Por Alceu Luiz Castilho
Estava vendo o currículo de Mariângela Fialek, alvo hoje de busca e apreensão da PF, “braço direito de Lira no orçamento secreto”, “principal operadora de emendas parlamentares na Câmara”.
E ex-conselheira fiscal da Codevasf, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, terreno fértil das emendas. (Em nome de São Francisco, “é dando que se recebe”.)
Longe de mim defender o deputado Arthur Lira (PP-AL), de quem ela foi assessora parlamentar por muitos anos. Alternando com as mesmas funções no PP, esse filho da Arena — não custa esquecer.
Mas a história de Mariângela não começou com Lira. Ela foi durante muitos anos assessora de Romero Jucá (MDB-RR), aquele mesmo, “com o Supremo, com tudo”. Que foi senador, governador, ministro do Planejamento de Temer.
Ela foi assessora também de Eunício Oliveira (MDB-CE), um colecionador de fazendas que foi deputado, senador, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, ministro das Comunicações.
Mas esse ainda não é o ponto onde eu quero chegar.
No dia 29 de novembro de 2016, primeiro ano da graça do governo golpista de Michel Temer, O Globo informava que o senhor Mozart Vianna tinha sido chamado pelo presidente para reforçar a Secretaria de Governo no “acompanhamento das demandas dos parlamentares”.
Mozart deve ter pensado: fácil. Ele tinha sido secretário-geral da Mesa Diretora da Câmara durante 24 anos. Conhecia todo mundo. (Façam as contas: isso abrange quase todo o período democrático até então.)
Com toda essa experiência, Mozart Vianna seria o chefe dessa relação estreita com os parlamentares? Não. Ele tinha sido destacado justamente para reforçar a equipe da Subsecretaria de Assuntos Parlamentares.
E quem comandava essa equipe? Mariângela Fialek.
Em resumo, Mariângela participou do governo golpista de Michel Temer na função exata de atendimento da demanda de parlamentares.
A mesma que foi hoje alvo de busca e apreensão da PF na Operação Transparência. (Sob investigação, os crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção.)
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Para que nós, brasileiros, não fiquemos muito distraídos em relação à nossa história parlamentar, fica a sugestão:
que sejam investigadas a fundo, sim, as digitais de Arthur Lira e do PP nas iniciativas de Mariângela. E as de Romero Jucá, MDB e Eunício de Oliveira.
Só que sem deixar de fora o governo Temer.
Que tal passar a limpo de verdade o golpismo no Brasil?










