Por Marcos de Oliveira – Monitor Mercantil
Ibaneis Rocha, Cláudio Castro, Tarcísio… governadores da direita bolsonarista estão no olho do furacão da crise
A direita, que sempre fala grosso quando os envolvidos são da base da pirâmide, mantém um silêncio ensurdecedor sobre o mais recente caso no andar de cima (da Faria Lima), com a intervenção no Banco Master e a prisão do seu dono, Daniel Vorcaro.
E não é difícil achar rastros que ligam o escândalo a governadores bolsonaristas e outros políticos da direita.
A começar pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que assistiu de camarote os suspeitos negócios entre o Master e o BRB – controlado pelo DF. Rocha nomeou Paulo Henrique Costa para presidir o banco estatal – o executivo só foi afastado nesta terça-feira por decisão judicial.
Segundo a Polícia Federal, o escândalo pode chegar a R$ 12 bilhões.
Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro, também tem profundas impressões digitais no escândalo. O Rioprevidência, fundo dos aposentados e pensionistas estaduais, comprou milhões em títulos do Banco Master e agora vive a expectativa de ver os papéis “micarem”.
O deputado estadual Luiz Paulo (PSD) denunciou o negócio; o Tribunal de Contas do Estado (TCE) proibiu o Rioprevidência de novas compras de títulos do Master, determinação que não teria sido cumprida. O rombo pode ficar entre R$ 980 milhões e R$ 2,6 bilhões.
O governador bolsonarista é responsável por nomear o presidente e os diretores do Rioprevidência.
Tarcísio Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, igualmente da direita bolsonarista, deve explicar o açodamento em enviar seu secretário de Segurança e dublê de deputado federal, Capitão Guilherme Derrite (Progressistas), para relatar o projeto de lei antifacção.
Derrite tentou emparedar a Polícia e a Receita Federal justamente quando os 2 órgãos fecham o cerco a grupos na Faria Limae aos crimes de colarinho branco.
O secretário de Tarcísio teve de recuar diante dos protestos contra o que poderia ser a “PEC da Bandidagem 2.0”. Mas deformou o projeto enviado ao Congresso pelo governo, tornando-o um Frankenstein.
Aliás, nesse caso, também deve explicações o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), que nomeou Derrite relator e votou às pressas o projeto, obtendo a sua aprovação.
Previdência do servidor na crise do Master
Em artigo, Hugo Garbe, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), ressalta que a liquidação extrajudicial do conglomerado de Vorcaro tem efeitos que ultrapassam o setor bancário. “Há uma exposição relevante de fundos de previdência a títulos emitidos pelo Banco Master, o que amplia o impacto da liquidação e evidencia o papel do efeito multiplicador na economia”, lembra.
“Diversos fundos de previdência de servidores estaduais e municipais investiram volumosamente em letras financeiras emitidas pelo Master, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
Juntos, esses fundos aplicaram aproximadamente R$ 1,7 bilhão nesses títulos” – número que pode ser tido como piso, não como teto.
Garbe cita o fundo dos servidores do Estado do Rio de Janeiro e de municípios como Cajamar, São Roque, Aparecida de Goiânia, Araras e Santo Antônio de Posse. Maceió também pode engrossar a lista.








