Por Adriana do Amaral
Mas o BBB é viral
Eu não gosto da superexposição e também da falsa liberdade dos cativos na casa global. Mas eu também não acompanho novela, então sou exceção e não regra. É inegável a audiência do programa, mesmo em tempos de declínio da televisão aberta, e há público em todas as camadas sociais. Além disso, o que acontece no #BBB está nas mídias sociais e hegemônicas. Ou seja, ele chega até mim.
A casa reproduz o que acontece na sociedade brasileira. Tem de tudo, e cada vez mais abre-se para as chamadas minorias, que na verdade são maioria entre o povo brasileiro. Estarrecedor, no entanto, é como as diversas expressões do preconceito, principalmente o #racismo, são desvelados na lata. Ou melhor, na tela.
O episódio mais recente trouxe a questão do racismo em sua forma mais cruel, através do julgamento da aparência física, que expressa personalidade, cultura e herança familiar. O brother João chorou, desabafou e comoveu ao falar da sua cabeleira BlackPower. Foi o segundo homem negro “julgado” na temporada atual. Antes dele foi Lucas Penteado e o estopim a sua bissexualidade.
Lucas e João são jovens bacanas, bonitos, bem resolvidos. Por que são alvo de racistas? Porque o racismo é praga numa sociedade que ainda não resgatou histórias reais do povo escravizado, e que se perpetua através de gerações.
Por que o cabelo afro incomoda? Acontece nas escolas, acontece no mundo laboral.
João afirmou que não era a personagem “Pedrita” para usar um osso no cabelo. Foi assim que ele respondeu ao brother que de mano não tem nada. Lucas, ex-líder estudantil, apoiou o João através de sua conta no Instagram:
“Que absurdo que acabou de acontecer. Toda a solidariedade do mundo ao João. Respeita nossa cor, respeita nosso cabelo.”
O cabelo é expressão cultural, mas também legado genético. Se cada vez mais homens e mulheres negros ou afrodescentes têm assumido os seus crespos, homens e mulheres de todos os nuances de pele “branca” também têm assumido os cabelos crespos através da transição capilar.
Negro de cabelo liso, pode? É claro que pode, como prefere a ex-primeira dama dos EUA, Michele Obama. Tranças no cabeço? Também pode, como adoram os fãs de Bob Marley e adeptos das raízes africanas. Cabelo blackpower? Sim! Numa história de vida cabem todas as expressões capilares usadas pelo Gilberto (Black) Gil. Até a lua e a estrela!
Recentemente, vivemos a moda dos moicanos, raspadinho estilo ronaldinho, brancos, coloridos, lisos chapinha, mullet, joãozinho, canecalon, pigmaleão… Até careca teve a sua vez, mesmo entre os cabeludos. Mas quando bate o preconceito, a coisa muda…
Por isso, não cansamos de repetir, e até dar um ponto de audiência para o BBB:
Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista.











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Que ótimo artigo, tudo a ver com o que se passou e com o que vemos a todo momento. Com covardia tudo continuará na mesma, uma vergonha para todos nós, os pensantes.
Muito obrigada pela leitura atenta. Precisamos evoluir enquanto seres humanos, e onde houver um cidadão vivenciando o preconceito temos de combatê-lo!