Construir Resistência

13 de julho de 2021

Lula: “bloqueio é uma forma de matar seres humanos que não estão em guerra”

Por Luiz Inácio Lula da Silva Foto de Fabrice Coffrini/AFP   Sobre Cuba O que está acontecendo em Cuba de tão especial pra falarem tanto?! Houve uma passeata. Inclusive vi o presidente de Cuba na passeata, conversando com as pessoas. Cuba já sofre 60 anos de bloqueio econômico dos EUA, ainda mais com a pandemia, é desumano. Já cansei de ver faixa contra Lula, contra Dilma, contra o Trump… As pessoas se manifestam. Mas você não viu nenhum soldado em Cuba com o joelho em cima do pescoço de um negro, matando ele… Os problemas de Cuba serão resolvidos pelos cubanos. Se Cuba não tivesse um bloqueio, poderia ser uma Holanda. Tem um povo intelectualmente preparado, altamente educado. Mas Cuba não conseguiu nem comprar respiradores por causa de um bloqueio desumano dos EUA. Os americanos precisam parar com esse rancor. O bloqueio é uma forma de matar seres humanos que não estão em guerra. Do que os EUA tem medo? Eu sei o que é um país tentando interferir no outro. O Biden deveria aproveitar esse momento pra ir a televisão e anunciar que vai adotar a recomendação dos países na ONU de encerrar esse bloqueio.  

