Mostra Ecofalante de Cinema exibe filmes de 35 países

Dos Organizadores

 

 

Evento acontece de 27/07 a 17/08, de forma híbrida e gratuita, em mais de 30 cinemas e espaços culturais da cidade de São Paulo

 

Este é o rico cardápio da 11ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, que exibe de 27 de julho a 17 de agosto, em salas paulistanas e de forma online, um total de 106 filmes.

Considerado como o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado às temáticas socioambientais, o festival é totalmente gratuito e sua programação se espalha por diferentes espaços: Reserva Cultural, Circuito Spcine (Biblioteca Roberto Santos, CCSP, CEU Perus e CFC Cidade Tiradentes) e Cinemateca Brasileira, além de Casas de Cultura, Oficinas Culturais, Centros Culturais e Fábricas de Cultura. Atividades virtuais podem ser acessadas através do endereço www.ecofalante.org.br.

Em 2022 o programa Panorama Internacional Contemporâneo está organizado a partir dos eixos Ativismo, Biodiversidade, Economia, Emergência Climática, Povos & Lugares e Trabalho, além de sessões especiais. Estão incluídos os indicados ao Oscar “Ascensão” e “Escrevendo com Fogo” (este também premiado em Sundance), além de filmes premiados nos festivais de Locarno (“Mil Incêndios”) e HotDocs (“Escola da Esperança” e “Ostrov – A Ilha Perdida”).

O Panorama promove ainda a exibição especial de três produções: a aclamada série “Uprising”, de Steve McQueen e James Rogan, e os elogiados longas-metragens “Geração Z”, de Liz Smith, e “Searchers: O Amor Está nas Redes”, de Pacho Velez.

“Ascensão”

A Homenagem a Jacques Perrin (1941-2022) exibe quatro de seus sucessos, um como produtor (“Microcosmos”) e três como codiretor: “As Estações”, “Oceanos” e “Migração Alada”, este último indicado ao Oscar.

A Retrospectiva Sarah Maldoror (1929-2020) se dá no marco dos 50 anos de “Sambizanga” (1972), obra-prima vencedora de dois prêmios no Festival de Berlim. O filme, sobre o movimento de libertação angolano, é o primeiro longa-metragem filmado na África por uma mulher negra. O evento organizou uma programação em torno da cineasta reunindo alguns de seus títulos mais icônicos, que tratam, sob diversos aspectos, de questões referentes à história e cultura africanas ou de povos com fortes raízes naquele continente.

Clássico contemporâneo e marco do cinema socioambiental, o longa “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio, é celebrado pelo evento, por ocasião dos 40 anos de sua realização.

Uma sessão especial é dedicada a “Adeus, Capitão”, o mais recente longa do cineasta Vincent Carelli. Com registros colhidos ao longo de várias décadas, é o fecho da trilogia iniciada com o premiado “Corumbiara”.

Na Competição Latino-Americana participam o argentino “Esqui”, prêmio da crítica na seção Fórum do Festival de Berlim, e “A Montanha Lembra” (Argentina/México), ganhador da competição internacional de curtas do É Tudo Verdade. Competem ainda obras premiadas no Festival de Cannes (“Céu de Agosto”, de Jasmin Tenucci), no Bafici-Buenos Aires (“A Opção Zero”, uma coprodução Cuba/Colômbia) e no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (“Rolê – Histórias dos Rolezinhos”, de Vladimir Seixas, “Lavra”, de Lucas Bambozzi, e “Ocupagem”, de Joel Pizzini).

“Koyaanisqatsi”

Outra competição, o Concurso Curta Ecofalante, reúne curtas-metragens cujos temas dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e são assinados por alunos de instituições de ensino brasileiras. Participam produções de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

A programação da 11ª Mostra Ecofalante de Cinema apresenta ainda um ciclo de debates e uma masterclass, além de uma série de entrevistas exclusivas com realizadores dos filmes, conduzidas pela documentarista e jornalista Flávia Guerra e, na série Ecofalante/WWF-Brasil, pelas jornalistas Marcela Fonseca e Gabriela Yamaguchi.

Especial 40 Anos de “Koy

Evento acontece de 27/07 a 17/08, de forma híbrida e gratuita, em mais de 30 cinemas e espaços culturais da cidade de São Paulo

Este é o rico cardápio da 11ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, que exibe de 27 de julho a 17 de agosto, em salas paulistanas e de forma online, um total de 106 filmes.

