Construir Resistência

28 de outubro de 2023

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O mundo assiste on-line o maior massacre após a segunda guerra mundial

Por Ari Meneghini Previsões de analistas de guerra apontam que se os ataques de Israel continuarem o número de mortos passará de 20.000. Biden e Mácron deram apoio total a Netanyahu. Claro Biden está preocupado em manter o ”parça” no oriente médio para suas ações e ajuda estratégica. A França está com problemas em suas ex colônias que na prática continuam sob outra forma, portanto vê também Israel como estratégico no oriente médio para as ações da OTAN. Não é possível apoiar tais atos que já mataram mais de 3.000 crianças. O apoio militar e logístico dos EUA à Israel mostra mais uma vez que é um país que prima pela guerra, não por acaso foi o país que mais perpetrou guerras do período contemporâneo, foram eles que lançaram duas bomba atômicas, um crime nunca julgado. O mundo está assistindo on-line o maior massacre após a segunda guerra mundial. Um massacre feito por aqueles que sofreram atos de genocídio que agora perpetram. Ari Meneghini é historiador e especialista em transformação digital Nota do editor – este texto não representa necessariamente a posição do Construir Resistência

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Brizola foi o melhor governador de esquerda do Brasil

Por João Pedro Stédile em Carta Capital O fundador do PDT foi um estadista, um homem comprometido com seu tempo e com o povo brasileiro. Fazem faltas figuras públicas desta tradição.   Conheci Brizola quando criança. Ele era governador do meu estado e passou por minha região em atividades políticas. A “camponesada” toda foi vê-lo. Já naqueles idos, era um personagem muito popular, um verdadeiro ícone, admirado por muitos e odiado pelas oligarquias. Na época, eu estudava numa escolinha que seu governo havia construído em todas as comunidades rurais do estado – e que a direita passou a chamar de “Brizoletas”, porque eram todas iguais. O apelido pegou de forma carinhosa. Mas, o mais importante é que ele conseguiu universalizar o ensino fundamental por todos os rincões do estado. Brizola sofreu na pele a pobreza e a falta de escola. Órfão desde criança, sua mãe pediu ajuda a amigos para que ele pudesse estudar na cidade, e depois fazer o colegial agrícola no internato em Viamão – colégio é famoso até hoje por tê-lo tido como seu aluno. Estudioso, conseguiu entrar no elitista curso de engenharia civil da UFGRS. Deve ter sido o primeiro pobre a se formar engenheiro no Rio Grande. E do movimento estudantil, migrou rapidamente para as atividades politico-partidárias. Foi por descobrir que só a educação liberta verdadeiramente as pessoas e pode vencer a pobreza, que Brizola passou a aplicá-la como política pública no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Fui um dos beneficiários dessa visão. Quando cultivei amizade com ele, já maduro, vivendo no Rio, Brizola nos contou sobre sua vida como governador e que gostava de utilizar feriadões para pegar uma camionete, e sem seguranças, apenas com a esposa e seus filhos, acampar em alguma fazenda ou próximo aos rios, para descansar e pescar. Que governador faria isso agora? No governo, Brizola implantou políticas públicas revolucionárias para a época e para os dias atuais. O que me leva a concluir que ele foi o único governador verdadeiramente de esquerda que tivemos em toda história do País. Brizola universalizou o ensino fundamental para todo povo gaúcho. E abriu as portas para que os jovens da classe trabalhadora