Por Júlio Benchimol Pinto
Não é por salário, não é por previdência, não é por transporte público. É por vida ou morte.
As famílias dos reféns disseram basta. Convocaram uma greve geral em todo o país – apoiada por universidades, prefeitos e milhares de cidadãos – para obrigar o governo a negociar a libertação de quem está preso em Gaza.
Enquanto Netanyahu planeja ocupar Gaza City como se fosse um tabuleiro de xadrez, os reféns viraram peças descartáveis na estratégia do poder.
E o recado das ruas é cristalino: não dá para continuar a vida normalmente quando a vida dos nossos está em risco.
Greve geral em Israel não é capricho sindical, é o último recurso de uma sociedade que descobriu que protestar só aos sábados já não basta.
É o grito coletivo contra a lógica perversa de usar reféns como fichas de barganha.
Ironia cruel: o governo que se apresenta como “guardião da segurança” está sendo desafiado pelos próprios cidadãos que exige proteger.
A rua virou parlamento, a greve virou voto de desconfiança.
Se Netanyahu achava que poderia esmagar Gaza sem esmagar também a paciência de seu próprio povo, enganou-se.
A greve geral é o sinal vermelho da democracia israelense: parem as máquinas, porque a sociedade não vai assistir passivamente a mais uma catástrofe fabricada no gabinete de guerra.
Ou o governo ouve a voz da rua, ou descobre que um país pode parar quando o poder insiste em atropelar a vida.

Júlio Benchimol Pinto é PHD da Universidade Federal de Brasília(UNB)









