Por que Léo Lins não debocha da extrema direita?

Por Moisés Mendes 

Romeu Zema entende que, dependendo do ponto de vista, houve ou não ditadura no Brasil. Dedicado ao projeto de ser o novo Bolsonaro, o mineiro reativa a falsa dúvida do fascismo e assim passa a sua convicção: não houve ditadura no Brasil.

Zema requenta o dilema cretino sobre o que possa ter acontecido depois de 64, enquanto certos humoristas, principalmente os de palco, à esquerda e à direita, passam a certeza de que podem fazer piadas com negros, gays, autistas. Ambos são das mesmas turmas.

Esperemos que os discordantes de Lins reabilitem o humor nacional, para que o público órfão de novos humoristas valentes de palco e internet não tenha que assistir porcarias transfóbicas com o nome de stand-up. Eu já embarquei nessa fria.

Não falem, por favor, das exceções em meio ao covarde humor nacional, incapaz de levar para o palco até hoje algo que nos coloque, pelo escracho, dentro do que foi o fascismo de quatro anos de Bolsonaro e, agora, da tentativa de rearticulação dessa gente.

Claro que a condenação a oito anos de cadeia não faz sentido. Nem seus piores inimigos conseguiriam rir dessa desgraça. A sentença, que deverá ser revogada, pelo menos oferece pauta sobre a covardia de piadistas dos tempos bolsonaristas.

Eu trocaria por outra pena. Como reparação, os que pagam para vê-lo e patrocinam esse humor raso e precário deveriam ser condenados a custear, por PIX, a permanência de Carla Zambelli na Itália.

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O editor desse blog e autor do texto acima sobre Léo Lins foi condenado no ano passado, pela Justiça de primeira instância de Brusque, por ter escrito que o véio da Havan, defensor das liberdades, deveria inaugurar uma loja da sua rede com uma réplica grotesca da estátua da liberdade em Cabul. O texto foi considerado ofensivo e propagador de ódio. Por quê? Porque talvez o véio passasse a ser perseguido pelos talibãs. Então, vão parar com essa conversinha fiada de liberdade de expressão. Que no Brasil só vale para reaças e para a extrema direita.

Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Foi colunista e editor especial de Zero Hora. Escreve também para os jornais Extra Classe, Jornalistas pela Democracia e Brasil 247. É autor do livro de crônicas ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim)

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