Considerado como o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado às temáticas socioambientais, o festival é totalmente gratuito e sua programação se espalha por diferentes espaços: Reserva Cultural, Circuito Spcine (Biblioteca Roberto Santos, CCSP, CEU Perus e CFC Cidade Tiradentes) e Cinemateca Brasileira, além de Casas de Cultura, Oficinas Culturais, Centros Culturais e Fábricas de Cultura. Atividades virtuais podem ser acessadas através do endereço www.ecofalante.org.br.

Em 2022 o programa Panorama Internacional Contemporâneo está organizado a partir dos eixos Ativismo, Biodiversidade, Economia, Emergência Climática, Povos & Lugares e Trabalho, além de sessões especiais. Estão incluídos os indicados ao Oscar “Ascensão” e “Escrevendo com Fogo” (este também premiado em Sundance), além de filmes premiados nos festivais de Locarno (“Mil Incêndios”) e HotDocs (“Escola da Esperança” e “Ostrov – A Ilha Perdida”).

O Panorama promove ainda a exibição especial de três produções: a aclamada série “Uprising”, de Steve McQueen e James Rogan, e os elogiados longas-metragens “Geração Z”, de Liz Smith, e “Searchers: O Amor Está nas Redes”, de Pacho Velez.

“Ascensão”

A Homenagem a Jacques Perrin (1941-2022) exibe quatro de seus sucessos, um como produtor (“Microcosmos”) e três como codiretor: “As Estações”, “Oceanos” e “Migração Alada”, este último indicado ao Oscar.

A Retrospectiva Sarah Maldoror (1929-2020) se dá no marco dos 50 anos de “Sambizanga” (1972), obra-prima vencedora de dois prêmios no Festival de Berlim. O filme, sobre o movimento de libertação angolano, é o primeiro longa-metragem filmado na África por uma mulher negra. O evento organizou uma programação em torno da cineasta reunindo alguns de seus títulos mais icônicos, que tratam, sob diversos aspectos, de questões referentes à história e cultura africanas ou de povos com fortes raízes naquele continente.

Clássico contemporâneo e marco do cinema socioambiental, o longa “Koyaanisqatsi”, de Godfrey Reggio, é celebrado pelo evento, por ocasião dos 40 anos de sua realização.

Uma sessão especial é dedicada a “Adeus, Capitão”, o mais recente longa do cineasta Vincent Carelli. Com registros colhidos ao longo de várias décadas, é o fecho da trilogia iniciada com o premiado “Corumbiara”.

Na Competição Latino-Americana participam o argentino “Esqui”, prêmio da crítica na seção Fórum do Festival de Berlim, e “A Montanha Lembra” (Argentina/México), ganhador da competição internacional de curtas do É Tudo Verdade. Competem ainda obras premiadas no Festival de Cannes (“Céu de Agosto”, de Jasmin Tenucci), no Bafici-Buenos Aires (“A Opção Zero”, uma coprodução Cuba/Colômbia) e no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (“Rolê – Histórias dos Rolezinhos”, de Vladimir Seixas, “Lavra”, de Lucas Bambozzi, e “Ocupagem”, de Joel Pizzini).

“Koyaanisqatsi”

Outra competição, o Concurso Curta Ecofalante, reúne curtas-metragens cujos temas dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e são assinados por alunos de instituições de ensino brasileiras. Participam produções de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

A programação da 11ª Mostra Ecofalante de Cinema apresenta ainda um ciclo de debates e uma masterclass, além de uma série de entrevistas exclusivas com realizadores dos filmes, conduzidas pela documentarista e jornalista Flávia Guerra e, na série Ecofalante/WWF-Brasil, pelas jornalistas Marcela Fonseca e Gabriela Yamaguchi.

Especial 40 Anos de “Koyaanisqatsi”

Celebrando os 40 anos de “Koyaanisqatsi”, a Mostra Ecofalante de Cinema exibe este hipnotizante longa-metragem, um verdadeiro marco do cinema socioambiental.

Lançado no Festival de Berlim, é o filme de estreia do diretor norte-americano Godfrey Reggio. Trata-se de um ensaio visual que narra o impacto destrutivo do modo de vida moderno no meio ambiente. Impressionou o público e a crítica por ser um retrato clarividente sobre o impacto da dita civilização sobre o planeta e a natureza, tudo  sem precisar dizer uma palavra. Tem grande destaque sua impactante trilha musical, assinada por Philip Glass, um dos compositores mais influentes do final do século 20.