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Cuba dos meus amores

Por Adriana do Amaral A #pandemia chegou a Cuba, mas a ameaça mesmo é humana e vem de longe Nunca escrevi sobre a minha viagem para #Cuba, mas acho que vivemos o momento certo para eu contar um pouco do que vi, vivi e trouxe comigo da ilha. Isso porque o país está sendo exposto atualmente. Sobrevivendo à #pandemia à própria sorte, resistindo ao embargo econômico e sendo ameaçada politicamente. Existem várias Cubas no imaginário popular. A comunista e a revolucionária, no bom e pior sentido. Uma Cuba soberana que é atingida novamente pelos interesses do capital externo enquanto a população sobrevive e tenta resistir à Covid-19. Um país que tem a melhor saúde pública do mundo, a partir da medicina própria, que desenvolveu a sua vacina e a atenção médica de qualidade, mas não tem insumos para aplicá-las. Não era Cuba libre, mas Piña Colada Embarquei num dos primeiro voos autorizados para Cuba no ano de 1989. Fretado, com poucos passageiros, inclusive alguns jornalistas como eu. Todos em férias. Fazia muito frio na capital paulista. Acompanhada de três amigas, viajamos no voo noturno, imersas na aventura de conhecer a ilha proibida. Doze horas de viagem, sem nenhum luxo a bordo. Ao desembarcarmos no Aeroporto Internacional José Marti, a orientação era não olhar nos olhos e falar o menos possível para os homens da imigração. Seria perigoso. Tínhamos de ser discretas. É claro, bateu uma insegurança, vivenciada novamente em 2019, ao desembarcar em Israel. Afinal, o medo reside no desconhecido, não é mesmo? Havana Que surpresa. Parece que havia feito uma viagem ao tempo. Lá fora parecia que o mundo havia parado. Dentro do hotel, também. Chico Buarque cantava nas rádios com a mesma frequência dos cantores bregas brasileiros. Pelas ruas de Cuba eu vivi o passado e o futuro pós revolucionário. A arquitetura do lugar, os carros da década de 1950. Em todos os cantos vivenciamos a cultura e a trajetória política. Como eu procurei Fidel Castro pelas ruas, sem encontrar… Mas a imagem de Che Guevara estava preservada como grande herói nacional. Na capital da ilha eu mantinha os olhos atentos a tudo e todos. A sorveteria gigantesca em praça pública, os centros culturais diurnos, os espetáculos noturnos: de dia, manifestações culturais públicas e gratuitas, à noite ballet e dança para turista ver. Estrangeiros que residiam no local ao mesmo tempo revelaram a alegria e agruras do lugar. Todos muito satisfeitos, porém críticos. Era impressionante quando diziam que médicos e executivos não podiam recebê-los em casa por falta de espaço ou mantimentos, mas evidenciavam as suas competências comparando aos talentos de seus países. Tivemos o privilégio de contar com uma guia local, que “contrabandeamos” para dentro do nosso hotel e passou alguns dias com a gente. Secretária executiva trilíngue, competentíssima, mas que dividia uma casa quarto e sala com a mãe, irmão e filho. Relatou-nos como viviam a escassez, mas nunca reclamou. Pelo contrário, orgulhava-se das conquistas de povo liberto. Graças a ela vivemos a Cuba que poucos turistas viram, então: a festa local, os pescadores na praia, o bar frequentado apenas por moradores e tanto mais. Com ela, também podíamos andar nos taxis destinados aos não turistas, quando tive a oportunidade de conversar com trabalhadores. Descobri Hemingway em Cuba. Sentei no el malecon, o paredão que protege a cidade do mar em Havana. Pelas ruas um novo modo de vida era revelado… Da capital pegamos o avião local rumo a duas cidades locais. Uma aeronave comercial, estatal, que mais parecia um teco-teco e iria despedaçar pelo caminho. Os comandantes nos tranquilizavam dizendo que os assentos podiam estar quebrados, mas que a viagem seria segura. Em Varadero fomos recebidos com honra. A recepção remetia ao seriado Ilha da Fantasia. Lá, convivi com iguanas gigantes, caranguejos soltos na praia, luaus e mergulho (confesso que não tive coragem). Descobri o sabor da Piña Colada, aquela surpreendente bebida feita de rum, coco e abacaxi. Não sou de beber, mas confesso que não resisti. Em Cayo Largo tive a exata dimensão de estar num paraíso. Uma ilha dentro da ilha. Mesmo vivendo no Brasil, com suas praia magnificas, nada se compara aos azuis do céu e mar e o por do sol noturno. Foi ali que eu comi lagosta pela primeira vez na vida. A viagem foi longo e deu tempo para voltar e aproveitar Havana, quando intensifiquei as conversas com os moradores. As crianças, principalmente, muito receptivas. Cada canto da capital cubana contava uma história, em cada conversa um testemunho. A maioria das pessoas que encontrei não esconderam as dificuldades do dia a dia, sobretudo em conseguir suprimentos e bens de consumo, mas quanto orgulho tinham das próprias jornadas. Principalmente da educação cubana, onde todas as crianças frequentam a escola, uniformizadas e com material escolar. A medicina era outro orgulho nacional e um dos motivos da nossa ida à Cuba, buscar tratamento para vitiligo. Só lamento um passeio que não aconteceu. Exatamente a ida para o campus da cidade universitária, por uma limitação da agenda nossa guia. Ela teve de escolher entre a visita e a consulta médica para uma de nós. Deixei Cuba com uma certeza: a comida era ruim. No Brasil descobri o motivo. Na verdade, estava vivendo as primeiras semanas de gestação, do meu primeiro filho, em Cuba. Eram os primeiros enjoos da maternidade. Cuba nunca saiu da minha mente. Aquelas experiências estão vivas em mim. Lamento não ter escrito um diário de viagem, na época. No Brasil, tive a oportunidade de conversar com vários médicos que vieram, ao longo da década de 1990, estudar ou através de intercâmbio de colaboração. Aqui, as histórias eram outras, reflexo do choque cultural, mas sempre com o orgulho da origem e do que foi conquistado pelo povo cubano. Cuba de Fidel, Cuba de Raul, Cuba de Boavista Social Club, Cuba de Karen, nossa guia. Ameaças sem fim Hoje, os moradores de Cuba vivem o drama de viver numa ilha que o mundo virou às costas. Na segunda e terça-feira (12

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Desde a Catalunha, meu grito: “Que viva o SUS!”

