Por Ned Oliveira – Notícias do Espaço
Donald Trump, presidente dos EUA, vai mesmo bloquear GPS no Brasil?
O GPS é dos EUA, e se eles desligarem, o Brasil para?
Me pediram para explicar sobre essa história que está rolando por aí que diz que, quando compramos um celular, pagamos uma taxa pros EUA por usar o GPS.
E que, se os americanos desligarem o GPS no Brasil, 75% da agricultura, mineração e petróleo param.
Spoiler: não é bem assim.
Primeiro: não pagamos nada pro governo dos EUA por usar o GPS.
O sinal civil do GPS é gratuito e aberto ao mundo.
O que você paga é o celular (e o chip que capta o sinal).
Nenhuma parte vai pro Departamento de Defesa dos EUA.
Mas é verdade que o GPS é dos EUA. Ele foi criado e é mantido pelo Departamento de Defesa americano.
Eles podem desligar ou degradar o sinal, sim. E já fizeram isso em áreas de guerra. Mas desligar o GPS do Brasil?
Improvável e seria um caos diplomático.
E se isso acontecesse? Você pode se surpreender, mas o impacto não seria tão grande quanto dizem.
Por quê? Porque a maioria dos aparelhos (inclusive celulares, tratores, drones etc.) já usa vários sistemas de navegação além do GPS
Quais sistemas?
📡 GLONASS – Rússia
📡 Galileo – União Europeia
📡 BeiDou – China
📡 E até o indiano NavIC em alguns casos.
Se o GPS falhar, os outros continuam funcionando, sem que você perceba.
Sobre a história de que “75% da agricultura, 70% da mineração e 80% dos postos de petróleo parariam”…
É exagerada. Esses setores usam intensamente geolocalização, mas não dependem só do GPS americano. Já operam com redundância.
E o usuário comum?
Tipo quem usa Google Maps, Waze, Uber, iFood?
Fica tranquilo. Seu celular combina sinais de satélite com Wi-Fi, redes móveis e sensores internos.
Mesmo se o GPS cair, a localização continua funcionando (talvez com menos precisão).
Tá, mas por que o Brasil não tem o seu próprio sistema de navegação?
Resposta curta: porque é caríssimo. Criar e manter um sistema tipo GPS exige dezenas de satélites, lançamentos, estações de controle, bilhões de dólares e décadas de investimento.
O Brasil já participou de projetos como o CBERS (com a China) e tem acordos com o sistema europeu Galileo. Mas um sistema 100% nacional de navegação por satélite?
Por enquanto, não compensa economicamente nem estrategicamente.
Resumo:
– Você não paga pelo GPS.
– O Brasil não depende só dele.
– Os setores críticos usam múltiplos sistemas.
– O cidadão comum nem perceberia se o GPS sumisse.
– E criar um GPS brasileiro custa caro e não vale hoje.
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