Sessão Especial de “Adeus Capitão”

Gravado ao longo de 25 anos, “Adeus, Capitão” (2022), marca o capítulo final de uma trilogia desenvolvida pelo cineasta – e também antropólogo e indigenista – Vincent Carelli, que já rendeu os elogiados e premiados “Corumbiara” (2009) e “Martírio” (2016).

Codirigido com Tatiana “Tita” Almeida, o novo longa-metragem do realizador reflete sobre os males da aculturação nas populações indígenas no Brasil ao apresentar 70 anos de registros do povo Gavião, partindo do primeiro contato dos então isolados indígenas com os “kupên” (brancos).

A obra tem como protagonista o “Capitão” Krohokrenhum, que conta para suas netas a sua história. Finalizado após a morte do Capitão, o filme é a devolução póstuma destes registros. Krohokrenhum deixa sua sombra e conduz, em canto solo, as novas gerações.

“Adeus, Capitão”

Panorama Internacional Contemporâneo

Reunindo em 2022 um total de 45 produções, representando 29 países, o Panorama Internacional Contemporâneo está organizado nos seguintes eixos temáticos: “ativismo”, “biodiversidade”, “economia”, “emergência climática”, “povos & lugares” e “trabalho”.

Assinado pelos mesmos produtores de “Uma Verdade Inconveniente”, “Indústria Americana” e “Roma”, Demônios Invisíveis (2021), foi lançado no Festival de Cannes e trata dos efeitos do aquecimento global em Delhi, capital da Índia. É o segundo longa-metragem dirigido por Rahul Jain, cuja estreia, “Máquinas” (2016), foi vencedor do grande prêmio do júri no Festival de Sundance. O longa integra o eixo “emergência climática” ao lado de Uma Vez Que Você Sabe (2020), do documentarista Emmanuel Cappellin. Trata-se de um alerta: para uma parte dos cientistas, a oportunidade de evitar mudanças climáticas catastróficas já passou. A obra, exibida em eventos na Itália, Reino Unido e Hong Kong, coloca a pergunta: como se adaptar ao colapso?

No eixo “ativismo” do Panorama Internacional Contemporâneo está “Escrevendo com Fogo” (2021), sobre o primeiro e único jornal diário da Índia dirigido por mulheres. Sua equipe tem quebrado tradições, seja na linha de frente da cobertura dos maiores problemas do país ou dentro de suas casas. Dirigido por Rintu Thomas e Sushmit Ghosho filme foi vencedor do prêmio do público e prêmio especial do júri no Festival de Sundance, tendo ainda sido eleito como melhor documentário no Festival de São Francisco. No mesmo eixo curatorial, está presente também o recente “Até o Fim” (2022), de Rachel Lears, diretora revelada internacionalmente por “Virando a Mesa do Poder” (2019), que no Festival de Sundance venceu o prêmio do público. Seu novo filme focaliza quatro notáveis ​​jovens mulheres que lutam por um Green New Deal, o marco legal apresentado em 2019 nos Estados Unidos que considera o meio ambiente como uma das principais preocupações da atualidade. Elas iniciaram uma mudança histórica na política climática daquele país.

“Escrevendo com Fogo”

Animal (2021) é a mais recente obra do diretor – e conhecido escritor – francês Cyril Dion, que conquistou reputação internacional com “Amanhã” (2015), documentário que levou mais de um milhão de franceses ao cinema e foi atração de abertura da 6ª Mostra Ecofalante de Cinema. Aqui, ele aborda, a partir de dois jovens ativistas, uma geração convencida de que seu futuro está em perigo. O longa foi lançado no Festival de Cannes e integra o eixo “biodiversidade” do Panorama Internacional Contemporâneo. Na mesma seção está Birds of America (2021), de Jacques Loeuille, selecionado para o Festival de Roterdã, na Holanda. O longa focaliza a obra do naturalista John James Audubon (1785-1851), que revolucionou o mundo da ornitologia com seu livro antológico “Birds of America”. É ainda um alerta ao mostrar o quanto foi perdido em um tempo relativamente curto por causa da industrialização, da ganância e da indiferença.

No eixo curatorial “economia” estão “Ascensão”, de Jessica Kingdon, e “A Rota do Mármore”, de Sean Wang. Indicado ao Oscar de melhor documentário, “Ascensão” (2021) oferece um impressionante retrato do “Sonho Chinês”, expressão cunhada pelo Secretário-Geral do Partido Comunista e presidente da China Xi Jinping. A obra expõe a busca paradoxal por riqueza e progresso na China do século 21. Já “A Rota do Mármore” (2021) percorreu os mais prestigiosos festivais internacionais de documentários – como IDFA-Amsterdã, Visions du Réel (Suíça), CPH:DOX (Dinamarca) e Hot Docs (Canadá). O documentário acompanha a odisseia do mármore branco, extraído em larga escala na Grécia e cujo consumo global é impulsionado pelo mercado interno chinês. É também uma investigação sobre o papel da China enquanto “compradora do mundo”.

