Construir Resistência
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Não dou aos fascistas o direito de pensarem diferente

Por Ricardo Ramos Filho

Acabo de ser repreendido por alguém importante para mim por minha reação antifascista. Sou grosso, violento. Segundo ele, crio um ambiente insuportável. Gostaria, do fundo do meu coração, que os jovens entendessem melhor o que é o fascismo como doutrina.

Quando encontro alguém de extrema direita, sujeitos que defendem o indefensável, não dou a eles o direito de pensarem diferente. Não é uma questão de ser ou não civilizado. Ninguém tem a opção de ser nazista e o fascismo, como doutrina, é igual. Um nazismozinho italiano.

Leio que 212 escravizados da cana foram soltos em Goiás e em Minas. Tudo isso, não paramos de ter notícias de gente escravizada. É resultado de desvios em direção ao fascismo. A extrema direita saiu do armário. São cerca de 50% dos votantes do país, acham-se no direito de explorar pessoas. Consideram-se superiores, desejam ver miseráveis trabalhando a pão e água, não têm a menor empatia pelo ser humano. Então é isso.

Vou continuar enfezado, dizendo o que acho, sendo violento com quem prega a morte e defende bandidos assassinos. Gente que maltrata professores na academia, fala contra a vacina e a ciência, faz discursos homofóbicos e transfóbicos, bebe vinho produzido por mão de obra vilipendiada, aceita que matem vereadores, desrespeitem mulheres.

A escalada do país em direção à escravização de pessoas é resultado desta guinada. Em nome do que é certo, dou-me o direito de ser incivilizado.

Ricardo Ramos Filho é escritor, professor e antifascista

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