depois ascendessem ao ensino médio e superior, como ele sonhava. Criou a siderúrgica rio-grandense, uma estatal preocupada com a indústria de base. Desapropriou a telefônica ITT, e como estatal disseminou a telefonia por todo estado. Criou uma estatal do leite, a CORLAC para garantir mercado a todos camponeses produtores de leite do estado. Antes que tivéssemos uma lei nacional de reforma agraria ou politicas fundiárias, Brizola criou o instituto gaúcho de reforma agrária- IGRA, para organizar a desapropriação de terras improdutivas para agricultores sem-terra. E sabia que a reforma agrária não dependia apenas de vontade política, mas da capacidade de organização dos trabalhadores do campo. Por isso, deu todo apoio ao nascente Movimento dos Agricultores Sem Terra, o Master, que era impulsionado pelo PTB e organizava acampamentos na beira das fazendas improdutivas. A maior delas, a Fazenda Sarandi, se transformou em um ícone da luta pela reforma agrária no Brasil. Tinha 24 mil hectares de terras fertilíssimas no município que lhe empresta o nome, e era propriedade de latifundiários uruguaios, os Mailios, que se interessavam apenas pela exploração dos pinheirais. Brizola não teve dúvida e, com sua lei estadual, desapropriou a fazenda Sarandi, distribuindo a terra para centenas de famílias de sem terras da região. De volta do exílio, amargou mais duas derrotas institucionais: perdeu o controle da sigla que tanto sonhara, o PTB, e também o apoio de parte de seus companheiros e companheiras, que preferiram ficar no MDB. Mesmo assim, disputou o governo do Rio. E venceu, apesar do Serviço Nacional de Inteligência, hoje ABIN, que tentava de qualquer maneira impedir sua vitória e estava fraudando os boletins. Uma soma paralela de imprensa impediu o golpe. No Rio, Brizola tentou implementar de novo políticas públicas revolucionárias. E cercou-se de grandes sábios como Oscar Niemeyer, Darci Ribeiro, Nilo Batista, entre outros, e passou a redesenhar o estado. E a marca de seu governo foi, de novo, a educação, com a implantação dos CIEPS, que garantiam ensino fundamental e médio, em tempo integral a todos estudantes, de forma gratuita, com todos os instrumentos pedagógicos possíveis. Em 1989, disputou as eleições presidenciais, quase chegou ao segundo turno, mas perdeu pelo novo reascenso do movimento de massas que brotou da luta contra a ditadura e que havia criado o PT, a CUT, o MST como uma nova geração de lutadores. Nas eleições seguintes, voltou a ser governador do Rio e chegou a ser candidato a vice do Lula. E, quem sabe, uma de suas últimas vitórias foi ter conquistado na Justiça o direito de resposta no Jornal Nacional, em que o Cid Moreira teve ler uma nota escrita pelo Brizola, em que denunciava o papel manipulador da Globo, que ajudou a dar o golpe de 1964 e se beneficiou dele para construir um império midiático até hoje. Grande Brizola, foi uma figuraça, um estadista, um homem comprometido com seu tempo e com o povo brasileiro. Fazem faltas figuras públicas desta tradição. João Pedro Stedile é economista e ativista social brasileiro. É graduado em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e pós-graduado pela Universidade Nacional Autônoma do México. Atua na causa da Reforma Agrária, Agroecologia e das causas populares.   CONTRIBUA COM O CONSTRUIR RESISTÊNCIA, SEU SITE DE LUTA! Ajude a manter vivo o Construir Resistência. Qualquer quantia é bem vinda. Em nome do editor Simão Félix Zygband 11 997268051 (copie e cole este número no seu pix) Ou ainda acessando os anúncios que aparecem na página     

