Ceciliano x Molon: os prós e contras

 

Por Tainá de Paula

 

Candidaturas de Marcelo Freixo e André Ceciliano enfrentam sabotagem

 

Inacreditável a sabotagem que as candidaturas de Marcelo Freixo e André Ceciliano vem sofrendo, com ajuda inclusive da esquerda. Ora por inocência, ora por leviandade. A convenção do PSB, se sacramentada for, acaba de sepultar qualquer chance eleitoral da esquerda no Rio.

Fico arrasada porque conheço intimamente os dois. Marcelo é o quadro que está se preparando politicamente há anos pra esse desafio. Enquanto a elite política do Rio tratava de seus projetos, Marcelo foi dialogar com o Lula, mudou de partido, saiu do seu lugar de conforto.

Já André Ceciliano, que a maioria sequer conhece, lida com a Assembleia Legislativa mais miliciana do país, moralizou a receita do Petróleo do Estado, lida com coragem com os problemas do Rio. É para ele que as parlamentares negras ameaçadas ligam pra estarem vivas e protegidas.

É à ele que devemos agradecer por não estarmos numa crise fiscal ainda mais aguda do que estamos enfrentando e por favor, quem acha que o Cláudio Castro seria capaz de manter o Rio de pé está TOTALMENTE FORA DE ÓRBITA e precisa rever em que Rio de Janeiro está.

O que me parece é que há uma raiva e mesquinhez profundas. Um ódio pelo fato da política que pode salvar o Rio do poço que está venha do PT, não à toa parece que todos os antipetistas se lançaram, juntos ou separados, pra derrubar Freixo e André.

Abrimos mão de lançarmos André, Lindbergh, Benedita ou Fabiano Horta governadores. Eu não sou candidata à federal e nem à nada! Não estamos investindo em nossos quadros para compor aliança! E o que temos de resposta?

Tainá de Paula é arquiteta e urbanista, vereadora do Rio de Janeiro e ativista das lutas urbanas

 

Por Denise Lobato Gentil

 

Candidatura de Molon ameaçada

 

Não escrevo com a pretensão de virar o voto de ninguém, mas, a essa altura, tenho que me manifestar. Espero que não aconteça a suposta retirada da candidatura de Molon ao Senado pelo PSB. Não há nada, até o momento, que me convença a votar no Ceciliano que, por sua vez, parece ter uma posição dúbia, apoiando o atual governador, que (vejam o infeliz detalhe) é o candidato de Bolsonaro. Se Ceciliano já negou dar esse apoio, eu ainda não soube da negativa. Até me aliviaria um pouco sabê-lo, porque acharia que a esquerda (?) do Rio de Janeiro pode ter razões que são insondáveis para uma eleitora média como eu. Além disso, é uma ofensa ao eleitor fazê-lo crer que, se Molon saísse da disputa ao Senado, Ceciliano automaticamente passaria apoiar Freixo e não ao governador Claudio Castro, atual líder da corrida eleitoral. Há inexplicáveis nuvens mudando de posição no céu da política do Rio de Janeiro.

Se tudo isso não bastasse, Molon é um excelente candidato. Há poucos com seu histórico. Lutou bravamente contra a reforma da Previdência do governo Bolsonaro que levará à pobreza uma imensa população nesta e nas próximas décadas e duvido que tal reforma seja revertida em um futuro governo petista.

Esse motivo (a última reforma da Previdência), em particular, me faz sentir na obrigação de testemunhar em favor do Molon, pois eu presenciei vários embates terríveis (em plenário e nos bastidores) em que ele tomou parte. Assisti a sua imensa luta quando foi líder da oposição, mostrando-se não apenas comprometido ideologicamente, pois é um pouco mais que isso.

Havia nele um compromisso visceral com as causas que atingem a população trabalhadora mais pobre. Isso marcou muito minha percepção política sobre Molon. Se mais não foi arrancado da classe trabalhadora pela mais cruel de todas as reformas, a reforma da Previdência do governo Bolsonaro/Guedes, deve-se a presença desse deputado, grande líder da oposição em um momento crucial para o nosso país. Vou citar apenas três exemplos.

Foi por sua incansável postura combativa, demonstrando a inviabilidade social da exigência pelo governo de Bolsonaro de 25 anos de contribuição para se acessar a aposentadoria por idade no Brasil, que resultou na vitória política de uma exigência menor, de 20 anos de contribuição para homens e 15 anos para as mulheres, hoje presente na Emenda Constitucional 103/2019.

Foi também por sua brava interferência que não se elevou, de 65 para 68 anos, a idade dos beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada). “Os benefícios assistenciais são a única renda de 47% das famílias que os recebem”, bradava ele no plenário da Câmara. Molon também brigou muito para que o valor das pensões (a maioria delas de mulheres) não tivesse o valor reduzido abaixo do salário mínimo, causando grande impacto sobre as famílias.

Por fim, acho que é, para mim inquestionável, um dos políticos mais preparados do país para o cargo de Senador. Isso é reconhecido inclusive por seus colegas deputados, adversários ou não.

Molon tem meu voto e vou lamentar demais se tiver que abdicar desse direito para assistir Romário tomar seu lugar.

Denise Lobato Gentil é doutora em Economia pelo Instituto de Economia da UFRJ onde atua como professora colaboradora.

 

Edição: Simão Zygband 

 

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