Eleito como o documentário mais inovador do ponto de vista estético-formal da Semana da Crítica do Festival de Locarno, “Mil Incêndios” (2021), do cineasta palestino-britânico Saeed Taji Farouky, conta a história de uma família de Mianmar, que pratica a extração manual de petróleo. A obra está incluída no eixo Povos & Lugares do Panorama Internacional Contemporâneo da 11ª Mostra Ecofalante de Cinema, ao lado de “Drama Telúrico” (2020). Este filme do diretor Riar Rizaldi investiga histórias alternativas da Indonésia através de uma ruminação de ruínas coloniais, o papel da tecnologia e o poder invisível da ancestralidade indígena, tendo sido selecionado para os festivais de Roterdã e DOK Leipzig (Alemanha).

“Animal”

No eixo curatorial “trabalho”, destacam-se três produções. Em Jobs For All! (2021), a dupla sueca Axel Danielson e Maximilien Van Aertryck – de “Hopptornet” (2016), exibido nos festivais de Berlim e Sundance – utiliza variado material de arquivo e o “Bolero”, de Maurice Ravel, para construir uma jornada pela história moderna do trabalho humano. Já The Gig Is Up: O Mundo É uma Plataforma (2021) traz à tona as histórias dos trabalhadores por trás dos trabalhos da economia GIG, que engloba as formas de emprego alternativo. São milhões de pessoas atuando desde em serviços de entrega de comida e transporte por aplicativo até na marcação de imagens para a inteligência artificial. Dirigido pela canadense Shannon Walsh, o longa percorreu o circuito internacional de documentários, sendo exibido nos prestigiosos festivais IDFA-Amsterdã, Hot Docs (Canadá), CPH:DOX (Dinamarca) e Dokufest (Kosovo). Regresso a Reims (Fragmentos) é um elogiado estudo sociológico da classe trabalhadora francesa nos últimos 70 anos. A atriz e ativista LGBTQIA+ Adèle Haenel (premiada no Festival de Berlim e duas vezes no Festival Sesc Melhores Filmes) é responsável pela interpretação dos textos incluídos no filme, que participou da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Seu diretor, Jean-Gabriel Périot, assina 28 títulos a partir de 2000, incluindo “Nos Défaites” (2019), vencedor do Prêmio C.I.C.A.E. no Festival de Berlim.

Em programação especial, estão incluídos ainda no Panorama Internacional Contemporâneo três produções reconhecidas planetariamente: Uprising (2020), série dirigida pelos britânicos Steve McQueen e James Rogan, Geração Z (2021), de Liz Smith, e Searchers: O Amor Está nas Redes (2020), de Pacho Velez.

Com exibição de seus três episódios, somando 180 minutos, Uprising examina eventos passados no Reino Unido em 1981: o fogo de New Cross, que vitimou 13 jovens negros; o primeiro protesto de massas organizado por cidadãos britânicos negros, no seguimento desse fogo, que ficou conhecido como “Black People’s Day of Action” e que juntou 20 mil pessoas; e os motins de Brixton, uma série de confrontos entre jovens negros e a polícia metropolitana de Londres. O codiretor Steve McQueen consagrou-se mundialmente com “12 Anos de Escravidão”, vencedor de três prêmios Oscar e outras 242 premiações. É também o criador e diretor da premiada série “Small Axe”, que estreou no Brasil em 2020.

Geração Z (2021) examina como a revolução digital está impactando nossa sociedade, nosso cérebro e nossa saúde mental. E como as forças que a impulsionam estão trabalhando contra a humanidade e nos colocaram em uma trajetória perigosa, que tem enormes ramificações para esta primeira geração crescendo com a tecnologia digital móvel.

Exibido no Festival de Sundance, “Searchers: O Amor Está nas Redes” mostra uma ampla gama de pessoas de todas as idades que decidiram encontrar seu parceiro ideal online, sejam elas novatas ou especialistas nessas ferramentas tecnológicas. Seu diretor, o cultuado documentarista Pacho Velez, tem no currículo “The American Sector” (2020), exibido no Festival de Berlim, “Manakamana” (2013), vencedor da competição Cineasta do Presente do Festival de Locarno, e “The Reagan Show” (2017), exibido no Festival de Tribeca.

