Tá feia a coisa, hein Rede Globo?

Por Sônia Castro Lopes

A verdade é que as empresas Globo mais uma vez se transformaram em um tribunal midiático que decide quem merece ou não ser queimado

Ninguém desconhece que as organizações Globo sempre estiveram ligadas a esquemas financeiros e personalidades políticas que sustentam o sistema capitalista.

Quem aqui se lembra do caso Proconsult na época da eleição do Brizola ao governo do Rio de Janeiro em 1982?

E das desculpas que foram obrigados a pedir em horário nobre no Jornal Nacional, na voz de Cid Moreira, por divulgar mentiras sobre esse mesmo governador?

Do apoio escancarado à ditadura empresarial-militar que se abateu sobre o país por duas décadas e da retratação inócua que veio muito tempo depois?

Da edição canalha feita no debate entre Lula e Collor nas eleições de 1989 e que contribuiu de forma decisiva para a vitória do “caçador de marajás”?

Da demonização feita ao PT e à figura de Lula no episódio da Lava Jato quando elevaram um juiz parcial e corrupto à categoria de herói nacional?

Muitos dos possíveis leitores desta página talvez nem tivessem nascido quando os primeiros episódios aqui relatados aconteceram, mas a memória, fonte viva e fiel da história, não perdoa.

Sabemos em que medida o episódio do power point sobre o escândalo do Banco Master exibido no programa Estúdio i da Globo News, na última sexta feira (20), afetou a credibilidade do jornalismo da Rede Globo, provocou intensas reações nas redes sociais e motivou um pedido de desculpas aos espectadores que ainda assistem aos comentários de jornalistas que se curvam ao método utilizado pela emissora para manipular o público.

A “arte” sugerindo conexões próximas do “banqueiro” com o presidente Lula, com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central que extinguiu o Master e que, não satisfeita, apresentava articulações do crime com o Partido dos Trabalhadores, ali representado por sua bandeira, revelou-se uma tentativa inequívoca de moldar a opinião pública contra o atual governo.

Já vimos isso há alguns anos e, por isso, a operação está sendo conhecida como Lava Jato 2.

A reação dos internautas foi tamanha que resolveram consertar o “erro” na segunda feira (23), cabendo à jornalista Andrea Sadi justificar o injustificável, ou seja, contornar a mentira contada através do power point com desculpas esfarrapadas, como se tivesse ocorrido um “erro” por parte dos produtores da arte que estaria “incompleta”.

As desculpas não colaram, pois faltou apresentar a correção, nomeando os políticos não mencionados na “arte” anterior.

E quais foram os grandes ausentes?

Jair Bolsonaro e Tarcisio de Freitas que receberam generosas quantias de Vorcaro para impulsionar suas campanhas em 2022, Fabiano Zetel que atuava como pastor da Igreja Lagoinha, em Belo Horizonte, o ex-governador Claudio Castro (PL-RJ), agora cassado pelo TSE e os governadores Wilson Lima (União Brasil-AM) e Clécio Luiz (Solidariedade-AP), responsáveis por aplicar milhões dos fundos de aposentados e pensionistas no banco ora extinto.

Os verdadeiros implicados no escândalo do Banco Master foram poupados, mas a ausência mais sentida foi a do ex-presidente do Banco Central nomeado por Jair Bolsonaro, Roberto Campos Neto, em cuja gestão o Master foi autorizado a funcionar e ampliar suas atividades, envolvendo lideranças políticas entre seus contatos.

Na agenda do celular de Daniel Vorcaro, parcialmente periciado pela Polícia Federal, foi encontrada uma lista com nomes de quase duas dezenas de deputados que mantinham contato com o “banqueiro”, todos pertencentes a partidos de centro e extrema direita, onde se destacam nomes como Hugo Motta (Republicanos-PB) e Arthur Lira (PP-AL), respectivamente presidente e ex-presidente da Câmara de Deputados, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré candidato à presidência da República, Flavia Arruda (PL-DF), ex-ministra no governo Bolsonaro e Nikolas Ferreira (PL-MG), que como já foi noticiado, viajou inúmeras vezes no jatinho de Vorcaro, embora afirme que “não sabia de quem era o avião”.

A verdade é que as empresas Globo mais uma vez se transformaram em um tribunal midiático que decide quem merece ou não ser queimado.

O espaço dado a certos políticos da extrema direita nos noticiários e programas de comentaristas como Estúdio i é estarrecedor.

Por que a Rede Globo estaria escondendo alguns elementos realmente comprometidos com o escândalo e destacando na sua arte o Presidente da República e a bandeira do PT?

A resposta é fácil: a Globo foi beneficiada de forma generosa pelo fundador do Banco Master que patrocinou evento organizado pelo Valor Econômico em 2024, no luxuoso Hotel Plaza, em Nova Iorque ao qual compareceram empresários, governadores e diversas lideranças políticas. Campos Neto é também o principal CEO do Nubank, banco do qual as Organizações Globo são um dos maiores acionistas.

Entenderam agora o porquê da seleção feita pela emissora?

Para a jornalista Heloísa Villela que trabalhou durante muito tempo na Globo como correspondente em Nova Iorque, o grupo atualmente “vive uma nostalgia, se esquece que os tempos mudaram”.

Foi-se a época em que a Globo moldava a opinião pública, quando a audiência do Jornal Nacional batia quase 80%. Hoje temos as redes sociais que, apesar de serem os principais veículos de fake news, cumprem a função de mobilizar de forma mais ágil a opinião dos internautas.

Quem trabalha ou já trabalhou na emissora, como a jornalista citada, sabe que não se faz qualquer matéria ou arte sem passar pela decisão, avaliação e aprovação de superiores.

O que aconteceu não foi “erro” editorial, mas uma intenção clara da empresa para manipular o público, influenciá-lo nas próximas eleições e derrubar a candidatura do presidente Lula.

Sônia Castro Lopes é historiadora e fundadora do site Construir Resistência

Contribuição para o Construir Resistência ->

Resposta de 0

  1. Muito bom! As desculpas esfarrapadas meia-bomba da Sadi deveriam ser complementadas com direito de resposta, como o texto do Brizola lido pelo Cid Moreira.

  2. diz que o powerpoint foi uma cópia fajuta montada a partir de um mesmo powerpoint apresentado no site Oeste, conhecido site propagador de notícias de direita.

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