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Filme de 1918 sobre a vida na Amazônia é encontrado em Praga

Guto Alves – Fundação  Perseu Abramo Quase um século desaparecido, filme de 1918 sobre a vida na Amazônia de Silvino Santos é encontrado em Praga. Obra mostra imagens raras de povos originários expulsos de suas terras TESOURO DO CINEMA O filme do cineasta português realizado em 1918 é considerado uma joia da cinematografia brasileira por sua duração, temática e qualidade de composição. O filme foi encontrado em um arquivo em Praga Quase um século depois, um documentário de 1918 sobre a Amazônia foi redescoberto. A notícia foi anunciada pelo jornal britânico The Guardian, que contou a história em reportagem de Constance Malleret. “Amazonas, maior rio do mundo”, do diretor Silvino Santos, havia ficado conhecido como “santo graal” do cinema mudo brasileiro – uma joia de registro sobre a vida na Amazônia de cem anos atrás e da história do cinema nacional. O registro, que “emerge das profundezas de um arquivo tcheco”, havia sido roubado de Silvino no mesmo ano em que foi produzido. Analisado por especialistas na Itália e no Brasil, a obra teve sua autenticidade verificada. O filme estava desaparecido desde aquela época, sem que que pudesse ser exibido no Brasil. O negativo foi roubado por um associado de Santos, Propércio de Mello Saraiva, que estava negociando a venda internacional do documentário no início do século passado. Professor de artes visuais da Universidade Federal do Pará, em Belém, Savio Stoco é estudioso da obra de Silvino Santos. Ele não acreditava mais ser possível encontrar os registros. “É basicamente um milagre”, afirmou ao Guardian. “Não tínhamos a menor esperança de que este trabalho fosse encontrado um dia”. No arquivo Národní filmový, em Praga, o filme estava catalogado como produção dos Estados Unidos, com data posterior de 1925. Ao assistir, um especialista em cinema mudo teve certeza de que se tratava de uma produção anterior à data registrada e longe de ser produzida por algum norte-americano naquele momento. “Dentro de segundos, eu sabia que não era 1925, era muito mais cedo, e certamente não tinha nada a ver com nada que alguém nos EUA pudesse ter feito”, diz Weissberg, que é diretor do festival de cinema mudo Pordenone da Itália, onde o documentário foi exibido. Outras exibições estão planejadas para o final deste ano na República Tcheca e no Brasil, embora a exibição do documentário levante questões sobre o olhar colonialista de Santos. Para Sokos, trata-se de um registro importante que impacta pela construção do diretor e o trabalho de linguagem no gênero. “Mistura diferentes dimensões do gênero documentário em uma narrativa muito agradável para o espectador”, define. “É claro que é um filme marcado pela perspectiva da época e por seus financiadores, que eram membros da elite comercial de Manaus”, diz Stoco, Ele destaca também que o filme tem ênfase no potencial comercial da região, além de registrar povos indígenas sem reconhecer os horrores que enfrentaram. Para realizar o filme, Santos havia sido financiado por um barão peruano de borracha, explica o professor. “Não podia falar sobre as atrocidades que estavam ocorrendo”, defende. O filme apresenta imagens exuberantes e fascinantes de paisagens e habitantes da floresta amazônica, registros que, por si só já seriam raros, ainda que tivessem sido preservados. Dada a pouca produção documental da região nesta época, a peça é uma fundamental para compreender o cinema brasileiro, além dos registros raríssimos que o filme apresenta, incluindo algumas das primeiras imagens em movimento conhecidas do povo indígena Witoto, que chegou a ser escravizado e forçado a sair da região em que viviam. Os Witoto habitam, hoje já em menor número de habitantes, a região conhecida como Médio Solimões, por onde passa o caudaloso Rio Solimões. Atualmente, a região enfrenta um período de seca severa causada pelo fenômeno climático conhecido como El Niño. Em imagem registrada uma semana após a revelação da descoberta do filme, o fotojornalista Lalo de Almeida registrou um pescador ribeirinho atravessando um trecho do leito do rio a pé – a imagem lembra alguém atravessando um deserto. É chocante. Se o filme foi produzido como uma forma de exaltar a exploração comercial da região, hoje renasce como um registro importante que reforça a importância de combater a exploração do “potencial amazônico” com prejuízos a povos originários, ribeirinhos, fauna e flora. Todo o bioma está ameaçado. As grandes cidades próximas também já sentem os efeitos da exploração desenfreada, que acelera efeitos climáticos e intensifica os prejuízos. Santos era nascido em Portugal e trabalhava como diretor de fotografia. Passou a maior parte da vida na Amazônia e se firmou como um dos principais cineastas documentais no Brasil, no início do século 20. Seu filme mais conhecido é “No paiz das amazonas” (1922), que muitos acreditam ser uma tentativa de refazer o filme perdido de quatro anos antes. Pouco antes de sua morte, em 1969, o diretor escreveu suas memórias em um diário e lá se expressou pela última vez sobre o filme. “Ainda está na órbita dos planetas”, definiu. Ainda segundo a reportagem, o documentário, roubado por Propércio Saraiva, circulou com grande aclamação na Europa por alguns anos, mas já em 1931 todos os vestígios dele haviam desaparecido. Apesar do destaque na imprensa internacional e da grandeza dessa descoberta, a notícia não foi repercutida por grandes veículos brasileiros.   CONTRIBUA COM O CONSTRUIR RESISTÊNCIA, SEU SITE DE LUTA! Ajude a manter vivo o Construir Resistência. Qualquer quantia é bem vinda. Em nome do editor Simão Félix Zygband 11 997268051 (copie e cole este número no seu pix) Ou ainda acessando os anúncios que aparecem na página   

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