O Evangelho Segundo Vorcaro & Cia.

Por Júlio Benchimol Pinto 

Quem lucra quando a fiscalização falha? Quem respira aliviado quando a PF é esvaziada?

O Brasil amanheceu descobrindo que o “milagre financeiro” do Banco Master não era milagre – era falsificação em escala industrial.

Daniel Vorcaro (foto abaixo), o banqueiro gospel do Centrão, foi preso tentando decolar de Guarulhos rumo à ilha de Malta num jatinho particular.

A defesa jura que não era fuga. Claro. Malta deve ser a nova filial do Master.

O Banco Central liquidou o Master e sua corretora um dia depois de uma holding fantasma, a tal Fictor, anunciar que compraria a instituição.

E dois meses depois do BC vetar a venda para o BRB – aquele banco público do DF que aparentemente acreditou em carteiras de crédito como quem acredita em pirâmide nutricional de coach.

Agora sabemos por quê: a PF e o MPF descobriram que R$ 12,2 bilhões vendidos pelo Master ao BRB não existiam. Não é metáfora. Não é figura de linguagem.

O dinheiro simplesmente não existia. Os contratos foram “fabricados” num único dia, com associações fantasmas, consignados imaginários e até cem pessoas físicas que nunca fizeram empréstimo nenhum. É como se o Master tivesse decidido que a realidade é opcional.

E o BRB? Mesmo depois que o BC sinalizou irregularidades, continuou mandando dinheiro. Comportamento típico de banco estatal capturado: vê o incêndio, mas joga gasolina.

Se fosse apenas fraude, já seria grave. Mas Vorcaro não construiu sozinho esse Frankenstein financeiro: ele o teceu com fios de púlpito e fios de poder.

Na lista de amigos e articuladores, temos Ciro Nogueira, Arthur Lira, Antônio Rueda, bolsonaristas de variadas denominações… e, do outro lado da rua, Ricardo Lewandowski, hoje ministro da Justiça, que já recebeu salário de consultor do Master depois de deixar o STF.

A liquidação deve custar ao FGC entre R$ 40 e R$ 50 bilhões – mais que o rombo histórico do Bamerindus.

E quem paga essa conta? O FGC diz que tem liquidez. Ótimo. Mas liquidez não é milagre. É dinheiro de todo mundo que acredita no sistema bancário.

E aí vem a pergunta incômoda, a pergunta estrutural, a pergunta que ninguém no andar de cima quer ver estampada no feed:

Quem lucra quando a fiscalização falha? Quem respira aliviado quando a PF é esvaziada?

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