Por Simão Zygband
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Os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã representam uma das mais graves escaladas geopolíticas dos últimos anos.
E levantam uma questão que não se podr ignorar: estamos diante da possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial?
Donald Trump parece insaciável. Fez incursões na Venezuela, ameaça Cuba de invasão e agora ajuda Israel no ataque ao Irã, assim como fez em Gaza.
Essa escalada não é um episódio isolado. É parte de um padrão de confrontos que envolvem múltiplos atores — potências ocidentais, países do Golfo, Rússia e China — cada qual com interesses estratégicos.
O Oriente Médio volta a se transformar em epicentro de tensões globais, com potencial de irradiar instabilidade econômica, militar e diplomática para todo o planeta.
A retaliação iraniana e as promessas de novas respostas ampliam o risco de uma espiral de violência.
Quando um conflito regional envolve potências com grande capacidade militar e alianças consolidadas, o perigo deixa de ser apenas local.
A interdependência de compromissos estratégicos pode transformar confrontos pontuais em crises ampliadas.
A possibilidade de uma conflagração mundial não deve ser descartada por duas razões fundamentais.
Primeiro, o envolvimento direto de uma potência global como os Estados Unidos ativa uma rede de alianças militares e compromissos políticos.
Qualquer ampliação do conflito pode pressionar outros atores a se posicionarem de forma mais contundente.
Segundo, há o risco da escalada não-linear. Pequenas ações podem desencadear reações desproporcionais, especialmente quando há cálculo político interno, disputas por hegemonia regional e demonstrações de força destinadas a públicos domésticos.
Isso significa que a Terceira Guerra Mundial é iminente? Talvez.
A própria existência de arsenais nucleares e o custo humano e econômico de um confronto entre grandes potências ainda funcionam como fatores de contenção.
Contudo, a história demonstra que guerras de grande escala podem nascer de sucessivas decisões equivocadas e da incapacidade de interromper ciclos de retaliação.
O que está em jogo não é apenas a segurança do Oriente Médio, mas do sistema internacional.
Ignorar este risco seria imprudente. Superestimá-lo pode gerar pânico.
Mas reconhecer a gravidade do momento é uma obrigação de qualquer análise séria.
O mundo atravessa um período de tensões crescentes — e decisões tomadas agora poderão definir o rumo das próximas décadas.

Simão Zygband é jornalista, analista político e editor do site Construir Resistência










