Por Marina Moraes

Muitas vezes, como desta vez, o meu aniversário cai no Dia das Mães. Eu, que sempre quis ser mãe, primeiro das bonecas, depois de bebês que teria com todos meninos que eu gostava e finalmente, mãe dos filhos que, de fato queria ter, independentemente dos pais, não me incomodo com essa coincidência que transforma o meu aniversário numa comemoração coletiva. Ao contrário, é razão para festejar e agradecer por ser filha e mãe de quem sou, nesse embolado feminino que acontece desde que nasci na data em que nasci. O tempo é o dono de tudo e faz da gente o que quer. Dá e tira sem avisar e, no entanto, a gente já deveria saber. É previsível e surpreendente. É um companheiro poderoso e eu trato de respeitá-lo para não arranjar briga (quem pode com ele?), rugas ou coisa pior. O tempo levou minha mãe, não antes da hora e ainda assim, tão cedo, e me deu as filhas mais sensacionais, uma depois da outra, depois da outra, de forma que os espaços fossem preenchidos e nunca ficassem vazios dentro de mim. Em cada uma das meninas estamos minha mãe e eu e elas carregam essa herança com o amor, a resignação, a inteligência e o senso de humor que as faz infinitamente melhores do que nós. O tempo se acomodou no calendário que criamos para ele. E eu sigo nascendo mãe no meu aniversário. Viva!

Marina Moraes é jornalista, publicitária e escritora










