Construir Resistência

18 de maio de 2023

Após silêncio, entorno de Bolsonaro vê recado de que Cid pode considerar delação

Por Andréia Sadi – do G1 Segundo fonte, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro não respondeu a perguntas durante o depoimento O motivo oficial para o silêncio do tenente-coronel Mauro Cid durante depoimento à Polícia Federal (PF) é que a defesa dele não teve acesso ao resultado da perícia no celular e em outros itens apreendidos na operação que levou à sua prisão. No entanto, pessoas no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão preocupadas com a postura do ex-ajudante de ordens. Eles acreditam que o silêncio pode significar que houve uma mudança de rota e que Cid pode estar cogitando fazer uma delação premiada – sinal que se soma ao fato de Bernardo Fenelon, especialista nesse tipo de colaboração, ter sido nomeado para fazer sua defesa após a saída de Rodrigo Roca, ligado à família Bolsonaro. O tenente-coronel Mauro Cid, que era ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, foi preso no começo de maio em investigação que apura fraude nos cartões de vacina do ex-presidente, da filha dele e de outras pessoas de seu entorno. Em depoimento à PF na terça-feira (16), o ex-presidente disse que, se o ex-ajudante de ordens arquitetou a fraude, o fez “à revelia”. Bolsonaro afirmou também que não tinha qualquer conhecimento sobre o esquema e que não deu orientação a Cid para isso.

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O Panorama Político com Moisés Mendes

Por Moisés Mendes Aconteceu o que poucos previam. O coronel Mauro Cid ficou calado no depoimento à Polícia Federal, ao contrário de Bolsonaro, que falou muito. Está tentando ganhar tempo. Mas talvez não consiga sair da cadeia tão cedo. E a CPI da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou hoje a convocação do ajudante. Na semana que vem teremos novidades. Nem na ditadura Nunca antes, nem na ditadura, o Brasil teve tantos jornalistas, humoristas, políticos, empresários e religiosos fascistas. O sistema Sergio Moro e Deltan Dallagnol se reuniram depois da cassação do mandato do ex-procurador, para tentar uma saída. Na Lava-Jato, eles tramavam sem escrúpulos para criar armadilhas para os inimigos e chegar até Lula. Agora, como políticos, tentam usar as mesmas artimanhas que condenavam no ‘sistema’ e deliram com a possiblidade de uma anistia a Dallagnol. São dois caras antissistema dentro do sistema que não dominam. Mas ambos são amadores e simplórios demais para entender o sistema que vai comê-los. Comeu um e vai comer o outro. Não é o sistema de Justiça que está se livrando deles, é o sistema político mesmo. O sistema de Justiça só teve a chance que não imaginava ter e fez o serviço. O sistema, qualquer sistema, cobra caro. Humor reacionário Fábio Porchat defendendo piada com conteúdo racista e homofóbico, em nome da liberdade de expressão que ri até de crianças com deficiências. É a mesma conversa das estruturas fascistas das plataformas na Internet. As plataformas deixam racismo, violência e ódio soltos nas redes, mas censuram textos sobre o cinismo de suas posições, como esse aqui. Não há diferença entre o que o humorista e as plataformas pensam. Esse Porchat parece meio bobão. Ficou com a imagem do primo engraçado, mas o mais alienado do Porta dos Fundos. O humor só disfarça seu reacionarismo. Ele tem muito dos tucanos que ficaram sem ninho com o fim do PSDB. Inverno do fascismo Um resumo possível dos personagens das últimas semanas e seus rolos, cada em seus núcleos e entrando e saindo de cena. Mauro Cid e suas conversas com golpistas, Carluxo e suas rachadinhas, Michelle e seus dinheirinhos vivos, o Google e as plataformas da internet e suas estruturas a serviço da extrema direita, Bolsonaro e suas mentiras das vacinas fraudadas, Dallagnol e o fim do seu mandato fraudado de deputado, e Sergio Moro voltando ao núcleo principal, mas ainda com poucas falas e aparições, enquanto muita gente aparece ao longe, nas sombras, com ou sem fardas. Essa semana, Dallagnol tomou o lugar de Cid, Carluxo, Google, Michelle e Bolsonaro. Nos próximos dias, alguém vai tomar o lugar de Dallagnol. O outono só está antecipando o que será o terrível inverno do fascismo.     Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Escreve também para os jornais Extra Classe, DCM e Brasil 247. É autor do livro de crônicas Todos querem ser Mujica (Editora Diadorim). Foi colunista e editor especial de Zero Hora    