“Uprising”

Homenagem a Jacques Perrin

A 11ª Mostra Ecofalante de Cinema promove homenagem ao ator e diretor francês Jacques Perrin, falecido no último mês de abril, aos 80 anos. Conhecido pelo papel de Totó em “Cinema Paradiso” (1988), Perrin participou de mais de 130 filmes e séries ao longo da carreira, incluindo uma indicação ao Oscar por “Z” (1969). Mas ele também se transformou em ardoroso defensor da natureza e foi responsável por produções que encantam amplas plateias mundo afora. Todos os três longas-metragens que dirigiu, e um que produziu, estão incluídos na programação do evento.

 

Exibido com sucesso na Mostra Ecofalante de Cinema em 2018, “As Estações” (2015) refaz a história da floresta europeia desde o final da última era glacial até nossos dias, abordando a questão das convulsões causadas pelas atividades humanas. Uma fascinante viagem pela natureza microscópica, “Microcosmos” (1996) foi produzido por Perrin, que é também narrador, ao lado da atriz indicada ao Oscar Kristin Scott Thomas. A obra foi vencedora do grande prêmio técnico no Festival de Cannes e do prêmio do público no Festival de Locarno.

 

Indicado ao Oscar de melhor documentário, “Migração Alada” (2001), uma codireção com Jacques Cluzaud e Michel Debats, acompanha a migração de diversas espécies de pássaros, de todos continentes do planeta. Já “Oceanos” (2009) revela diversos mistérios escondidos nas águas, hábitos de vida das criaturas marinhas e os perigos que as cercam.

 

 

“Migração Alada”

Retrospectiva Sarah Maldoror

 

Celebrando o cinquentenário de realização do longa-metragem “Sambizanga”, a programação da Mostra Ecofalante de Cinema apresenta uma retrospectiva de obras de sua diretora, a francesa Sarah Maldoror (1929-2020). Considerada como a primeira mulher de ascendência africana a dirigir um longa-metragem na África, ela é intitulada por muitos como “a mãe do cinema africano”. Sua obra é reverenciada como exemplo de cinema militante e, ao mesmo tempo, dotada de traços de grande singularidade. Com 41 filmes realizados no período de 1968 a 2009, entre eles quatro longas-metragens, sua carreira foi dedicada a valorizar e promover a perspectiva dos povos negros sobre a cultura e os acontecimentos históricos. Segundo ela, sua motivação seria “pesquisar filmes sobre a história africana, porque nossa história foi escrita por outros, não por nós”.

 

Duplamente premiado no Festival de Berlim, “Sambizanga” (1972) mereceu cópia restaurada em 2021 sob os auspícios da Film Foundation, entidade voltada à preservação de filmes criada pelo diretor Martin Scorsese. É esta versão restaurada, inédita no Brasil, que é exibida pelo evento. O filme, baseado na obra de José Luandino Vieira, focaliza a figura de Domingos Xavier, operário angolano e ativista anticolonial que foi preso e torturado até à morte, em 1961, pela polícia política portuguesa. O longa é conduzido pela perspectiva de Maria, sua companheira.

 

A Retrospectiva Sarah Maldoror traz outros três títulos. No curta-metragem “Monangambé“ (1968) a luta de libertação da África lusófona é vista pela primeira vez representada na história do cinema de ficção. “Aimé Césaire, A Máscara das Palavras” (1976) é um retrato do poeta, humanista e cantor da negritude Aimé Césaire, autodenominado “um negro rebelde, um escritor para quem o ato poético é um ato de liberdade”. Já “Uma Sobremesa para Constance” (1980) utiliza-se da comédia como forma de combater estereótipos racistas. “Retrato de uma Mulher Africana” (1985), por sua vez, propõe uma reflexão sobre o papel da mulher africana na organização social, fundada sob ideais de solidariedade comunitária.

 

 

“Sambizanga”

Competição Latino-Americana

 

Para a Competição Latino-americana da 11ª Mostra Ecofalante de Cinema foram selecionados 35 filmes, sendo 15 longas e 20 curtas-metragens. Eles representam seis países da região: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba e México. O júri que delibera sobre os melhores títulos nestas duas categorias é formado por Amaranta Cesar, professora e programadora do festival Cachoeira Doc, pela cineasta e jornalista Ceci Alves e pela curadora, professora e documentarista Tetê Mattos.

 

 

Veja a programação completa no link abaixo 

https://ecofalante.org.br/

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