Por que o Construir Resistência apoia o PL das Fake News

Por Simão Zygband

No último dia 8, o site Construir Resistência, idealizado para reunir em um portal opositores do governo fascista de Jair Bolsonaro e apoiadores do presidente Lula, completou exatamente dois anos e dois meses de existência. São 790 dias ininterruptos disponibilizando informação gratuita para cerca de mil pessoas por dia, a maioria de São Paulo, mas também de outros estados (e alguns poucos de outros países).

Com mais de 40 anos de jornalismo, confesso que esta é uma das mais intrigantes experiências de Comunicação que vivi, justamente para mim que, por flutuações do mercado jornalístico, teve a oportunidade de trabalhar em TVs, jornais, rádios, assessorias de imprensa, enfim, onde as empresas (e alguns sindicatos, órgãos públicos e mandatos parlamentares) compraram a minha força de trabalho intelectual, jornalístico.

Desde que me começo por jornalista, me formando em Jornalismo em 1981, com apenas 21 anos, lutei pela Democratização dos Meios de Comunicação. Claro que esta maneira de pensar, além de atuar também como profissional sindicalizado, filiado a um partido político (o PT) e uma certa revolta e irreverência(sic) me ocasionaram alguns períodos de demissão, de ficar literalmente no desvio. Nunca foi fácil ter postura de esquerda na mídia privada. Ainda mais um sujeito como eu, que não costumava levar desaforo para casa. Bem, prefiro não me vitimizar. Nós mesmo fazemos nossas opções e somos senhores das nossas atitudes.

Este acúmulo todo foi um dos responsáveis pelo “sucesso” do Construir Resistência. Ele foi construído com uma Rede de Transmissão onde constam centenas de números de whatszapp de pessoas com as quais me relaciono profissional e politicamente, a maioria delas de centro-esquerda, mas muito diverso, pois tem jornalistas, educadores, artistas, metroviários, assessores parlamentares e políticos etc.

O portal nasceu assim com o propósito de dar nossa pequena colaboração para eleger o Lula, conseguiu atingir a marca de mais de 1 milhão de visualizações (1 milhão e 60 mil, para ser mais exato), número bastante expressivo para um site modesto, tocado praticamente sozinho por mim, mas que nasceu com outras duas parceiras, uma de São Paulo e outra do Rio de Janeiro, que saíram do projeto, pois além de dar trabalho diario, dá quase nenhum retorno financeiro.

Vive, poderia dizer, apenas do tesão ( e nem todo dia é assim) de municiar meus amigos(as) e companheiros (as) com informações que considero importantes. Tenho a impressão que eles também acham.

Tenho sim a assessoria eventual gratuita de uma agência carioca, a Nova Digital, criadora do site. Por ter acesso diario razoável, o Resistência chamou a atenção de uma empresa norte-americana, a Google Adsense, que gerencia os anúncios que aparecem na página.

Trata-se, evidentemente, como o nome diz, de uma destas Big Techs que trabalham contra o Projeto das Fake News, pois para este mundo digital não interessa a qualidade da informação e sim que elas despertem a atenção dos leitores, espectadores, ouvintes, não importando se seja com nudez, pedofilia, divulgação de conceitos nazistas, etc. Importa sim que haja alguém que acesse o conteúdo, mesmo que ele seja o mais asqueroso e perverso possível.

O Construir Resistência se tornou assim um “escravo” do Google Adsense, exatamente como são os trabalhadores de aplicativos como o Ifood ou o UBER. O Adsense remunera pessimamente os sites dos quais ela entope de anúncios, todos a seu critério, sem nenhum controle dos editores. E o que é pior: mesmo com acessos comprovados, a empresa norte-americana decide aqueles que ela julga válidos.

Para ela, não valem acessos provenientes do grupo concorrente, a Meta. Pessoas que lêem o site através das postagens no Facebook, por exemplo, e que eventualmente clicam nos anúncios, não são contabilizados por que provêm de um “adversário” e, portanto, não são remunerados.

Só consigo receber algum recurso do Google Adsense, toda vez que atinjo U$ 100 (algo em torno de 500 reais) que, sob os critérios da Big Tech, dos acessos que ela considera válidos, demora cerca de 5 longos meses para obter. Traduzindo:, o Construir Resistência trabalha praticamente de graça para a empresa norte-americana por cerca de R$ 100 mensais, que não pagam sequer os custos operacionais e que demoram meses para serem obtidos.

O Construir Resistência vive, portanto, do trabalho voluntário e de pouquíssimos (conto nos dedos de uma mão) apoiadores que compreendem a necessidade de manter uma fonte de informação combativa, que nem cócegas faz na potencia das postagens dos fascistas, estes sim conseguindo se capitalizar com fake news e ataques virtuais ao governo Lula.

Tem como não apoiar, portanto, o PL das Fake News, contra o material explosivo que alimenta o fascismo?

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