Brincando de casinha

Por Sebastião Nicomedes de Oliveira

2022 terá Censo Criança e Adolescente em situação de rua. Será?

“Não aceitamos famílias com crianças”, diz o letreiro anunciando o aluguel de quartos, quitinetes e casas. A mãe leva as mãos à cabeça. Dá pra sentir a dor dela e do seu companheiro nesse momento.

Com que dinheiro pagaria aluguel? Provavelmente terão de comprar uma barraca.

As imobiliárias, os proprietários, não estão dando a mínima à realidade atual. Problema social é com o Estado!

Enquanto isso, entregues à própria sorte, o casal de irmãos brincam felizes, ao ar livre, no #PátiodoColégio. Crianças inocentes, elas nem fazem ideia de estarem sendo punidas por nascerem…

Querem imputar nelas a culpa dos pais não terem acesso à moradia. O Estado deixando menores sob a guarda de pais de rua enquanto seus tutores legais estão na #correria.

Do outro lado do mundo, delegações acompanham os chefes de estado em viagens internacionais. Governador e prefeito discutindo parcerias e cooperações internacionais para alavancar o #PIB, para fazer crescer o turismo, aumentar a exportações de alimentos, mas ignorando a fome no próprio país. A fome na própria cidade.

Dedicam-se a confundir a cabeça das pessoas, discutindo a eficácia das vacinas, o uso de máscaras. Se obrigam ou se liberam de vez.

Discutem eleições e desdobramentos da #pandemia. Se mantém a obrigatoriedade do uso de máscara ante ao surgimento das novas variantes do #coronavírus.

Na África, #Omicrom e suas mais de 30 mutações, e o #Butantan, em São Paulo, descobrindo novas mutações da variante #Delta no Brasil.

Enquanto brincam com fome, as crianças não sabem que a #prefeitura cortou quase sete mil marmitex, que eram distribuídas pela #RedeCozinhaCidadã. Das 10 mil, foram reduzidas para 3.400 a quantidade de refeições.

É, de fato, a pandemia desequilibrou a balança: trouxe para as filas de distribuição de comida pessoas que sequer aceitavam doações, noutros tempos… Famílias inteiras vieram parar na calçada. Gente que sequer fazia ideia do que é o mundo da rua.

Pensando nisso…

Perto do #Centro,  arredores da #BaixadadoGlicério, movidos pela indignação, inconformismo e revolta, o #ConselhoTutelar da #Sé, em parceria com a #RedeCentralCriançaeAdolescente, promoveram uma reunião para discutir o problema. Na pauta: a questão das “famílias em situação de vulnerabilidade”.

O entendimento geral é de que o executivo municipal precisa adotar medidas urgentes para enfrentar o problema de crianças e adolescentes em situação de rua. Convocam para a reunião a Secretaria da Habitação, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania e Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. Compareceram representantes das Secretarias do Trabalho e Direitos Humanos.

A partir dos relatos de crianças desmaiando de fome em sala de aula e pessoas desmaiando em filas de Posto de Saúde é formada a rede composta por entidades, trabalhadores, movimentos sociais, lideranças, ativistas e militantes. É a sociedade civil gritando que não aguenta mais o silêncio ensurdecedor das autoridades.

E o conselheiros pensando modos de acionar o #MinistérioPúblico, quando o próprio conselho enfrenta processos movidos contra conselheiros por defenderem famílias carentes… Sabendo que os processo tem sido contrários às famílias em situação de vulnerabilidade. O estado movendo ações contra os lares onde as crianças sofrem pela falta de proteção e condições de vida digna, invertendo os papeis, empurrando pra baixo do tapete.

O que hoje não é mais possível, pois a pandemia da #Covid-19 escancarou, jogou pra cima do telhado. Entre as cobranças, a falta de um #Censo sobre o menor, a criança e adolescente em situação de rua.

Haja visto que o #Censodapoprua é totalmente voltado para maiores de 18 anos, sendo contados menores apenas quando acompanhadas de pais ou responsáveis. Levando-se em conta, ainda, que não existe um centro de convivência para menores e essas crianças estão sendo impedidas de frequentarem os espaços, de tomar banho, acessar sanitário ou mesmo se alimentarem.

Daí a necessidade emergente do Censo da criança e adolescente em situação de rua. Só um levantamento e apontamento real de dados quantitativos para chegarmos á criação de políticas públicas voltadas ao cuidado dos menores.

Representantes da SMDHC informaram que o Censo acontecerá em 2022. Portanto, no ano que vem.

A cidade de São Paulo deve realizar a contagem dessa população invisível entre o invisíveis. Aqueles que resistirem ao vírus e à fome.

Reunião Rede Central discute a situação das famílias em situação de rua em São Paulo

 

Tião Nicomedes:
Sebastião Nicomedes de Oliveira é “poeta das ruas”. Autor da peça teatral Diário de um Carroceiro e do livro As Marvadas é artista popular. Ex-catador e ex-morador em situação de rua, integra o MIPR (Movimento Internacional de População em Situação de Rua).

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