Por Adriana do Amaral
Desde segunda-feira (25), um grupo de pesquisadores percorre as ruas de #SãoPaulo com uma missão muito esperada pelos ativistas na defesa da #pessoaemsituaçãoderua. Finalmente, um novo #CensodaPopRua está sendo realizado. Desde 2019, quando foi contabilizado pouco mais de 24 mil pessoas vivendo nas ruas da capital paulista, esta contagem não é atualizada, mas basta dar um passeio pela cidade para conferirmos o aumento dos desabrigados.
Estima-se que o número de cidadãos brasileiros que não têm casa ou um lugar para se proteger do frio, sol, chuva, fome e violência tenha triplicado. O perfil dos que vivem ao relento mudou radicalmente, dos indivíduos em situação de vulnerabilidade diversas para famílias afetadas pela atual crise econômica.
Um fenômeno recente, desencadeado durante a #pandemia da #Covid-19, mas advinda da política neoliberal, que empobrece a população e fomenta a população dos sem direitos. O governo Federal atual é excludente, os estaduais e municipais replicam esse modelo. A sociedade brasileira, em medidas diferentes, é conivente com o descarte da vida humana. Uma realidade onde só tem valor quem produz valor.
Saber quem são, onde estão, como vivem e porquê vivem nas ruas. Também as origens, os dilemas e os sonhos de cada um é fundamental para buscar soluções individuais, que contemplem o sonho do Pão, Trabalho e Chão. Não há soluções fáceis, pois a atenção tem de ser direcionada, passando pela humanização, valorização e cumprimento dos Direitos Humanos universais.
Durante participação no Congresso da #UniversidadeMetodistadeSãoPaulo, na terça-feira (26), o padre #JulioLancellotti questionou como o Censo da População de Rua de São Paulo está sendo realizado. Os recenseadores reclamam que não encontram as pessoas nas ruas para abordar.
“O Censo vai chegar a conclusão de que não há pessoas vivendo nas ruas de São Paulo”, ironizou o religioso, conhecido internacionalmente por sua luta pessoal e diária em prol da valorização da dignidade humana. Os oprimidos, como conceituou o #PatronodaEducaçãoBrasileira, #PauloFreire. Os “pequenos”, como define padre Julio.
Para o poeta das ruas, cidadão brasileiro que viver nas ruas após um acidente de trabalho e que hoje milita no Movimento Internacional da População de Rua, Sebastião Nicomedes de Oliveira, o Tião, o Censo é fundamental. Porém, questiona o atual, pelo uso político do mesmo.
“A pesquisa censitária da pessoa em situação de rua tem uma importância para a construção das politicas públicas, pois a cada três ou quatro anos o Censo define as diretrizes e orçamento para esse período.” Para ele, não se deve contar cabeças, mas saber quantas pessoas vivem nessa situação para criar serviços de acolhimento, de saúde, de habitação eficazes. Lembra que são políticas das pastas da Assistência Social e Direitos Humanos, mas deveriam se articular com outras secretarias. “Só a contagem real dos dados gerará um sistema real de atendimento”.
Pois é aí que iniciam-se os problemas. Padre Julio enfatiza que não haverá solução enquanto as políticas públicas estiverem relacionadas a um padrão diferente do real. “A lógica do sistema político e econômico atual é neoliberal, que produz o descarte. O conceito de política pública vigente é tutelar, não gera a autonomia.
Roseli Kraemer Esquilaro, Conselheira do Comitê PopRua de São Paulo, está participando do Censo. Segundo ela, há várias questões a serem pontuadas, inclusive que podem comprometer o resultado. A pesquisa, norteada por um mapeamento prévio, não considera a população diurna, que se movimenta pela capital paulista em busca de comida e bicos de trabalho, mas apenas é realizada durante as madrugadas, quando é mais difícil chegar ou conversar com as pessoas em situação de rua. “Eu entro em tocas, vales, lixo, beira de córrego, embaixo de viaduto, procuro em todos os cantos”, relata, mas a abordagem noturna é mais perigosa e difícil.
