Por Alceu Castilho

Sim, o homem pilhado que executou uma policial nos Jardins, em São Paulo, era o que se chama de empresário.
Dono de uma empresa em recuperação judicial — e esta informação você não terá visto em nossa imprensa preguiçosa.
E recuperação judicial para quê? Para não honrar as dívidas trabalhistas de seu laboratório.
O Tribunal de Justiça (TJ-SP) chegou a ordenar o pagamento das dívidas de mais de R$ 5 milhões da Biofast, em 2020, mas o STJ vetou.
Enquanto isso, Rogério Saladino vivia sua dolce vita na Rua Guadalupe, no Jardim América, onde as casas valem de R$ 19 milhões a R$ 50 milhões — e onde ele promovia uma festinha no momento do crime regada a maconha, skank e drogas sintéticas.
Vivia também a vida doce na fazenda da família em Natividade da Serra, no Vale do Paraíba. O de sempre: pecuária. (Uma das empresas de uma ex-mulher, cavaleira e criadora de cavalos, tem sede no Uruguai.)
E vivia essa vida cínica em Trancoso, no sul da Bahia, onde uma mansão como a sua não sai por menos de R$ 15 milhões. (Na foto Rogério está com outra ex-mulher, herdeira da Top Engenharia.)
((E com uns óculos escuros afrontosos. O empresário veste Prada?))
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Todos deveríamos entender melhor a fronteira tênue entre o capital legal e ilegal, no Brasil e no mundo.
E entender melhor as origens da desigualdade. Que passam pela exploração — referendada pelo Judiciário — de direitos trabalhistas por empresas espertalhonas.
Eufórico durante sua baladinha nos Jardins, Saladino tirou a vida de uma policial séria (ao que tudo indica, séria), Milene, e provocou a morte de um de seus funcionários, o segurança Alex.
(Não veremos uma multidão de seguranças no velório de Alex.)
Nesse caso específico, o empresário trincado e com dedo mole morreu, durante sua ação suicida.
A ver se seu herdeiro pagará os estudos dos filhos de Milene e Alex.
E as dívidas.

Alceu Castilho é jornalista










