Reinaldo Azevedo, as curvas de uma trajetória

Por Paulinho Cavalcanti

“Ninguém consegue enganar todo mundo o tempo todo” – De “País dos Petralhas” ao portal Metrópoles de Luiz Estevão

Houve um tempo em que Reinaldo Azevedo se tornou nacionalmente conhecido pelo livro “O País dos Petralhas.”

A obra sintetizava um período de confronto contra o PT, com linguagem combativa, acusações duras e uma narrativa que apresentava o partido como eixo central de um projeto de poder marcado por escândalos e distorções institucionais.

Naquela fase, Azevedo se consolidou como um dos principais expoentes do antipetismo midiático. Seu discurso era direto, inflamado e sem concessões.

Para seus leitores, era a voz que dizia o que outros evitavam dizer. Para seus críticos, era o símbolo máximo de um jornalismo opinativo que preferia o embate à ponderação.

Com o passar dos anos, porém, o cenário político mudou — e o próprio jornalista também. Rompeu com setores da direita que ajudou a fortalecer, tornou-se crítico de figuras que antes orbitavam seu campo ideológico e passou a defender posições que surpreenderam antigos seguidores.

É nesse contraste que muitos enxergam incoerência. A pergunta que surge não é apenas sobre mudança de opinião — algo legítimo —, mas sobre a intensidade das guinadas e o tom adotado em cada fase.

Quando alguém constrói sua identidade pública na radicalidade de um lado do espectro e depois assume posição quase oposta, inevitavelmente desperta questionamentos.

O nome “País dos Petralhas” virou símbolo de uma era de confronto absoluto. Anos depois, a imagem pública de Azevedo é outra: a de um comentarista que critica excessos punitivistas, questiona narrativas simplistas e se apresenta como defensor de garantias legais.

Para uns, trata-se de amadurecimento intelectual. Para outros, é um reposicionamento estratégico.

O fato é que sua trajetória espelha a própria turbulência da política brasileira na última década: alianças desfeitas, discursos reconfigurados e um debate público cada vez mais marcado por reviravoltas.

No fim, mais do que falar apenas sobre Reinaldo Azevedo, essa mudança revela algo maior: como o jornalismo opinativo, quando se ancora fortemente em identidades ideológicas, acaba inevitavelmente sendo julgado pelas próprias viradas que protagoniza e o jornalista caiu no colo de Luiz Estevão, (quem diria)…

PANO RÁPIDO: Quem é Luiz Estevão?

Luiz Estevão, ex-senador cassado em 2000, possui extensa ficha policial marcada pelo desvio de R$ 169 milhões nas obras do TRT-SP, resultando em condenações por peculato, corrupção ativa e estelionato. Com pena total superior a 30 anos, cumpriu regime fechado no Complexo da Papuda, onde recebeu novas condenações por regalias ilegais.

Paulinho Cavalcanti se auto-intitula especialista em nada

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