A mídia corporativa odeia as mulheres (de esquerda)

Por Eder Bukowski Jr.

A futrica mentirosa sobre Janja na China atestou um padrão nacional de imoralidade: a mídia corporativa odeia as mulheres (de esquerda).

Dilma – hoje silenciada – era tratada como “explosiva, nervosa, grosseira” para entornar com raiva a claque pelo golpe no mandato popular.

Colunistas caçoaram do andar dela na posse: “deselegância”, “do andar, do vestir, do jeito de ser”.

A capa da Istoé com montagem misógina e machista tripudiou na ojeriza à mulher com voz e poder: “explosões nervosas da presidente”.

A Época militou pela violência: “se eu falar do cabelo armado Mao Tsé-tung de Dilma, serei machista”, dizia uma colunista.

Era linchamento livre – com ou sem mandato.

Marisa Letícia figurou em coluna n’O Globo como criminosa, vulgar, plastificada e cúmplice de crimes.

A Veja subverteu relato de Lula em munição contra a esposa falecida e imputou a ele uma “morte dupla de Marisa”.

Era festa do ódio. Sem fim, diga-se.

Gleisi é atacada por um “perfil temperamental, “obstrutivo” ao diálogo – depreciação clássica da mulher com ideias próprias.

Na GloboNews, das análises às entrevistas, o bordão rotula: “é difícil”, e a aptidão política jaz sob a caracterização emocional.

No Segunda Chamada, colunista da Folha cravou: “Pode [chamar deputada de puta]”, sobre a deputada Maria do Rosário.

A munição atirada em Janja atualiza a misoginia contra mulheres de esquerda.

É da natureza dessa mídia servil à inferiorização feminina pregada por projetos extremistas.

O papel tolerado é de silêncio, servidão e objetificação – como a Veja exaltou a “bela, recatada e do lar” Marcela Temer.

Ou de fanatização para limitar a cidadãs de segunda classe sob lastro (falso) de temor a Deus, a exemplo da ode a Michele, vista até como presidenciável à revelia da ficha e do fascismo.

Essa mídia se faz de feminista e critica bolsonaro por fazer desse gênero alvo prioritário de ataque.

Puro ato falho da hipocrisia.

Ambos odeiam as mulheres – de esquerda, invariavelmente.

Eder Bukowski Jr. se autointitula botafogense, comunista e com dívidas progressistas

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