Por Luiz Eduardo Rezende
O Secretário Especial de Cultura, Mário Frias, artista odiado por dez entre dez colegas da classe artística, segundo o jornal “O Globo”, acaba de contratar por R$ 3,6 milhões, sem licitação, a empresa Construtora Imperial Eireli, aberta em 2019 na Paraíba, para fazer um serviço de manutenção e conservação no Centro Técnico Audiovisual, no Rio de Janeiro, que está caindo aos pedaços.
Mário Frias deveria escolher melhor com quem negocia. Ou, pelo menos, fazer licitação, como manda a lei. Essa empresa paraibana, que jamais prestou qualquer serviço no Rio de Janeiro, pois fica a 2.400 quilômetros da capital fluminense, não tem funcionários e a sede é numa caixa postal. Também não tem site ou qualquer outro meio que detalhe os serviços que presta ou já prestou. Nunca poderia ser contratada por um órgão federal.
Mas as irregularidades, se é que podemos chamar assim para sermos delicados, não param por aí. A dona da empresa, Danielle Nunes de Araújo, é uma tremenda 171. Durante a fase mais aguda da pandemia se inscreveu no programa emergencial do governo e recebeu os R$ 600,00 durante oito meses.
Está aí o retrato do governo incorruptível de Jair Bolsonaro. Mário Frias não se contenta em tentar exterminar a cultura no país, em vez de promover, como deveria. Gosta também de uns negocinhos com empresas estranhas como essa.
O motivo não sabemos. Mas que esse Mário Frias é um artista de quinta categoria, isso ele é mesmo.
SAIA JUSTA
Impagável a cara de paisagem do presidente do PL e líder do Centrão, Valdemar Costa Neto, na cerimônia de filiação do presidente Jair Bolsonaro ao partido, durante o discurso extemporâneo e mal educado do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, sempre inconveniente em suas intervenções.
Flávio Bolsonaro, em vez de festejar o ingresso do pai no PL, resolveu mais uma vez demonstrar seu ódio ao ex-presidente Lula, por ele chamado várias vezes de ex-presidiário. Acontece que junto dele estava Valdemar Costa Neto, acusado, condenado e preso por corrupção no processo do Mensalão.
O senador não teve ao menos a gentileza de respeitar o anfitrião, que bem ou mal está abrindo as portas do partido à família Bolsonaro, principalmente ao presidente, que precisa estar filiado a uma legenda para se candidatar à reeleição.
Velho político, acostumado a enfrentar situações constrangedoras, principalmente depois do mensalão, Valdemar Costa Neto fingiu que nem era com ele. Fez cara de quem não estava entendendo nada e ainda aplaudiu Flávio Bolsonaro ao final do discurso.
Mas para uma raposa sempre pronta a invadir o galinheiro de algum incauto, Costa Neto certamente não vai esquecer a deselegância de Flávio Bolsonaro.
O filho do presidente e o próprio Jair Bolsonaro que esperem a volta!
O FATOR MORO
Menos de um mês após o ato de filiação ao Podemos e de admitir que será candidato a presidente, o ex-ministro Sérgio Moro saiu de traço nas pesquisas para quase 14% das intenções de votos, se credenciando como o principal nome para conquistar os eleitores que aguardam uma candidatura viável da terceira via, capaz de abalar a disputa entre Lula e Bolsonaro.
A candidatura Moro, que praticamente sepultou as intenções de Ciro Gomes, não interessa a nenhum dos dois candidatos que centralizam a disputa no momento. É pior para Bolsonaro, com certeza, pois além de conquistar votos antipetistas e de adeptos da terceira via, ainda seduz muitos bolsonaristas arrependidos.
Mas também não é boa para Lula. O ex-presidente, que está evitando tocar no tema corrupção em sua pregação como candidato, prefere mil vezes enfrentar Bolsonaro no segundo turno. Um embate com Moro poderia trazer à tona todas as acusações da Lava Jato e consequentemente reacender a rejeição a ele e ao PT, que só não é maior que a do atual presidente.
A entrada de Moro na disputa mexeu com o quadro eleitoral, que se apresentava estável com a polarização entre Lula e Bolsonaro. Lula tem uma situação mais tranquila em relação ao segundo turno, mas os bolsonaristas estão preocupados.
