Por João Franzin
É verdade que o emprego passa por uma fase de precarização. Mas o capitalismo brasileiro ainda não criou nada melhor que um bom emprego: 13,3 salários por ano, cobertura previdenciária, férias de 30 dias, Fundo de Garantia e multa de 40% para o empregado demitido.
Tem mais: empregado demitido tem seguro-desemprego. A lei garante ainda direito à Participação nos Lucros/PLR.
Evidentemente, o capitalismo não é único pai dessa proteção. A luta sindical conquistou boa parte dessas leis, cuja origem está na Revolução de 30, liderada por Getúlio Vargas.
Tem mais ainda: garantia de emprego a trabalhadora-mãe por 120/180 dias, licença-paternidade, estabilidade no emprego a acidentados no trabalho, adicional noturno, adicional de hora extra, adicional de insalubridade .
Mais: na maioria das empresas, trabalhador tem direito a refeitório, restaurante, tiquete-refeição, uniforme grátis, vale-alimentação, vale-transporte, Cipaa contra acidentes e outros benefícios.
Por fim: ele tem dois anos pra reclamar na Justiça eventuais diferenças de salário ou descumprimento da Convenção Coletiva de seu Sindicato, seja ou não sindicalizado.
Ainda mais: pode usufruir de Clubes, colônias de férias, dentista, escolas e convênios com descontos de seus Sindicatos.
O pequeno empreendedor não dispõe de nada disso. Terá que pagar aluguel, condomínio, conta de água e luz, recolher taxas e impostos, contratar contador, sofrer ação trabalhista inevitavelmente etc.
O melhor negócio para a imensa maioria da população ainda e um bom emprego. Todas as demais alternativas são piores.
Os 59% que disseram à Folha não querer emprego na Carteira, sinto muito, caíram no conto da teologia da prosperidade. Ia dizer que no conto do vigário. Mas a verdade é que caíram no conto do pastor.

João Franzin é jornalista e responsável pela Agência Sindical