Outro problema é que os pesquisadores não são acompanhados por agentes da atenção municipal. Assim, as pessoas que são abordadas e respondem ao questionário têm muitas dúvidas sobre a assistência e alguns recenseadores, como ela, acabam perdendo tempo para responder e não têm como direcionar as pessoas que buscam e precisam de ajuda.
O mais grave, porém, é que só é considerado morador de rua o indivíduo que dorme ao léu. Ou seja, se ele construiu uma casa improvisada com lona, papelão ou madeirite, ou vive em grupo para se proteger, a “moradia” é considerada ocupação. Relata que pode fazer observações pelo que testemunhou, mas como elas serão compiladas?
Como lembra Tião, “a falha nessa contagem compromete o resultado do Censo ao minimizar a situação real. Para ele, é uma ilusão achar que é possível tirar as pessoas das ruas.
“Não é essa a ideia, mas oferecer condições para pessoas que queiram ou possam sair da situação de rua.” Conhecedor da realidade das ruas como pouco, ele questiona também o mapeamento prévio.
Tanto Padre Julio quanto Tião enfatizam o fato de a empresa contratada para realizar o Censo, a Qualitest, do Espírito Santo, alegar que não está encontrando as pessoas nas ruas. O religioso lembra que a política da miserabilidade é dominante, Tião acrescenta que os invisibilizados jamais são vistos. Ambos acreditam que a solução é individual e o recomeço da reinserção social se inicia com a moradia social.
“Tem causado espanto o fato de os recenseadores não encontrarem as pessoas”, observa Tião. Padre Julio provoca: por que o Censo não está encontrando as pessoas nas ruas de São Paulo?
“O número irreal da nossa PopRua tem sido questionado e estou empenhada em achar as pessoas que estão vivendo em situação de rua, procurando em todos os lugares. É uma situação muito grave, pois essas população aumentou muito”, conta Roseli. Segundo ela, durante o dia eles descansam mais também trabalham na reciclagem, no comércio, nas ruas buscando comida. Durante a noite eles vagam, nômades, em busca de um canto para se proteger, que pode ser qualquer lugar…”
Tião diz que mais do que a contagem, o Censo deve levantar perfis de pessoas e suas histórias, mapeando uma realidade, caso contrário, as respostas apenas por amostragem comprometerá o resultado. E pergunta:
Sem tirar o mérito da pontuação do edital, por que a Qualitest e não a FIPE – Fundação de Pesquisas Econômicas de São Paulo, por exemplo?
“A miséria hoje é uma condição humana onde as pessoas apodrecem em vida. É pior do que a prisão perpétua”, denuncia padre Julio.
Tudo indica ser uma indicação política.
#Todavidatemvalor,


Fotos: Tião Nicomedes










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Adriana do Amaral boa tarde me Chamo Anderson sou um dos recenseadores do censo de 2019 que já foi errôneo em números, vice presidente do movimento estadual e agente social do consultório na rua, vejo esse censo como mais um mentiroso, pela mesma empresa que não relatou o número exato e real do último censo.
Até quando a poprua será excluída e não terá sua voz ativa.
Deixo meu contato para maiores informações ou até mesmo uma entrevista futura.
(11)98355-6174
Anderson Puccetti
Vice presidente do movimento estadual da população em situação de rua de São Paulo e agente social do consultório na rua.
Olá, Anderson! Vou contatá-lo, pois o Construir Resistência irá acompanhar todo o processo do Censo da PopRua e a sua experiência e opinião é fundamental para entendermos as lacunas e procurar soluções juntos.
Forte abraço, Adriana
Perfeito Adriana ficarei aguardando e me sinto honrado em poder contribuir com essa matéria e seu trabalho com informações que necessitam ser ditas de forma verídica e coerentes para que o pessoal saiba que a população em situação de rua seja vista e não continue sendo observada de forma excludente.