Por Simão Zygband

Tenho mais de 40 anos de jornalismo, trabalhados em diferentes modalidades de mídia: TVs, Rádio, Jornais, Assessorias de Imprensa públicas e privadas. Vi muita coisa certa e também errada. Presenciei em coberturas jornalísticas o presidente Lula engatinhando na politica, crimes bárbaros e hediondos, entrevistei cara a cara o odiável ex-governador Paulo Maluf, percorri palácios e favelas (comunidades para os dias atuais), presenciei algumas tragédias com mortos e feridos, enfim, quase tudo o que um jornalista com a diversidade que tive pode relatar.
Mesmo assim, às vésperas da minha aposentadoria efetiva (quando enfim o INSS me reconhecerá como aposentado), nunca acreditei que sabia tudo na vida. Jamais me julguei o dono da verdade. Claro que analiso o mundo pela minha ótica, de acordo com o meu acúmulo, mas mesmo já tendo atingindo a chamada terceira idade, já com uma boa quilometragem na estrada (inclusive automobilística), sempre posso admitir que estou errado e rever a minha posição, desde que seja convencido com argumentos sólidos, sem torcida ou fanatismo.
Então, às vezes me enche o saco ver, através das redes sociais, sobretudo, postagens dos donos da verdade, dos sábios do futuro, que tudo sabem sobre os mais variados temas e fazem disso uma atividade de torcida organizada, como se de fato conhecessem a fundo todos os temas da atualidade. Todos estão corretos na sua análise e não sobra espaço para nenhuma reflexão.
O brasileiro não prima pela qualidade intelectual. E não é culpa dele. Ele é resultado de um passado colonial e escravocrata, de relações capitalistas de trabalho selvagem e muitas vezes cruel, da falta de boas escolas e de boas bibliotecas, que proporcionem embasamento cultural que lhe permita sim considerar-se um verdadeiro gênio, o último biscoito do pacote.
Não que o nosso país não tenha seus brilhantes, todos tem: o próprio presidente Lula, o inigualável escritor Machado de Assis e outros poucos tantos, compositores como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Tom Jobim, Egberto Gismonti, cientistas como Cesar Lattes ou Santos Dumont, enfim, um número de geniais que podem ser contados nos dedos dos pés e das mãos.
Mas, as redes sociais criaram os falsos gênios. Aqueles que dominam todos os assuntos sem ao menos procurar se aprofundar neles. Estudiosos de meia tigela que esgrimem publicamente suas mediocridades. Hoje temos verdadeiros experts em política internacional, que sabem tudo sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia e que se postam com uma postura doentia na tragédia atual no Oriente Médio, a lamentável guerra de Israel x Hamas. Todos, sem exceção, expõem aqui nos trópicos, sentados em frente ao seu televisor, computador e ar condicionado, como se isso fosse mudar algo, o seu lado, seja ele qual for.
Então todos colocam em seu perfil no facebook, no Instagram, ou nas suas redes sociais, como se isso fosse realmente fazer alguma diferença, a bandeira de Israel ou da Palestina, da Ucrânia ou da Rússia e do seu lado irredutível , e ai daquele amigo ou parente que divergir de sua posição incendiária e cheia de razão. Fanatismo tosco por algo tão distante, sem algum conhecimento prévio mais apurado, que vai dividindo e afastando as pessoas.
Como se já não bastasse a divisão que já ocasionam as religiões, a política local (taí o bolsonarismo que não me deixa mentir) ou mesmo as nossas paixões futebolísticas. É verdade que estas questões são afeitas ao nosso cotidiano, bem diferente da política internacional.
Só posso dizer uma coisa, do alto da minha parca sabedoria: Me percam, senhores donos da Verdade.
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Simão Zygband é jornalista, editor do site Construir Resistência, com passagens por jornais, TVs e assessorias de imprensa públicas e privadas. É de ascendência judaica e defensor da Paz