CIRO DERRETE
As últimas pesquisas já trazem o ex-ministro Sério Moro em terceiro lugar, desbancando Ciro Gomes, que passa a integrar um grupo com chances mínimas de sucesso, composto por Dória, Rodrigo Pacheco e Simone Tebet, já que Mandetta retirou a candidatura e Geraldo Alkmin negocia ser vice de Lula.
Até agora pelo menos não se confirmou a notícia de que Ciro poderia renunciar também. Dificilmente o coronel de Sobral faria isso agora, a um ano da eleição. Lá para março ou abril, se as pesquisas mostrarem que a candidatura é inviável, aí sim, isso poderia acontecer.
Mas não esperem que Ciro saia da disputa para apoiar Moro. Os ataques que já está fazendo ao ex-ministro mostram que uma aliança futura seria muito difícil, se não impossível. O mais previsível é que Ciro, renunciando antes ou não indo para o segundo turno, fique neutro, como fez em 2018 quando viajou para Paris e não se engajou na campanha de Fernando Haddad.
As próximas pesquisas vão determinar o comportamento de Ciro Gomes. Por incrível que pareça quem mais torce para ele não renunciar é Jair Bolsonaro. Afinal de contas o candidato do PDT tira votos de Lula e principalmente de Moro.
PERIGO AUMENTA
As obras de conclusão da Usina Angra 3 continuam e o governo até agora não se preocupou em elaborar um plano eficiente de fuga da população, em caso de acidente, como os que aconteceram na Rússia e no Japão. Foi uma temeridade terem construído as usinas nucleares no meio do caminho entre as duas maiores cidades do país.
Se errar é humano, embora não tenha sido esse o caso, persistir no erro é burrice. O Ministério das Minas e Energia estuda a possibilidade de construir a quarta usina nuclear também no Estado do Rio de Janeiro. A desculpa é que essas usinas devem ficar perto do mar para captarem a água que resfria os reatores.
Ora, ora, até parece que no Brasil só existe mar no Rio de Janeiro. O país tem oito mil quilômetros de litoral, muitos locais de praia praticamente isolados, onde uma usina não colocaria em risco à população. Linhas de transmissão trariam a energia gerada para as cidades mais populosas. Nada difícil para a tecnologia moderna.
É complicado entender a razão da escolha do Rio de Janeiro para abrigar mais uma usina nuclear. Os técnicos do ministério devem essa explicação aos fluminenses.
BOM SENSO PREVALECEU
O prefeito Eduardo Paes custou mas cedeu e anunciou o cancelamento das festas de fim de ano promovidas pela prefeitura em Copacabana e em vários outros pontos da cidade. Seguiu a orientação do governo do estado e o exemplo de quase todas as capitais brasileiras, que optaram por não promover as festas de ano novo por causa da variante Ômicron.
É claro que o réveillon traz recursos para a cidade, atrai turistas de todo lugar e diverte os cariocas. Mas realmente não é hora de reunir tanta gente num lugar só, de corrermos o risco de um recrudescimento da pandemia, justamente num momento em que o Rio tem os índices mais baixos de internações e mortes por Covid-19.
Cancelada a festa de fim de ano, as atenções se voltam agora para o carnaval, que por enquanto está mantido. O bom senso manda que a prefeitura acompanhe muito de perto os índices de vacinação e de contaminação pelo vírus na cidade. E se optar por manter o carnaval de rua e o desfile das escolas de samba que observe todos os cuidados aconselhados pelos infectologistas.
Carnaval é bom, muito bom. Mas não com o risco de milhares de internações e mortes por causa das aglomerações.
FOTOS

Mário Frias: contrato suspeito (IstoÉ|)

Valdemar Costa Neto, que se fingiu de morto em discurso de Flávio Bolsonaro (Reuters)

Sérgio Moro cresce nas pesquisas (Saulo Rolim/Podemos)

Ciro Gomes tem candidatura ameaçada (Cristiano Mariz/Veja)

Ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque: estudo para botar mais uma usina nuclear no Rio (Reprodução)
Luiz Eduardo Rezende é jornalista com passagem por grandes jornais do Rio de Janeiro, como O Globo e O Dia.
Matéria orginalmente publicada no Quarentena News.