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Instalação de CPI é mais um capítulo da ofensiva contra o MST

Nota do MST O MST, por meio desta nota, denuncia a instalação da CPI contra o Movimento, feita nesta última quarta-feira (17). A Comissão é instalada sem objeto determinado e representa uma tentativa de criminalizar o MST e pressionar o governo. Ricardo Salles, relator, e Tenente Coronel Zucco, presidente, não possuem legitimidade para conduzir qualquer tipo de investigação contra um Movimento que caminha rumo aos seus 40 anos, levantando a bandeira histórica de combate à concentração de terras no Brasil. Querer criminalizar nossa luta por meio de uma CPI é estratégia para omitir as reais mazelas do campo brasileiro: crescente desmatamento, grilagem de terra, queimadas, violência no campo, uso de mão de obra análoga à escravidão, destruição e contaminação dos bens naturais pelo uso de agrotóxicos. Somente neste ano, 918 vítimas de trabalho escravo foram resgatadas, um recorde em 15 anos. Estes são os temas que deveriam ser alvo de investigação. Defendemos o cumprimento da Constituição Federal (que o bolsonarismo tentou rasgar em 8 de janeiro) na sua integralidade, inclusive no que diz respeito ao cumprimento da função social da propriedade. Tal princípio atende a critérios produtivos, ambientais e trabalhistas e devem ser combinados. Portanto, segurança jurídica se alcança ao se cumprir a Constituição. As famílias Sem Terra acampadas fazem a luta digna por terra, teto e trabalho, direitos assegurados na Carta Magna. Portanto, sabendo que nossa luta é justa e que, nesta CPI, não somos nós os criminosos, dela participaremos para apresentar a Reforma Agrária que o Brasil precisa. Nesta comissão, contaremos com a solidariedade não somente de valorosas e valorosos parlamentares, mas também com o apoio de toda a sociedade. Juntos, iremos superar mais uma tentativa de criminalizar nossa luta. A CPI passará, a luta do MST seguirá! Venceremos! Direção Nacional do MST Brasília, 18 de maio de 2023

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CPI sobre o MST existe para desviar foco de crimes do agronegócio, afirma João Pedro Stedile

