Briga de família

Por Luiz Eduardo Rezende – Quarentena News

Carlos Bolsonaro, o Carluxo, filho 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro e um dos chefes do Gabinete do Ódio, resolveu tornar público o que era uma espécie de segredo de polichinelo: a briga de foice no escuro com a madrasta Michelle. Os irmãos, que também não gostam da ex-primeira dama, lavaram as mãos. Não tomaram partido, e o pai, bem, esse fingiu como sempre que nada estava acontecendo.

Agora Carluxo anunciou que não vai mais cuidar das redes sociais de Bolsonaro, como vinha fazendo desde a campanha eleitoral de 2018 porque cansou de ser tratado como um rato. Ninguém se pronunciou sobre a declaração do 02. Michelle não vestiu a carapuça, Flávio e Eduardo Bolsonaro fingiram que nem leram e o velho cacique também se fez de desentendido.

A quase certa decretação de inelegibilidade de Jair Bolsonaro acirrou os ânimos na família. Mordida pela mosca azul, Michelle tem pretensões de ser candidata a presidente da República, o que os filhos numerados não aceitam de jeito nenhum. Carluxo, o mais sangue quente e o que tinha uma briga mais escancarada com a madrasta, decidiu abrir logo uma dissidência para evitar que o problema se agigante nos próximos anos.

Até agora ninguém é capaz de prever o desfecho desse cabo de guerra.

BRIGA NO PARTIDO

Os militantes do PL de raiz, totalmente identificados com o Centrão, não estão nada satisfeitos com a presença da família Bolsonaro no partido. Acham que o clima de ódio entre bolsonaristas e petistas atrapalham as negociações para conseguirem benesses do governo. Fica difícil a adoção do esquema de vender dificuldades para conseguir facilidades.

Eles não aceitam também o apoio que o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, dá à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, como se ela fosse capaz de angariar muitos votos para a sigla, deixando de lado figuras importantes que já provaram ter viabilidade eleitoral. Michelle foi guindada pela direção partidária à presidência do PL Mulher, com salário superior a R$ 40 mil e se porta como grande liderança.

Esse pessoal do Centrão não está preocupado com o protagonismo de Michelle ou de quem quer que seja. Só não quer é alguém atrapalhando projetos de conseguir verbas e cargos do governo central.

Acham que estão sendo passados para trás pela família Bolsonaro.

PEGA NA MENTIRA

Tão logo surgiu a notícia sobre o pacote de joias no valor de R$ 16,5 milhões que Bolsonaro buscava retirar na receita federal, a primeira reação do presidente foi: “Não pedi nem recebi nenhum presente”. Os vídeos do ex-ministro das Minas e Energia dizendo que as joias eram para a primeira-dama e depois de um sargento tentando liberar o material contrabandeado a mando da presidência da república, no entanto, desmentiram Bolsonaro pela primeira vez.

Depois, acuado, sem ter como se defender, o ex-presidente entregou à Receita um outro pacote com relógio e outras joias que passou furtivamente na Alfândega. Mas não falou nada sobre um terceiro presente, que estava escondido no sítio do ex-corredor de automóveis Nélson Piquet. Teve que entregar esse também.

As investigações mostraram que Bolsonaro escondeu centenas de presentes na propriedade de Piquet. Tudo clandestinamente, como um contrabandista de quinta categoria. Isto é o que já foi descoberto e o Tribunal de Contas da União, junto com a Polícia Federal, decide o que fazer com material. Mas há ainda um outro mistério.

Bolsonaro e a mulher Michelle entraram no Palácio da Alvorada levando apenas roupas. O que é normal, pois a residência oficial da presidência é muito bem equipada. Quando saíram, tinham sumido móveis no valor de mais de R$ 100 mil. Até hoje não se sabe o paradeiro desses móveis. Será que já procuraram no sítio do Nélson Piquet?

É mesmo mais fácil pegar um mentiroso do que um coxo.

 

BOA VIDA

Quando o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, insistiu para Bolsonaro voltar dos Estados Unidos, era para ele liderar a oposição ao governo Lula e viajar pelo Brasil, já visando as eleições municipais de 2023. Para isso, deu ao ex-presidente o cargo de presidente de honra do partido, com um salário de aproximadamente R$ 80 mil, pagos com recursos do fundo partidário.

Se enganou, meu bem. Costa Neto não contava com o fato de Bolsonaro não gostar de trabalhar e que jamais iria se dispor a dar força para o partido eleger prefeitos e vereadores por todo o país. Este não é o procedimento corriqueiro da família Bolsonaro, adepta do “farinha pouca meu pirão primeiro”. Eles só trabalham em proveito próprio, compartilham até as rachadinhas.

Pois bem, Bolsonaro hoje frequenta uma ampla sala a ele destinada na sede do partido, onde recebe e fica o dia inteiro conversando com aqueles assessores mais próximos, que em hipótese alguma lhe contrariam. Deputados e senadores do partido não passam da soleira da porta nem mesmo tomando chá de cadeira na recepção.

Estão fulos da vida por não participarem do “dolce far niente” bolsonarista.

QUE VERGONHA

Até agora a mesa diretora da Câmara dos deputados não anunciou nenhuma medida concreta para punir os parlamentares que participaram da vergonhosa sessão da Comissão de segurança pública, na qual o ministro da Justiça, Flávio Dino, teve que se retirar tal o nível dos xingamentos e ameaças a ele dirigidos, inclusive com palavrões.

O conceito dos parlamentares junto à população já é baixíssimo. O que é péssimo para o país. E a cada sessão em que eles se comportam desta forma a desmoralização do Congresso nacional é mais visível. É claro que os oposicionistas têm todo o direito de criticar e exigir explicações das autoridades. Assim como é papel dos governistas defenderem suas posições. Mas tudo dentro dos limites da decência e do decoro parlamentar.

É inaceitável que parlamentares, sejam de que lado for, partam para o xingamentos e agressões, a eles ou a autoridades convidadas. A população espera uma atitude do presidente Artur Lira.

ATÉ QUE ENFIM

O governo federal anunciou que vai taxar os sites de apostas que proliferam no Brasil sem pagar impostos ou mesmo sem qualquer controle de seriedade, já que têm matriz no exterior e não são regulamentados em nosso país. Já houve caso de manipulação de resultados na série B do brasileiro de futebol. Atletas e clubes foram punidos ou estão sob investigação. Com os sites, nada aconteceu.

Sou totalmente a favor da abertura do jogo no Brasil, mas dentro de regras claras e com o recolhimento dos impostos devidos. O que não é aceitável são esses sites de apostas, que ninguém sabe direito a origem, atuarem aqui por meio de Pix sem nenhum controle governamental. #politica #jornalismodigital

 

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