Por Desirée Cipriano Rabelo A notícia que eu mais temia chegou há poucos dias: um dos meus filhos deu positivo para a #Covid-19. Depois de ter perdido um irmão, vários parentes e amigos, a informação me provoca quase um pânico. Mas tento acalmar-me e analisar a situação: ela tem 19 anos, provavelmente se infectou com a variante Delta que, embora altamente contagiosa, não é tão letal. Melhor ainda: minha filha, assim como eu e meu marido, vivemos na #Catalunha, Espanha. E é esta experiência de ser um “paciente Covid” aqui que quero compartilhar com vocês. Pois o atendimento que tivemos despertou em mim o desejo de erguer um cartaz  e um brado em defesa do nosso #SUS (Sistema Único de Saúde), como tantas pessoas fazem aí no Brasil ao receber a vacina. Mesmo de longe, meu cartaz ou grito quer resgatar aquele sonho nascido lá da década de 1970, no movimento da #ReformaSanitária, que culminou com a proposta do SUS aprovada na #Constituiçãode1988. Um serviço universal e de qualidade para os cidadãos que, para funcionar, precisa de estrutura apropriada e profissionais com condições de trabalhar com dignidade – e não obrigados, a cada jornada, a se transformarem em um MacGyver – o personagem de um seriado TV conhecido por sua habilidade de salvar a si e seus companheiros sempre improvisando estratégias e instrumentos. Mas voltemos a minha filha e à Catalunha. Após ser alertada que uma companheira de balada fora contagiada, fomos ao Centro de Atenção Primária mais próximo – correspondente ao nosso posto de saúde. Lá, minha filha foi atendida e, como não apresentava sintomas, recebeu instruções para permanecer em casa e o teste foi marcado para a manhã seguinte. Após 24 horas da realização do #PCR, ela recebeu uma ligação informando sobre o resultado positivo. E, também, orientações mais detalhadas sobre os procedimentos da #quarentena, o que fazer em caso de piora etc. Precisou, ainda, responder várias perguntas tipo: ocorrência de sintomas, necessidade de atestado para o trabalho ou se sua casa oferecia condições para isolar-se (caso negativo o governo providencia um alojamento). Finalmente teve que informar sobre “contatos estreitos”, pessoas com as quais havia estado nas últimas 48 horas. Como ela já vinha fazendo a quarentena por conta própria, a lista incluía apenas o seu pai e eu. Logo depois tocou a nós dois recebermos uma chamada semelhante, basicamente com o mesmo roteiro. Os atendentes sempre eram muito simpáticos e tranquilos. No meu caso, quando perguntada sobre meu estado de saúde mental, se estava deprimida ou algo do tipo, contei que estava muito mal porque havia acabado de perder minha mãe e dois meses antes um irmão, este por #Covid-19. A atendente, então, quis saber se eu gostaria de conversar com alguém que pudesse ajudar e, eventualmente, encaminhar-me a uma consulta. Respondi que sim. Menos de duas horas depois recebi uma ligação de uma psicóloga que conversou comigo por uma hora! Com paciência e muita empatia, estimulou-me a falar de minhas perdas e, também, das coisas positivas que tinha. Também sugeriu-me preparar um ritual de despedida (já que não havia participado dos enterros) ou escrever uma carta de despedida, para ajudar mitigar a dor e fechar o ciclo. Enfim, foi um momento único de escuta amiga. Em resumo, entre o resultado positivo do teste e todos esses telefonemas não se passaram nem 10 horas! Vale dizer que o tipo de visto de residente que tenho aqui me obriga a ter um plano de saúde privado. Entretanto, com a pandemia, a administração da Catalunha (e também de outras comunidades) liberou para que todos se inscrevessem no “Servei Català de Salut” – suponho que para garantir um amplo atendimento dos moradores (e inclusive a vacinação) e ter maior controle da situação. Essa foi a minha primeira e positiva experiência de atendimento no serviço público de saúde local neste país. Isso não significa que ele seja perfeito. Com a chegada do verão, os casos de contaminação entre jovens explodiram na Espanha. Menos graves, eles não exigem tantas hospitalizações. Em compensação sobrecarregam o sistema de atenção primária. Na Catalunha, os testes nos contatos estreitos foram suspensos e só ocorrem se há sintomas. Segundo os sindicatos do setor, na Comunidade Europeia os profissionais de saúde espanhóis estão entre com pior remuneração. O que vem gerando a evasão de trabalhadores para outros países, em busca de melhores condições de trabalho e salários. E, como no Brasil, aqui também há pressões contra o #lockdown. Com uma economia fortemente baseada no turismo, o entusiasmo de empresários e trabalhadores pelo retorno dos turistas está dando lugar ao desespero. Hotéis e bares estão fechados ou funcionando com muitas limitações desde março de 2020. Graças à vacinação e aos tantos protocolos sanitários empregados, ninguém esperava outro verão de prejuízos. E já se fala oficialmente na quinta onda. Mas, mesmo com protestos, as restrições de horário e locomoção estão voltando e sendo cumpridas (com exceções das festas clandestinas – que o próprio nome já define seu caráter). Em resumo, prevalecem os argumentos médicos-científicos. Primeiro salvam-se vidas. A economia vem depois. Enfim, foi essa experiência que me faz gritar “Que viva o SUS!”. Este Sistema e seus profissionais que se confirmaram tão essenciais para o Brasil neste momento crítico, merecem muito mais. Merecem atingir a plenitude institucional, a capacidade e qualidade de atuação sonhadas há tanto tempo. Se com tão pouco ele já faz tanto, imaginem se os recursos a ele destinados chegassem integralmente? Qual é o caminho para que isso aconteça? Se o sistema de saúde aqui não é perfeito, ele já foi muito pior. E pouco a pouco está melhorando. Sem mágicas, mas com o trabalho das administrações e a pressão da população. Por isso pensei: “Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só…” E se sonharmos juntos? E se sairmos todos às ruas? E se gritamos e exigirmos em uníssono: “Que viva o SUS!!!” Texto e fotos: Desirée Cipriano Rabelo A autora é jornalista. Após aposentar-se na #UFES (Universidade Federal do Espírito

