Sobre a morte da Juliana na Indonésia

Por Eliza Schinner

Haja burrice ao redor deste fato ocorrido com a Juliana na Indonésia. Tive a infelicidade de ler comentários, principalmente em posts de notícias anteriores à sua morte, como: “deveria estar na cozinha ao invés de se embrenhar em montanha vulcânica” ou “quem procura, acha”.

Acabo de ver uma notícia na CNN : “9 mortes em 5 anos. Por que o monte Rinjani é tão perigoso”. Gente, pelo amor da natureza! 9 mortes em 5 anos? Isso não é nada. É o curso natural das coisas. Pensem bem. Na Pedra da Gávea, no Rio, morrem pessoas todos os meses. Só em 2022 morreram 24 pessoas ali.

Todo dia morrem centenas de pessoas no Brasil, por balas perdidas ou assaltos. O Brasil é o terceiro país do mundo em número de acidentes fatais de trânsito. Em 2024, a estatística de mortes no trânsito foi de 92 pessoas POR DIA. Aí vem alguém me falar que 9 mortes em 5 anos, em uma montanha linda, alta, vulcânica, com diversos trechos lindos pra se explorar, representa perigo?

Não faz sentido achar essa montanha mais ou menos perigosa do que andar pelas ruas da Zona Norte do Rio, por exemplo. Eu hein.

Um viva a todos que gostam de explorar a natureza e suas montanhas. Se todo mundo ficasse em casa cozinhando, como sugerem os burros homens e mulheres em seus inúteis comentários, teríamos parado na Idade da Pedra.

Se não houvessem aventureiros, alpinistas, pessoas que não temem as grandes alturas, não existiriam prédios, não existiria avião, não existiriam palcos gigantes para shows, não existiria p0rra nenhuma.

Mas a internet virou o canal predileto das pessoas inúteis para julgar as atitudes de pessoas que estão fazendo alguma coisa acontecer.

Enquanto uns ficam com a bunda no sofá se sentindo os juízes da vida alheia, mulheres incríveis como a Juliana partiram pra explorar o mundo, subindo trilhas, e vendo a beleza da natureza com os próprios olhos. Gente como a gente não se contenta em ver as belezas do mundo por uma tela. E a morte faz parte da natureza.

Não faz sentido viver pra sempre, e ser levada pela natureza é certamente mais belo do que entrar para as estatísticas dos mais de 40.000 assassinatos cometidos por ano no Brasil.

Que a Juliana descanse em paz, com a paz de quem viu muitas cenas lindas pelo mundo, sem ser por uma tela. Todos os meus melhores sentimentos por essa menina e sua família. Ela arrasou. 🌸

Eliza Schinner é contrabaixista 

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Uma resposta

  1. Aqui como lá é necessário sim que haja segurança!
    Mas, concordo quando escreve que Juliana foi grande! não se conformou em ver o mundo do sofá! Que tudo evolui por pessoas como ela: fortes, destemidas e inovadoras… que VIVA NA OUTRA DIMENSÃO em paz e em movimento, porque como ela era não consigo crer que não esteja já explorando as novas possibilidades siderais!

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