Na Casa do Povo, lembrar dos mortos é um exercício cotidiano que passa pelo cuidado com os vivos.
A cerimônia do Levante, porém, se destaca no calendário anual como um momento institucional e formal: lembramos coletivamente da resistência judaica contra os nazistas no Gueto de Varsóvia em abril de 1943 e, desta forma, resgatamos o porquê desta instituição existir.
Ao lembrarmos coletivamente, refundamos a Casa do Povo.
Porém, ano após ano, massacre após massacre, enquanto os ciclos de violências prosseguem Brasil afora, em particular nas periferias e áreas indígenas, assim como no Oriente Médio, em particular na Palestina e em Israel, não podemos deixar de nos questionar sobre a eficácia das comemorações para além de seus protocolos e de suas retóricas.
Esta preocupação cresce quando observamos, ao mesmo tempo, o ressurgimento aqui das políticas de apagamento, amnésia e anistia que marcaram o fim da Ditadura.
É preciso se levantar contra esta volta de um silenciamento generalizado. Em 2025, suspendemos o tempo por algumas horas e, entre memória e esquecimento, perdão e justiça, convidamos a filósofa Jeanne Marie Gagnebin para nos alertar para a importância de manter a memória articulada à vida e para nos apontar caminhos possíveis para que o passado seja ouvido no presente.
À luz das 6 velas acesas no início da cerimônia, chamamos a todas e todos para estarem conosco para ouvir a oradora da noite e cantar o Hino dos Partizanos com o Coral Tradição.
Essa é nossa forma de homenagear as vítimas de ontem e de hoje, e de tecer solidariedades entre as lutas.
Que os levantes do passado inspiram os levantes de hoje!
#SemAnistia
Programação
Data: 15 de abril, terça
Horário: 19h
Local: Casa do Povo – Rua Três Rios, 252 – 1º andar – Bom Retiro, São Paulo – SP,
Oradora convidada: Jeanne Marie Gagnebin
Apresentação: Coral Tradição
Arte: Frederico Ravioli