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Politizaram o futebol

Por Tião Nicomedes Nunca as posições em campo fizeram tanto sentido… A final da #CopaAmérica: mais surpreendente que a #Eurocopa. De um lado do campo: Messi; do outro: Neymar. Arena não  podia ser melhor: Estádio do Maracanã. Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa. Pela lógica, os bairros deviam estar pintados de verde e amarelo. Desenhos no asfalto, bandeirinhas nas janelas. Mas, em tempos de #pandemia, o cenário não podia ser diferente. Como politizaram o vírus, assim também fizeram com o futebol. Laterais, Direita, Esquerda, Centro do campo. Nunca fizeram tanto sentido! Torcida dividida. Tudo tão  confuso. Fica dificil saber quem estava torcendo contra ou a favor da #SeleçãoBrasileira. Quem diria que o país  do futebol vibraria tanto com o gol adversário.  Mas, convenhamos:  foi um golaço. De cobertura. Gol de placa. Dançou  quem apostou no Ney ou no Lionel. Gol de fazer alegrar  aos olhos. Di Maria quebrou a banca. Desculpa aí, Tite. Nada contra o time. A questão  é que o país anda tão  lascado que, dessa vez,  bola cantada. Nem o pão e o circo dariam jeito. De forma  alguma. Só  o governo federal  na sua teimosia de mula empacada foi incapaz de perceber isso. Pensa num sujeito teimoso, marrento. É o Bolsonaro. O cara jogou a sua autoridade constituída pelo escanteio. Tivesse tido pulso firme desde o começo, assumido de outra forma a condução  do enfrentamento à #pandemia. Mais, não. O presidente da Republica segue batendo no peito, afirmando ser contra as medidas de restrições.  Contra o lookdown. Contra o uso de máscaras. Sendo  contra o #isolamentosocial. Ele acabou se isolando da grande maioria. Se, antes, a ideia dos evangélicos era compará-lo  ao Rei Davi, o escolhido, hoje está  mais para o Rei Saul. Deposto por sua desobediência às orientações do criador. De novo a política se fundindo com a religião. Por falar em fusão: que chute na canela deu  as Forcas Armadas. As instituições estão literalmente na marca do pênalti. Com direito a cartão amarelo pra geral. Até pra o juiz. Não, o brasileiros não torceram contra o Brasil. E sim. Torcemos contra o troféu. Seria contrangedor ver o governo e os atletas erguendo a taça. Seria constrangedor, nesse momento, celebrar a vitória tendo mais de 500 mil mortos. Seria desrespeitar o luto dos familiares. Seria muita falta de empatia. Sinceramente, fosse o caso, eu aplaudiria até  gol contra. E, antes que os críticos de plantão me deem uma bicuda… Já passou da hora. Eita. Antes do apito final: Cartão Vermelho pra todos os políticos. Sem exceção. Que estejam tão ou mais preocupados com as eleições  do ano que vem…. Já  tô até vendo Jair chamando o War. Para contestar o resultado: Da partida 22. Sebastião Nicomedes de Oliveira é “poeta das ruas”. Autor da peça teatral Diário de um Carroceiro e do livro As Marvadas é artista popular. Ex-catador e ex-morador em situação de rua, integra o MIPR (Movimento Internacional de População em Situação de Rua).  

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