Por Thalita Pires – Brasil de Fato Integrante da direção nacional do movimento avalia que parlamentares de direita querem desestabilizar o governo A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende investigar atividades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), instalada nesta semana na Câmara dos Deputados, existe para desviar o foco de ilegalidades cometidas pelo agronegócio. A avaliação é de João Pedro Stedile, integrante da direção nacional do Movimento. Presente ao evento em que foram apresentados detalhes da quarta edição da Feira Nacional da Reforma Agrária, ocorrida em São Paulo. (https://construirresistencia.com.br/feira-do-mst-comercializa-560-toneladas-de-alimentos-e-reune-320-mil-pessoas-em-sp/) Stedile propôs investigações sobre atividades de latifundiários e do agronegócio. “O que deveria ter é uma CPI para investigar quem desmatou, quem invade terra indígena, quem tem invasão em área de quilombola, quem usa agrotóxico”, pontuou. Leia mais: Governo Lula lançará programa emergencial de reforma agrária em maio, diz ministro Stedile destacou que, durante as primeiras gestões petistas na Presidência da República, parte dos parlamentares de direita e de seus apoiadores sempre fez insinuações de que o MST vivia de dinheiro público. Entretanto, lembrou que o movimento saiu fortalecido após mais de seis anos sob os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). Para o integrante da direção do MST, a CPI foi criada para tentar desestabilizar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eles querem enquadrar o governo. Muito mais, do ponto de vista da luta política, [a CPI é] contra o governo do que contra nós. É como dizer ao governo: ‘não avance na reforma agrária, não apresente plano de reforma agrária, não ajude o MST’”, complementou. Parceria com chineses Integrante da comitiva que viajou com o presidente Lula à China neste mês, Stedile contou que houve avanços nas relações do movimento com o país asiático. Desde 2022, há um acordo, inicialmente assinado com o Consórcio Nordeste, para fornecimento de maquinário para pequenos agricultores. Após a visita deste mês, ficou acertado que empresas chinesas enviarão cerca de 50 exemplares de máquinas agrícolas voltadas para pequenas propriedades. A chegada está prevista para os meses de agosto e setembro e, na sequência, haverá um período de testes. O passo seguinte é a criação de empresas com capital brasileiro e chinês para fabricação, no Brasil, das máquinas que se mostrarem mais úteis. “Todos os nossos assentamentos precisam de máquina. Ninguém quer continuar com a enxada. Mesmo pra substituir o herbicida, por exemplo, que é o veneno, tem que ter uma capinadeira mecânica. Não vai ficar com a enxada capinando 10 hectares. Mas, se tem um tratorzinho, você capina e elimina o veneno, o herbicida”, exemplificou. Ministro da agricultura Stedile falou ainda sobre a relação com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que nesta semana, em declarações a jornalistas, defendeu o direito à terra, mas disse que “invasões” são comparáveis ao episódio de 8 de janeiro deste ano, quando bolsonaristas depredaram o Palácio do Planalto e as sedes do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal em Brasília. :: “É preciso acabar com preconceito contra MST”, diz ministro da Agricultura na Festa da Colheita :: O integrante da direção do MST afirmou que Fávaro é “um homem sério, que quer uma agricultura para resolver os problemas do povo”, e disse acreditar que o ministério está “em boas mãos”. E disse, ainda, que a comparação do ministro é fruto de uma retórica comum entre agentes políticos. “Quem faz invasão no país é o agronegócio, que invade terra indígena, terra quilombola, terra pública. Isso é invasão. Apropriação de bens em proveito próprio. Ocupação é uma mobilização social dos camponeses, com suas famílias, para pressionar o governo a aplicar a Constituição. E eles misturam tudo. Na próxima vez que me encontrar com o Fávaro, vou explicar para ele”, concluiu.

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Agrofascismo: o número de urna em 2018 do relator da CPI do MST

Por Hugo Souza – Come Ananás Quando se candidatou pela primeira vez a deputado federal, Ricardo Salles estilizou seu número de urna como um calibre de fuzil e fez campanha defendendo o uso de munição de fuzil contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Em 2018, o então presidente da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), Antonio Marcos Moraes Barros, doou R$ 30 mil para a candidatura de Ricardo Salles a deputado federal pelo estado de São Paulo. O número de urna de Ricardo Salles naquela eleição, 3006, foi uma referência não exatamente velada a um tipo de bala de grosso calibre fabricada pelo seu oitavo maior doador naquela eleição: o material de campanha de Salles, então no partido Novo, trazia seu número de urna estilizado como um número de calibre de fuzil, e Salles fez campanha defendendo o uso de munição de fuzil contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Derrotado nas urnas em 2018, Ricardo Salles virou ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro. As devastadoras antipolíticas ambientais tocadas por Salles, crimes de lesa pátria e lesa humanidade, foram em grande parte responsáveis também por um rastro de conflitos e violência no campo agravados no governo Bolsonaro. Hoje deputado federal pelo PL de Bolsonaro – foi o quarto mais votado em São Paulo em 2022 -, Ricardo Salles será o relator da CPI do MST, dominada pela bancada ruralista e instalada com apoio de 42 deputados de partidos com participação no ministério do governo Lula. Depois do que fez ao país, Ricardo Salles não poderia ser um homem livre, muito menos deputado federal, muito menos relator da CPI que se debruçará sobre um movimento social o qual Salles já propôs dobrar à base do fuzil. A instalação da CPI contra a luta dos povos do campo pelo cumprimento do mandamento constitucional da função social da terra, Ricardo Salles alçado a relator dela, a força inédita da bancada ruralista – com 300 membros, engrossada pela bancada recorde do PL, ela representa hoje 58% da composição total da Câmara -, tudo isso e muito mais mostra que ainda falta muito para frear a boiada do agrofascismo

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