Construir Resistência

Bolsonaro ensaia um abraço de afogado nos generais

 

Por Leandro Fortes – Diario do Centro do Mundo

Recluso no Palácio da Alvorada, onde se consome em ressentimentos e perebas, Jair Bolsonaro se entregou àquela que imagina ser sua última cartada de poder: impedir as Forças Armadas de participar do processo de transição em curso. Pretende, assim, levar a credibilidade da caserna ao colapso total, com o auxílio luxuoso de meia dúzia de generais irresponsáveis.
Ao negar a essa transição, Bolsonaro pretende dar uma derradeira demonstração de poder no único espaço do serviço público onde a hierarquia está acima do bom senso. Assim, em pleno uso da prerrogativa de comandante-supremo, arrastar os militares para as profundezas do desespero em que se encontra e se deslocar, definitivamente, da realidade política do País.
Lula ainda procura, auxiliado por dois de seus ex-ministros da Defesa, Celso Amorim e Jaques Wagner, uma saída diplomática para a porralouquice de Bolsonaro, para não precipitar uma crise que só interessa à horda de desocupados estacionada em frente aos quartéis. O trio tem buscado, sem sucesso, interlocutores junto aos comandantes militares para reiterar seu apreço às Forças Armadas.
A solução mais evidente, portanto, é um convite formal do coordenador da transição, Geraldo Alckmin, ao ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, para iniciar uma transição por cima, sem a ingerência dos comandantes militares – todos enfiados, até o pescoço, na areia movediça do bolsonarismo.
Signatário da auditoria mandrake sobre as urnas eletrônicas, o ministro também não é lá essas coisas, mas pode ser render à institucionalidade de modo a ser tocado pela razão. Caso se negue a conversar, vai amarrar a caserna ao naufrágio do governo Bolsonaro de forma irreversível.
A outra solução é ignorar o estamento militar comandado Bolsonaro e, a partir de 1° de janeiro de 2023, iniciar um necessário processo de expurgo funcional e mandar para a reserva o chorume bolsonarista que se recusa a aceitar o papel constitucional das Forças Armadas.
Aliás, de longe, a melhor opção.

Leandro Fortes é professor de jornalismo, escritor com passagem pelo O Globo, Carta Capital, Correio Braziliense entre outras publicações.

 

Matéria publicada originalmente no link abaixo do Diario do Centro do Mundo

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsonaro-ensaia-um-abraco-de-afogado-nos-generais-por-leandro-fortes/

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