Programa previdenciário de Milei mata mais idosos que a Covid-19

Por Simão Zygband

Foto: Santiago Oroz/SOPA

As políticas implementadas por Javier Milei aprofundaram a vulnerabilidade social dos aposentados na Argentina.

O veto a reajustes e a desvalorização dos benefícios corroeram o poder de compra dos idosos em meio à inflação, comprometendo o acesso a medicamentos e tratamentos essenciais.

Em reportagem exibida pela Bravo TV, no programa “Bienvenidos al Tren”, médicos fizeram um alerta contundente: a mortalidade evitável entre idosos está crescendo e já supera os índices da pandemia de COVID-19.

O médico Oscar Atienza afirmou que, em Córdoba, a taxa de excesso de mortalidade entre pessoas com mais de 65 anos chegou a 11% — acima dos 10,6% registrados no auge da crise sanitária.

A principal causa apontada é direta: falta de acesso a medicamentos. Pacientes com hipertensão e diabetes estariam reduzindo doses ou dividindo comprimidos por não conseguirem arcar com os custos.

O resultado é imediato: aumento de AVCs, infartos e mortes. E, mesmo entre os que sobrevivem, crescem as sequelas permanentes, as internações prolongadas e a dependência familiar, ampliando ainda mais o custo humano e social.

Os especialistas também alertaram para a piora geral do sistema de saúde: escassez de medicamentos para idosos, falta de vacinas infantis e reaparecimento de doenças antes controladas, como sarampo, tuberculose e coqueluche.

O quadro revela um sistema sobrecarregado e indicadores sanitários em deterioração.

A lógica desse modelo se aproxima da concepção de Estado mínimo defendida pela extrema-direita e seus aliados no Brasil: redução do papel do Estado e compressão de direitos sociais.

Quando a proteção pública encolhe, os mais frágeis pagam com a própria saúde.

Ao defender valorização da renda, fortalecimento das políticas sociais e a discussão sobre o fim da jornada 6×1, o presidente Lula aponta para um caminho oposto ao da austeridade implantada por Milei.

Nas eleições presidenciais de 2026,  a escolha será civilizatória: proteger a vida ou naturalizar o abandono.

Simão Zygband é jornalista, analista político e editor do site Construir Resistência

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