Por Moisés Mendes – em seu blog
Há mais do que contentamento, há uma frenética excitação entre os que comemoram a imposição do poder do Congresso nos esforços para sabotar o pacote de cortes do governo.
Economistas, jornalistas, empresários e agregados se juntam à direita e à extrema direita na Câmara e no Senado para soltar foguete. Eles acham que venceram.
Deputados exibem cédulas de dólares em plenário, para carnavalizar o ataque ao real. Jornalões convocam capitalistas fora de catálogo, como a Folha fez, por escassez de nomes, com Horacio Lafer Piva. Para que batesse em Lula e Haddad, com apenas uma frase em toda a fala, uma frase protocolar, para criticar o Congresso.
Jornalistas que levam e mandam recados são os mensageiros do ambiente de festa, anunciado semanas antes. Câmara e Senado iriam esvaziar o pacote e derrotar Lula e Haddad, não pelo desejo deliberado e explicitado de dobrar o governo, mas – segundo por jornalões – por falhas na interlocução.
O embate em torno dos cortes, como todos os que se dão desde o começo do governo, é normalizado como parte do jogo. A extorsão, a coação e a chantagem dos emendistas estão dentro do que é normal e foi agora, em outro estágio, incorporado à natureza da política.
O alvo, no contexto do duelo do governo com o mercado financeiro, é um só, depois de Lula: Fernando Haddad. Atiram em Lula e acertam também em Haddad.
Partem para o ataque contra Lula para inviabilizar o terceiro governo e fragilizar seu ministro, exposto como incapaz de comunicar o que pretende, de negociar e de evitar derrotas.
Parte das esquerdas oferece bambus e até flechas prontas às investidas da direita. É preciso, sob o ponto de vista dessa esquerda, que fique claro que Haddad é quase tucano e não as representa.
É necessário, aí sob o ponto de vista da direita no Congresso, do empresariado, da Faria Lima, da Globo e de suas comadres da grande mídia, que Haddad saia lanhado desses confrontos.
Não para que seja totalmente derrotado agora, mas para que perca a luta aos poucos. Que lute com um toco de espada, que o escudo seja perdido no meio da arena e que a cachorrada tenha o reforço de Trump e suas matilhas mais adiante.
Batem na reforma tributária e no pacote de cortes e batem até no PIB, no nível de emprego, na melhoria de renda. Porque é preciso desqualificar os avanços obtidos por Lula e Haddad, todos abordados com ressalvas depreciativas.
O pleno emprego é um problema, o poder de compra precisa ser contido por juros restritivos de impulsos consumistas, a expectativa é de crescimento não duradouro e, no fim das contas, os interesses em jogo são só os deles. Sem isenção do IR para quem ganha R$ 5 mil e sem tributação de ricos.
A sabotagem vai se aprimorando e anuncia o que virá em 2025 e será radicalizado em 2026, para que os planos eleitorais, de Lula ou de Haddad, sejam pulverizados. O governo precisa entrar em 2025 cambaleante, para chegar em 2026 caindo aos pedaços.
E as esquerdas? As esquerdas de ativismo geralmente à distância, algumas dedicadas a bater o tambor de esquerdismos tardios, essas não querem saber de Haddad, porque o nome para o futuro, como sucessor de Lula, seria o do governador de Macondonópolis, Raymundo Herrera, esse sim de esquerda.
O governador Herrera seria a nova liderança nacional em ascensão e poderia ser trabalhado por um bom marqueteiro para 2026. Mas Macondonópolis não existe. O governador Raymundo Herrera não existe.
O que existe hoje, é concreto, é real, o que há como perspectiva de futuro, fora Lula, é Haddad. Mas a realidade atrapalha as fantasias do esquerdismo pueril aliado dos sabotadores da velha e da nova direita.

Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre. Foi colunista e editor especial de Zero Hora. Escreve também para os jornais Extra Classe, Jornalistas pela Democracia e Brasil 247. É autor do livro de crônicas ‘Todos querem ser Mujica’ (Editora Diadorim)
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247 sendo 247, puxadinho do PT, arrogante, antiesquerda, defensor de corte de gastos, de ataques ao BPC, a políticas públicas e ao SUS.