e por que não dizer boca do cinema brasileiro, onde se produziram algumas das mais famosas chanchadas e pornochanchadas que passaram nas telas nacionais.
Não é a primeira vez que entro no assunto, mas serei chato e talvez irredutÃvel como se estivesse dispendendo meus esforços na luta pelos dois estados, o judeu e o palestino, pela interrupção do massacre em Gaza e quiçá pelo fim da invasão do Irã por Israel, Estados Unidos e paÃses do G7.
Fiz um caminho diferente para chegar ao mecânico e passei por debaixo dos túneis que dão acesso ao Minhocão (um enorme viaduto).
E daà me dei conta das consequências do que tem sido a polÃtica de higienização e aporofobia (aversão aos pobres) do prefeito Ricardo Nunes e o governador TarcÃsio de Freitas, ambos bolsonaristas.
O que aconteceu com o “esvaziamento” da Cracolândia e o que estão passando de fato homens, mulheres e crianças, tomadas pelo vÃcio do crack e despejados para um salve-se quem puder de moradia (ou a falta dela).
Como velho repórter de campo, que viveu parte de sua rotina pelas ruas. confesso que me chocou profundamente as condições desumanas que passaram a viver alguns moradores de rua, que anteriormente ocupavam a chamada Cracolândia.
Eles foram entocados feito bichos e, afugentados, passaram a se refugir entre os vãos existentes nos túneis da interligação Leste-Oeste de São Paulo, no acesso ao Minhocão em direção a à Lapa.
É um local escuro, ermo, insuportavelmente poluÃdo pela passagem dos carros, cheirando fezes e urinas . É a total degradação humana, a mais cruel condição que uma administração pública pode ter deixado acontecer com uma parcela de sua população. São os chamados “invisÃveis”, diriam alguns estudiosos.
Nunca vi nada igual em anos de jornalismo, justo eu que já andei pelos locais mais pobres e miseráveis de nossa cidade como repórter.
São verdadeiros cavernÃcolas urbanos, tratados pior do que animais, vivendo em situação humana degradante.
Isso à vista de toda a classe média e alta que necessariamente é obrigada a fazer este caminho para ir às compras ou ao trabalho.
Isso sem contar que é passagem quase que obrigatória para doutores bem remunerados pelo dinheiro público para defender mÃnimos Direitos Humanos para impedir que cheguem a tão baixo grau de desprezo humano, todos morando em condições degradantes, cercados pelos ratos, baratas, percevejos, pernilongos. Fiquei impactado.
Seria importante que a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo ou algum membro do Ministério Público Estadual ou Federal mandassem ao menos assessores para se cientificar do grave problema humano ali existente.
Ricardo Nunes e TarcÃsio de Freitas não estão nem aà e deles nada dá para se esperar, já que são responsáveis pela tragédia humana.
Que saiam dos seus confortáveis gabinetes para dar suporte mÃnimo aos desvalidos, pois de bolsonaristas só se pode obter dor e sofrimento como polÃtica pública para os mais pobres.

Simão Zygband é jornalista veterano e editor do site Construir Resistência

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