Por Léo Bueno
Tem gente insistindo na ideia de debate, retórica, convencimento pelo diálogo com bozominions de escol para tentar reverter o extremismo de direita instaurado no Brasil e no mundo.
Talvez o caso da mulher da foto dê uma perspectiva diferente.
Iraci Nagoshi (foto) tem 71 anos. Estava em Brasília na quebradeira do 8 de Janeiro. Foi uma das mais de mil pessoas presas durante a tentativa de golpe.
Em março de 2024, ela virou case para a direita se fazer de coitada – mais ou menos como o Bozo está fazendo de si mesmo agora. Condenada a 14 anos de prisão, assustou o cidadão de bem.
Como é que pode uma senhorinha dessas receber uma pena tão rigorosa?
Recebeu, e veículos de mídia fizeram algum alarde para reforçar a imagem de impiedade do STF, Alexandre de Moraes principalmente.
Até o Elon Musk entrou na jogada, chamando a condenação de ‘preocupante’. Uma senhorinha tão inofensiva, não?
A verdade, e para isso poucos veículos deram destaque, é que a dita-cuja foi para a prisão domiciliar. Ela tinha operado a perna em março de 2024 e, claro, era idosa. Houve transigência.
Pois bem: hoje a velhinha foi mandada de volta pra cadeia, e sem escalas. O STF já tinha avisado em duas ocasiões que ela não podia descumprir as exigências para a domiciliar.
Mas descumpriu QUASE MIL VEZES (!). Tirou a tornozeleira, não comunicou falha da bateria, coisas técnicas também. Saiu por aí à toa, foi fazer hidroginástica e pilates.
O que ocorre é que existe uma cultura por parte dessa classe média bolsonarista segundo a qual a lei não se lhes aplica.
Devia existir e servir para defendê-los de pretos e pobres e esquerdistas; quando incidente sobre eles próprios, é um detalhe de somenos importância.
Cabe lembrar que a dita lei é exalada por um sistema legal que tenta fazer do nosso país uma democracia. A senhorinha é um verdadeiro símbolo de desprezo às regras do jogo democrático.
É essa mesma cultura que faz tantos e tantos políticos, da direita principalmente, agirem como se a coisa pública fosse a casa da mãe joana.
É ela que faz aquele seu vizinho que tem um Audi fechar você no trânsito e ainda te ameaçar se você reclama.
Foi imbuídos dela que os milhares de bolsonaristas tentaram destruir Brasília para reconduzir o mito deles ao poder.
É, em última análise, essa cultura que permite ao Bozo e seus filhos sapatearem em cima da lei diuturnamente.
Quando a gente diz que com fascista não se discute, é justamente essa cultura que põe barreira na discussão.
Não há racionalidade possível para quem não entende o conceito de burla à lei. Imagine você, pessoa lida, estudada, experiente, tentando, com argumentos razoáveis, convencer sobre a democracia uma pessoa que infringe a regra quase mil vezes em um ano.
Ela não liga para a lei e os seus argumentos vai transformar em cocô de pombo.
Melhor prender e passar pra próxima.
PS. Se for dada ao Bolsonaro a chance de infringir suas restrições quase mil vezes, ele basicamente vai conseguir fugir pra Plutão.
PPS. Nagoshi não foi a única mandada de volta pro xilindró. Vildete Guardia, 74 anos, teve domiciliar permitida em abril desse ano.
A família disse que a pobrezinha estava pesando 40 kg, cadeira de rodas, retocolite, cisto, trombose, o diabo a quatro. Isso segundo a família.
Solta, violou as condições da domiciliar 20 vezes; ao mesmo tempo, um laudo prisional atestou que ela tinha condições de ficar no cárcere.
Quer dizer, eles não aprendem!

Léo Bueno é jornalista











