Economia derrotou Kamala Harris

Por Nelson Franco Jobim – Quarentena News 

Brasil tem de condenar golpista para não repetir erro

A grande razão da vitória do ex-presidente Donald Trump foi o descontentamento do eleitor dos Estados Unidos com o governo Joe Biden e especialmente com a economia.

Sob o impacto da pandemia, a inflação subiu a 9,1% ao ano, o maior nível em 41 anos. Agora, está em 2,4%. Os preços pararam de subir tanto, mas não caíram.

O custo de vida subiu cerca de 20% e a vice-presidente Kamala Harris foi punida por isso e o Partido Democrata por abraçar o neoliberalismo desde o governo Bill Clinton (1993-2001).

Nesta quarta-feira, Kamala telefonou para cumprimentar Trump e prometeu uma transição de poder pacífica, ao contrário do que o ex-presidente fez em 2021, quando mandou seus partidários atacar o Congresso para impedir a certificação da vitória de Biden.

Os dois prometeram trabalhar juntos para unir o país. Biden também ligou para Trump e o convidou a ir à Casa Branca para negociar a transição.

Mais tarde, Kamala fez um discurso para os militantes democratas e insistou na mensagem: “Quando a gente luta, nós ganhamos, mas a luta pode levar tempo. (…) O importante é não desistir de tentar criar um mundo melhor.”

Foi também uma vitória do fascismo, do racismo, do machismo e da ignorância. A grande clivagem foi entre os com e sem diploma de curso superior.

É um sintoma do declínio relativo dos EUA, onde as eleições sempre foram vencidas pelo centro, atraindo os votos de eleitores independentes, que não votam sempre no mesmo.

Trump conseguiu convencer a maioria do eleitorado de que é um defensor da classe trabalhadora, quando toda sua vida empresarial e política indica exatamente o contrário. É um bilionário. Vai governar para bilionários como Elon Musk.

Suas propostas econômicas de cortar impostos para os ricos e grandes empresas vão aumentar a dívida pública e, se aplicar o tarifaço prometido na campanha, certamente vai gerar inflação.

Em política externa, Trump deve ser isolacionista, o que assusta os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e cortar a ajudar militar à Ucrânia, talvez por força de seu relacionamento com o ditador da Rússia, Vladimir Putin.

O jornalista Bob Woodward, um dos que descobriu o Escândalo de Watergate, acredita que Putin deve saber de segredos de Trump e vai continuar manobrando para manipular o presidente eleito.

Este é o maior ano eleitoral da história. Cerca de 4 bilhões de pessoas foram ou vão às urnas. A grande maioria tem punido os governos do dia.

Para o Brasil, a grande lição é que, se Trump tivesse sido condenado pela tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021, estaria inelegível.

Assim é preciso processar o ex-presidente Jair Bolsonaro e os militares golpistas que o apoiam para impedir que voltem.

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Nelson Franco Jobim é  jornalista com especialização em Jornalismo Internacional e professor universitário

 

 

 

 

 

 

 

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